domingo, 8 de abril de 2012

Solidariedade: gostar do outro como a si mesmo!

Aos 18 anos viajei sozinha pela primeira vez, para passar as férias em Guarapari, na casa de uma amiga, numa viagem que significou, para mim, mais do que uma diversão. Conhecendo e reencontrando pessoas, percebi o quão um gesto de solidariedade pode fazer diferença. No ônibus cheio, as cadeiras muito justas não permitiam uma circulação normal das pernas. Para aliviar as dores,  um desconhecido que sentou-se ao meu lado, ofereceu-me sua cadeira para que eu esticasse o corpo. Ele, por sua vez, foi dormir no vão do ônibus, conhecido como chiqueirinho. Isso sem reclamar ou fazer gracinhas (me paquerar, por exemplo).
Já na rodoviária, cumprimentei um disciplinário de uma escola onde eu havia estudado três anos antes. Moreira aguardava pessoas da família, e quando elas chegaram no ônibus, não as levou para casa. Preocupado com a demora da minha amiga, ele aguardou no carro até que ela chegou. Só então Moreira foi embora. Me senti protegida e agradeci a Deus por ter colocado aquele homem no meu caminho. Discontraído, de férias, Moreira em nada parecia com o disciplinário rígido e bravo que apavorava os alunos. Ali, vendo meu desespero de estar sozinha num lugar desconhecido, ele agiu como um pai, não como um profissional que checa o estudante para saber se está ou não ferindo as normas da escola.
Pequenas atitudes como essas, parecem pouco diante dos problemas do mundo, mas provocam mudanças significativas em quem está sendo ajudado. Os gestos podem ser simples ou grandiosos, todavia acalentam um coração machucado, aberto em feridas por motivos diversos. E foi assim que há alguns anos, uma moça me encontrou perdida no bairro onde ela morava. Durante três horas eu andei à pé buscando o endereço, que só depois percebi que estava errado. Eu tinha uma entrevista de trabalho e não chegaria a tempo. Ao pedir informações para uma moça que chegava em casa, caí em prantos de raiva e frustração. Sem pensar duas vezes, ela me colocou dentro de seu carro e me deixou na porta da empresa. Não só cheguei a tempo, como fui contratada.   
A solidariedade é um gesto de carinho que qualquer pessoa pode fazer, desde que seja com boas intenções. Ajudar alguém demonstra sensibilidade e respeito pelo sentimento dos outros. Sinto que às vezes eu poderia ser uma pessoa melhor. Certa vez, subindo a rua da minha casa, uma senhora tentava conversar comigo e eu não respondia direito. Até que ela percebeu e me pediu desculpas. Disse que estava com depressão e conversar lhe fazia bem. Há um mês ela havia perdido um filho adolescente, atropelado por um caminhão e estava a caminho da terapia para tentar viver novamente. Naquele momento eu quis chorar e passei a dar-lhe atenção. Talves os dez minutos que ela havia tomado do meu tempo tenha feito diferença na vida dela. Mas, se eu tivesse sido legal desde o começo, talvez nem me lembrasse disso. Mas, a vida me deu esta lição. Assim como somos ajudados, podemos também ajudar. Não custa nada!!! É um gesto simples, de amor. Só de amor!!!

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