terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O poder das palavras!

A comunicação se dá sob várias formas: em braile, expressões faciais, gestos, palavras, escrita. Mas, é no papel que a fala permanece para a vida toda. Por causa disso, muitas pessoas não gostam de escrever, com medo de críticas ou de serem mal-compreendidas. Esse medo pode ser observado no filme "O Carteiro e o Poeta", em que os moradores de uma pequena  cidade, a maioria analfabetos, se emocionam e se assustam com o que pode estar escrito em cartas e bilhetes.
Certa vez, na casa de um ex-namorado, vi um recado da mãe dele, na geladeira e achei interessante o modo como ela me via através daquele pedaço de papel, escrito a lápis: "Quando for para a casa da Carla, não se esqueça de levar os pães que fiz". Havíamos pouco tempo de relacionamento e o recado me colocava na vida daquele rapaz, e demonstrava que fui bem aceita naquela família. As cartas dele, bem como de outras pessoas importantes na minha vida, vão sendo acopladas numa sacola plástica, sem que eu tenha coragem de me desfazer-me delas.
Estas cartas, bilhetes, recados, me fazem voltar ao passado em questão de minutos. A poeira não me faz bem, mas o conteúdo, amansa a minha alma, quando quero um conforto de ter feito a diferença na vida de alguém. São cartas de amor, de amizade, carinho de parentes, alunos, que me vêem de um jeito que jamais consigo enxergar em mim mesma. Mas, aqui em casa não sou a única a guardar esta papelada. Meu marido se incomoda com as cartas antigas, mas guarda algumas, que descobri por acaso. As cartas de amor, trocadas entre ele e uma moça que conheceu antes de mim, me permitem conhecer meu marido de um jeito que eu não gostaria: apaixonado por outra pessoa, e mais: ser correspondido. Ciumenta, fui obrigada a entender que elas fazem parte de um passado que foi importante para os dois. 
Quando não havia celular cheguei a namorar por correspondência, um rapaz de Divinópolis, que havia conhecido num ônibus para a cidade, juntamente com minhas amigas e os amigos dele. Ã relação não foi séria, mas o reencontro meses depois, foi emocionante. Quase não me lembrava do rosto dele, e nem ele do meu. Este namoro durou uns sete anos, e terminou sem aviso. Uns dois anos depois, nos reencontramos, mas já sem tanta emoção. Nunca mais vi o Robson, mas suas cartas ainda estão comigo. Não sei se desfez das que lhe mandei, mas elas mostram uma época boa em que a tecnologia não ajudava em nada os enamorados. Lê-las novamente me causam estranheza e vergonha, me sinto ridícula, como bem sabe o poeta Fernando Pessoa.
Com desejo de demonstrar toda a emoção e amor, nos esquecemos que as palavras ficam, mesmo que os sentimentos se transformem ou se acabem. Por isso, o que importa não é o que se foi. É o que ficou registrado. Não apenas em cartas, mas no coração. Tem coisa mais ridícula? Não tem. Que bom que é assim.
 
 

 

2 comentários:

  1. Incrível como somos parecidas. Eu me vi neste post em relação às cartas, ao namoro por correspondências. Tenho um amigo que ganhei desde 1977. Escrevemos um para o outro durante anos. Tenho todos os registros. Isso ocupou um total de 22 anos, com interrupções, é claro! Hoje eu o vejo no meu Facebook, porém nunca chegamos a nos encontrar pessoalmente. Eu não leio as cartas, mas na época elas me fizeram muito bem. Ele hoje é casado pela segunda vez e não tenho o menor interesse em vê-lo. Sei lá, passou. Grande beijo

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    1. que legal, Tânia. escrever é muito bom, não é? E antes da internet só contávamos com as cartas e era muito romântico. que legal que escrevia para seu amigo, e ainda mais que o encontrou no face. ainda não encontrei algumas pessoas, mas vou procura-las.; é chique demais. obrigada pelas lindas palavras. ah, seu blog tá demais. grande beijo, feliz Natal para você e sua família. carla vilaça

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