quinta-feira, 13 de março de 2014

A importância do nome!

Uma das tarefas mais prazerosas durante a gravidez, é a escolha do nome do filho que está para chegar. Vale de tudo: nomes antigos, modernos, inventados. E os futuros papais fingem que estão abertos a sugestões, mas no fim, são eles próprios que determinam como vai se chamar o rebento. Comigo não foi diferente. Eu não tinha em mente nenhum nome, mas tinha alguns critérios: deveria ser fácil de dizer e de escrever, e que não se parecesse com rótulos de cimento, ou ainda que não fosse carregado com letras pouco usadas na língua portuguesa, como y e w, ou excessos de consoantes: tt, ll, ph, nn (as professoras detestam nomes com grafia e pronúncia complicada.
Confesso que primeiramente pensei em dar o nome do meu marido, Humberto, ao nosso filho, mas, apesar de se sentir homenageado, ele não gostou muito, e diante de uma lista não muito longa, acertamos que seria Eduardo. Eu dei a sugestão, mas jamais mencionei à ele que tive dois namorados com este nome: o primeiro, na infância, e o segundo, aos 14 anos. Apesar de não ter sido  apaixonada por nenhum deles, Eduardo ficou em minha memória. Na época, esse nome era tão comum, como como hoje estão Kauã, Johnnatann e Kaíque. E, como não segue modismos, Eduardo se tornou antigo, a ponto de num shopping um senhor perguntar se nomeei meu filho para homenagear meu avô.

Humberto e Eduardo, marido e filho
Mas, acho que minha decisão pelo nome Eduardo foi tomada antes mesmo de eu pensar em ser mãe, quando li o livro Encontro Marcado, de Fernando Sabino. Um dos personagens da história tinha esse nome e me chamou a atenção pelas suas características, como elegância, educação e simpatia. Aos 15 anos, tais predicados representavam a personalidade de um príncipe, que para uma mente tão sonhadora, já era um passo para encontrar a felicidade nos braços de alguém tão merecedor. Não encontrei mais Eduardos em minha vida, como imaginei quando menina. Nem tive sorte com príncipes, o que me faz compreender, com relutância, que os personagens maravilhosos só existem mesmo nos filmes e nos livros.
E os nomes não simples nomes. Eles carregam consigo a personalidade de quem nomeiam e por isso a sua importância. Quando eu nasci, meus pais também tiveram que enfrentar críticas pelo nome que escolheram para mim. Há muitos anos, Carla era o feminino pouco provável de Carlos e causou estranheza na família. Tios e avós tentaram convencer meus pais a mudarem meu nome, mas eles não aceitaram. E, sem perceber, essa incompreensão, me prejudicou. Inconsciente, eu custei a me entender como uma menina, preferindo brincar com os meninos, a me comportar e a vestir como eles, durante a minha infância e adolescência.
Minha porção mulher só apareceu aos 18 anos, quando num curso de modelo, ensinaram às participantes, preceitos básicos de beleza, como maquiagem, depilação, e vestimenta feminina. Era um lado da vida que eu pouco conhecia. Até então, eu passava os dias na rua, brincando de futebol, de shorts e tênis. Depois de ser apresentada à vaidade, passei a me sentir sedutora. E essa descoberta da feminilidade foi tão importante, que aliada ao meu nome, me deram uma noção de mulher fatal. A boca, antes sem cor, passou a ser colorida com batons fortes, intensos, e as roupas ficaram curtas, colantes, provocantes. E como era bom surpreender! Principalmente a mim mesma.
Há alguns meses, ao passar pelo bairro onde morei por muitos anos, encontrei com um ex-vizinho, que correu para me dar um abraço e agradecer a homenagem que fiz a ele, dando seu nome ao meu filho. Ele estava acompanhado da esposa, e fiquei impressionada de onde ele tirou aquela ideia, morrendo de medo de que eu fosse mal interpretada. Mas, diante de tanta alegria, não tive coragem de desmenti-lo, e assim ficou. Eduardo então, para ele, fora uma homenagem particular. Só depois vim a saber que minha irmã inventara esta história. No final, todos saímos ganhando, pois um nome é, querendo ou não, uma homenagem a alguém especial em nossas vidas. Tendo ou não tanta importância. Agora, se tiver outro filho, já fico pensando no nome que darei a ele. Quem sabe desta vez não coloque Humberto, como o do meu marido? Aliás, quer alguém mais especial na minha história do que ele?





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