segunda-feira, 8 de junho de 2015

O perigo da mala sem nada!

Eu sou professora, e por isso carrego muitos papéis, além de materiais escolares, como colas e tesoura. Para facilitar o meu trabalho, comprei uma pasta preta, mas acabei passando apuros por causa dela. Antes de pegar a estrada para trabalhar, parei num posto para abastecer meu carro, e a bolsa, preta, estava em cima do banco dianteiro. Ao meu lado, estava uma brasília velha, de cor laranja, com dois ocupantes. Não desconfiei daquele casal, e segui meu caminho. No meio da BR, parei num acostamento para atender ao celular, e vonversava distraidamente, quando, sem querer, olhei o retrovisor. Sem perceber que eu estava sendo seguida, joguei o telefone no banco, e saí, atravessando a estrada, na frente dos carros, em alta velocidade. Os ocupantes, que já estavam descendo do veículo, retornaram ao carro e foram atrás de mim. Não dei seta para retornar à Neves, e eles seguiram viagem.
Ao chegar em casa, liguei para a polícia e fui certificada de que eu agira corretamente. Segundo os policiais, provavelmente o casal imaginou que minha mala havia dinheiro e iriam me tomar de assalto. A primeira coisa que fiz, assim que desliguei o telefone, foi tirar todos os materiais da bolsa e transferir para outra, mais simples. Nova ainda, aquela mala foi doada e eu não quis saber para quem. A meu ver, ela representava perigo. Fiquei naquela escola por mais dois anos, e passei a tomar mais cuidado. Naquele dia fatídico, o anjo da guarda me protegeu. Meu filho estava com dois anos e tive muito medo de que ele ficasse sem mãe por causa de uma bolsa que parecia lotada de dinheiro.
Ser assaltado é muito desagradável, e por mais cuidadosa que eu seja, cometo deslizes como todo mundo. Há alguns anos, ao chegar em casa de carro com minha irmã mais velha e a minha sobrinha, fomos cercadas por três rapazes de ótima aparência. Eles queriam apenas o carro e o levaram. Muito calma, minha irmã deu a chave e só me disse que era assalto quando já estávamos na garagem e nos agaixando a pedido dela. Ao saber do ocorrido, comecei a gritar, apavorada, e minha sobrinha começou a passar mal. Dentro de casa, minha irmã chorou, pensando que os ladrões haviam levado seus pertences. Porém, sem saber que era assalto, eu pedi ao "moço", que me deixasse tirar nossas bolsas e sacolas, e ele sequer notou a minha atitude. Tive tempo ainda de agradecer pela "gentileza", e ainda travei a porta. O carro da minha irmã, que hoje é meu, só foi achado no mês seguinte, abandonado, num bairro de classe média, em Belo Horizonte. Segundo a polícia, os rapazes eram ricos e assaltaram várias vezes naquela noite, para se divertirem.
A polícia pede que a vítima seja calma em situações de violência, como assaltos, mas é difícil, pois o coração acelera e não é possível antecipar a reação que teremos diante de pessoas perigosas, que nos ameaçam e agridem. Não reagir é a maior sabedoria, mas isso é para pessoas calmas. Agitadas e nervosas como eu, saem gritando, chorando, esgoelando. Não que eu dê valor a objetos mais do que a vida, mas é irritante saber que o que conseguimos com o trabalho, nos é tirado de uma hora para outra, porque bandidos acham que merecem mais do que todo mundo. Não adiante fazer um discurso político exigindo mais segurança nas ruas, ou culpando a situação econômica, justificando a ação do sujeito que assalta, trafica ou mata. O Brasil é um país fraco por causa de brechas em suas leis, que facilitam a bandidagem, de toda espécie. Nós, cidadãos do bem, que pagamos impostos caríssimos, não exigimos um serviço bem prestado pelo governo, que deveria oferecer, no mínimo, segurança. Nossos protestos não são levados a sério porque acostumamos a nos confortar com "presentinhos", como bolsa escola, bolsa verde, bolsa maternidade. Exigir é nossa obrigação. Somos vítimas de todo mundo: dos bandidos, dos corruptos, de nós mesmos, que aceitamos migalhas. Devemos crescer e exigir que o governo trabalhe para nós, oferecendo segurança, educação e saúde, além de saneamento básico. E queremos um serviço bem feito. Nada de gambiarras, por favor!!!

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Beijos,

Carla Vilaça