quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A internet e a interpretação!!!

O Brasil tem 16 milhões de analfabetos. São pessoas que vivem na escuridão do conhecimento, transmitido através dos livros e da escola. Muitos não tiveram a oportunidade de estudar, ou abandonaram os estudos por desmotivação, trabalho, medo de agressões de colegas, abusos sexuais. Mas, o que mais me assusta não são estas dificuldades físicas, econômicas ou emocionais, mas aquelas causadas pela ignorância de não se abrir às novas ideias, aos saberes do outro, como se o cérebro fosse cristalizado. E então, arraigados de preconceitos e moralismos, se fazem julgamentos, acusações, agressões verbais aos pensamentos discordantes. Essa ignorância é perceptível, quando são noticiadas na mídia, agressões a minorias, como prostitutas, homossexuais e religiosos, ou nas redes sociais, com comentários maldosos e agressivos.
Confesso que sou uma analfabeta virtual e conto com a ajuda de algumas pessoas para instalar programas em meu celular ou no computador e não fico ansiosa com as novidades em tecnologia que aparecem no mercado. Somente agora, depois de muitos anos, troquei o meu telefone por um mais moderno e até agora só utilizo as mensagens. E, há alguns anos me empolguei pela internet e pelo Facebook, até deixar de compartilhar alguns comentários por ser mal compreendida. O primeiro deles foi quando deixei um recado carinhoso para um sobrinho, adolescente, e os amigos dele não entenderam, causando-lhe desconforto. Para não constrangê-lo novamente, preferi tirá-lo da minha lista de amizades virtuais. 
Mas, se a internet preocupa, é principalmente pela falta de cuidado com o português, castigado diariamente pelos usuários das redes sociais. Meus sobrinhos reclamam que escrevo muito "certinho" e que isso não está de acordo com os códigos virtuais. Porém, não consigo abreviar tantas palavras, e o vício do erro e da abreviação, acabam sendo levados para os textos. A internet não é um problema, desde que ela não seja a única forma de escrita. E ela não é a única culpada pela interpretação errada de textos ou comentários. O vilão desta história, na verdade, é a falta de leitura. E isso, convenhamos, tem de sobra no campo virtual. 
Hoje as crianças aprendem a ler aos três anos de idade em algumas escolas particulares, e aos seis em escolas públicas, mas na maioria das vezes, saem analfabetos, no sentido figurado. Diferentemente de milhões de jovens que não têm condições de estudar, estes estudantes saem das salas de aula aprendendo a ler e a escrever, mas não sabem interpretar textos porque não foram incentivados a gostar de ler. Eles fazem parte da estatística de alfabetizados, mas a meu ver, continuam analfabetos, pois a leitura não é só uma obrigação ou prazer. Ela esconde toda uma gama de características, que transformam o pensamento humano, e assim, permitem que as mudanças aconteçam, através da criticidade do leitor. 
Saber ler e escrever não é o bastante para se tornar um cidadão. É preciso utilizar estas ferramentas, lutando para melhorias na sociedade em que se está inserido. E a leitura por si só, não faz a diferença na vida das pessoas. Os livros levam o conhecimento, mas são apenas instrumentos. A mudança verdadeira vem da alma. E, continuar com pensamentos arraigados, sem interpretação e respeito pela opinião dos outros, só permite que a ignorância escureça o olhar! Se a internet oferece muitas possibilidades, está passando da hora de buscarmos novos conhecimentos através dela. Simples assim, mas que dá um resultado surpreendente!


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