quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quando a violência se torna natural!

Há uns 10 anos, meus tios se divorciaram, depois de muitas brigas e um casamento duradouro. Arrastaram a relação enquanto puderam, até minha tia dar um basta nas surras que levava. Meu tio é uma pessoa maravilhosa e sei que ainda é apaixonado pela ex-mulher, mas ele errou bastante.  A violência ali começou cedo e só teve fim quando minha tia conheceu outro homem, desta vez, carinhoso, que a admira e aceita sua família dentro de casa. Por outro lado, meu tio nunca mais se casou.
Acho que a violência jamais se justifica, principalmente entre um casal, que um dia trocou juras de amor. Quando minha tia se casou, ela já conhecia, da própria família, casos de violência entre homem e mulher. Sua irmã sempre apanhava do marido, até que um dia, resolveu revidar. Após uma surra bem grande, ela bateu no marido até deixá-lo fraco. Desde então, o casal vive muito bem. Pelo menos essa foi a versão contada pela minha tia, quando eu tinha uns 12 anos de idade.Talvez, por ter visto a irmã apanhando tantas vezes, achasse que isso era natural.
É difícil descobrir se um homem é violento, na época do namoro, já que ele faz tudo para agradar a mulher amada. Eu desconfio dos muito amorosos, sorridentes e muito simpáticos, que podem se transformar em monstros a qualquer momento. Basta contrariá-los para ver sua outra face. Também não dou crédito aos homens que desrespeitam a namorada ou cometa contra ela pequenas atitudes e agressões diante de ciumeiras ou desconfianças. Estes, depois de casados, são capazes de cometer atrocidades. E há mulheres que aceitam de tudo!
Em 1986, eu estava namorando no carro, na Savassi, quando percebemos atrás de nós, na rua, um casal brigando. Os dois vinham caminhando, quando ele, alterado, puxou o cabelão dela e bateu sua cabeça no capô de outro carro. Minha reação foi de indignação e pensei em chamar a polícia. Mas, meu namorado na época, abaixou minha cabeça e disse para ficarmos calados, apenas observando, já que nada tínhamos a ver com isso. Diante de tal violência, pensei que a moça abandonasse o namorado, mas para minha surpresa, após apanhar, ela ainda insistia para ser ouvida pelo agressor. Não sei no que deu aquilo, pois o casal foi embora (ela atrás dele) e nós fomos em seguida. Naquela noite, já sem clima para namoro, esse foi nosso assunto preferido.
A cena, apavorante, nunca mais saiu da minha cabeça, mas me fez pensar que a sociedade é conivente com o sofrimento dos outros, quando não denuncia casos de violência, com justificativas antiquadas, de que não se deve intrometer em briga de casal. Em contrapartida, a mulher se deixa agredir pelo companheiro, acreditando que ela merece apanhar quando o trai ou chama a atenção de outro homem. Assim, a violência se justifica para algumas pessoas, e as providências não são tomadas. E o agressor conta com isso para continuar agindo. Ser cidadão é denunciar o que faz mal para a sociedade, e não fingir que não tem nada a ver com a vida do outro.

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