domingo, 3 de abril de 2011

Diploma prá quê?





Entrei para a faculdade pela primeira vez em 1996, depois de esgotadas todas as chances de me tornar uma atriz profissional. Cursei História e Geografia por um ano e meio e depois mudei para Jornalismo, sendo a única da minha sala a conseguir este intento, o que gerou ciúmes de uma colega de sala. Fiz a melhor opção da minha vida, e fui muito elogiada pelos professores, que torciam pelo meu sucesso na área escolhida.
No entanto, um bom emprego de jornalista não se garante apenas pela competência. Nos dias de hoje, saber escrever e noticiar um fato ocorrido, torna-se pequeno para as empresas de comunicação que desejam, não um profissional da comunicação, mas uma pessoa poliglota, jovem, bonita, viajada. O resultado, acredito, estão nas notícias padronizadas, falas carregadas e cheias de vício. Até a aparência dos repórteres e apresentadores se tornaram padronizadas, deixando para trás o diferencial de cada personalidade.
De vez em quando visito alguns blogs e twitters de jornalistas e fico decepcionada pela linguagem pobre de alguns, pela falta de amor às palavras.  Não há prazer no que se escreve, apenas relatos com português falho, do que se fez ou fará no dia, como um diário em frases. Não vejo sentido em tanto conhecimento acadêmico, exigido pelas empresas, se não há utilidade para tanto. As faculdades lançam no mercado, todo ano, mais de 200 jornalistas que não terão trabalho após a formatura. Outros, já os têm garantido antes mesmo de nascerem. Sendo assim, para quê serve o diploma? O meu está guardado na gaveta há cinco anos. A dificuldade em me formar foi tamanha que o considero um documento valioso. Assim como eu, muitos colegas estão trabalhando em outra área.
Eu nunca achei que fosse fácil ser jornalista. Sabia também das indicações que garantem um emprego a nas melhores empresas de comunicação. Nem por isso eu desisti. Certamente, o meu proveito na faculdade é muito maior do que um diploma. Aprendi a escrever, a apresentar telejornais, a ser repórter. Fui uma aluna exemplar e fico orgulhosa disso. O que aprendi não foi em vão. Serve até hoje para a minha vida e isso ninguém tira de mim. Assim como desejei ser uma atriz de cinema famosa, também pensei em ser uma jornalista premiada, mas isso, admito, não é para qualquer um.


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