domingo, 4 de setembro de 2011

Mídia perigosa!

Há seis anos uma parente fez uma lipoaspiração numa clínica de estética e saiu de lá quase morta. Foi salva pelo filho, recém-formado em medicina, que invadiu a sala de cirurgia e encontrou a mãe com o intestino perfurado. Na tentativa de salvá-la, ele agiu com rapidez, sem preocupação com a estética. Resultado: uma barriga toda recortada, e o uso constante de uma bolsa coletora. Desde então, minha prima passou a ter vergonha e depressão. Perdeu a vontade de participar de eventos sociais e frequenta apenas festas familiares.
Minha prima não pecou pela vaidade. Ela soubera da clínica através de uma revista de circulação em Minas e ficou entusiasmada com as promessas de um corpo perfeito. E ela não é a única. Todo ano, no Brasil, várias mulheres são mortas ou mutiladas por médicos incompetentes e inconsequentes, que pensam apenas no dinheiro, sem levar a sério a medicina. Eles contam com a inocência das mulheres, e oferecem milagres e facilidades no pagamento das cirurgias, como se vendessem qualquer serviço.
E a televisão tem boa parte da culpa no exagero de operações plásticas no país. A mídia abre espaço para charlatães, também preocupada apenas com o retorno financeiro da propaganda. Num Brasil lotado de mulheres lindas, que saem nuas em revistas e expõem seus corpos em praias e piscinas, fica fácil imaginar a possibilidade de ficar parecidas com elas. São beldades com muitos seios e pouca gordura, que também alimentam a fantasia de que ser perfeito depende apenas de procedimentos cirúrgicos.
Eu estou acima do peso e sei o quanto é difícil voltar à forma antiga. Após a gravidez ganhei uma barriga que incomoda e os seios já não são tão lindos, depois de uma longa amamentação. Mas, não me importo tanto com a estética. Sinto saudades do tempo em que pegava a roupa no armário e vestia, pois tudo me cabia. No entanto, tenho pavor de cirurgia e passo mal só em ver sangue. E isso me segura, para que não seja mais uma vítima da mídia, que vende a idéia de que beleza é acessível a qualquer pessoa. É preciso que se leve a sério não só a Medicina, mas também a Comunicação, que vive da venda de espaços para garantir seus rendimentos. A TV não pode ser um abutre, que se alimenta da carne já putrefada de seus telespectadores. Ela deve, sempre, se aliar à população, para o oferecimento de serviços sérios, não de aproveitadores. 

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