segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Maternidade não combina com vaidade

Não sou o tipo de mulher muito vaidosa, mas gosto de me cuidar, e imaginei que com a gravidez, eu estaria linda durante os nove meses de gestação. No entanto, passando muito mal, eu não conseguia sequer usar sabonete para o banho, tendo que substitui-lo por xampu. Outros odores, como perfume e pasta de dentes, também me incomodavam. Enquanto não havia engordado demais, eu cheguei a usar vestidos e camisetas, mas a partir do quinto mês, nada mais entrava no corpo, a não não ser peças largas. Enjoei ainda de tecidos brancos, vermelhos, e estampados, ou seja, sobraram poucas opções no guarda-roupa. 
Do quinto ao nono mês de gestação, eu engordei trinta quilos, e a situação foi ficando ruim ainda para me sentar, dormir e calçar sapatos. Passei a usar, então, uma sandália com ajuste, destas que as idosas utilizam no dia-a-dia. Eu não me adaptei àquela obesidade, mas por uma boa causa, eu não me importava, acreditando que assim que meu filho nascesse, em pouco tempo eu voltaria à forma esbelta de antes. Porém, cinco anos depois, somente 20 quilos foram eliminados no meu corpo. O restante que sobra, dez quilos, insistem em não sair dos meus braços, quadris e cintura, impedindo que eu retome a vaidade de antes. 
Neste período de gravidez, em que a mulher muda tanto - principalmente o corpo - o homem deve ser muito sensível para aceitá-la sem críticas. Meu marido achava linda a minha barriga, e brincava com minhas curvas que já não eram as mesmas de quando me conheceu, mas reclamava do meu ronco e do meu nariz, que engrossava a cada mês. No entanto, eu me sentia segura, pois era um sonho que se realizava, e para isso eu estava disposta a tudo, até mesmo engordar bastante. 
E, foi no dia do nascimento do meu filho, que a vaidade desapareceu por completo. Enfiada numa roupa de hospital, com touca na cabeça, sentada relaxadamente, eu aguardava o momento de ser chamada para a cirurgia, quando o Humberto me fotografou. Pela primeira vez, eu não me importava em fazer pose. Eu queria apenas registrar aquele momento de extrema felicidade. E, assim me mantenho até hoje. Gosto de me arrumar, continuo a ser apaixonada por unhas pintadas e boca vermelha. Mas, meu tempo se tornou curto demais para preocupar com a aparência. Não que eu tenha deixado de ser mulher. Apenas adiei a vaidade. Tudo ficou para depois: a dança, a ginástica, o cabeleireiro. Faço o que der. Se meu marido já não me olha como antes, quem está perdendo não sou eu, é ele. Hoje me sinto ainda mais segura do que nunca. Não pela aparência, mas pelo meu estado de espírito, pela maturidade que ganhei. Maturidade que vem apenas com a vivência, com o tempo. Tempo de ser mãe, de ser mulher por inteiro! O que é uma cintura fina diante da maternidade? Para mim, nada é igual ao fato de ter um filho. Estou feliz assim, sendo o que sou. E já é demais!!!


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Beijos,

Carla Vilaça