terça-feira, 30 de agosto de 2011

Amigo da PM!!!

Aos cinco anos, amiga da PM
Quando eu era criança, aprendi que a Polícia Militar protegia os cidadãos de bem, e em plena Ditadura, minha escolinha, em Divinópolis, fez para os alunos, a carteirinha Amigos da PM. Muitos anos depois, já sem a inocência da infância, aprendi que policiais também matam contribuindo com a violência que assola o mundo. De família de militares, tenho bons exemplos de profissionais da segurança e posso me orgulhar disso. Não falamos sobre atrocidades cometidas por seus colegas, noticiados pela imprensa, em festinhas e comemorações familiares. De forma geral, toda profissão tem bons e maus profissionais e daí a importância de não se cometer julgamentos antecipados, generalizando toda uma classe de trabalhadores. Cresci acreditando que a polícia - civil, militar e federal - serve para proteger a população e pronto.
Assim como os professores e médicos, os policiais militares também enfrentam jornadas de trabalho estafantes, situações perigosas e salários muito baixos. Mas, isso não significa que a insatisfação deva ser compensada com mal serviço. Essas profissões exigem vocação, e por isso, a permanência no emprego, mesmo em condições tão desfavoráveis. O desrespeito do governo em relação a estes profissionais é um reflexo do que o Brasil é hoje. Passei a infância ouvindo músicas de ufanismo e vendo propagandas de um país maravilhoso, com natureza diversificada e gente alegre.
Hoje, percebo um Brasil machucado por mentira e desrespeito de seus cidadãos e políticos. Não somos maduros para exigirmos respeito. Não queremos seriedade, queremos diversão, fazer piada com tudo. Não sei se tenho saudades da infância ou da inocência, mas quando acreditamos em alguma coisa, a vida fica mais fácil. Uma das desvantagens de se tornar adulto, é que as fantasias deixam de existir para revelar um lado obscuro do ser humano. Vivo num país de desrespeito, onde jogadores de futebol e garotas de programa ganham mais dinheiro do que um doutor, onde hospitais parecem depósitos de seres humanos, onde juízes viram alvos fáceis de bandidos, onde se constroem casas em qualquer barranco e depois cobra-se indenização, quando a primeira chuva leva embora a moradia e sua família. É muita vergonha e nenhuma satisfação. Já tive a fase ufanista, me orgulhava de cantar o Hino Nacional na escola, de me gabar de morar num país em que não há terremotos ou guerras. O Brasil não é nada disto, é decepção.

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