sábado, 6 de junho de 2015

Exigimos Justiça, mas não queremos testemunhar!

O Brasil tem um dos melhores códigos de Justiça do mundo, mas não o aplica com os criminosos, como deveria. A maioria dos juízes e jurados se comportam como pais e mães permissivos, que vivem dando chances aos filhos malcriados e trangressores. Habeas Corpus são liberados em 24 horas, a pedido de advogados, alguns também inescrupulosos, para salvar seus clientes de cadeias imundas, lotadas de bandidos. A justificativa para antecedentes criminais também serve para livrar da prisão, os mais terríveis assassinos. Desesperados, com sentimento de abandono e traição, constantemente sabemos, pela mídia, de casos de justiceiros contratados por familiares vitimados por bandidos. Para receber pelo serviço sujo, não cobram caro, porque se encontram numa situação em que a vida e a morte são praticamente a mesma coisa.
Não sou a favor da pena de morte porque não gosto da ideia de um ser humano tirar a vida de outra pessoa. Fico enojada de pensar nos corpos saindo da prisão, queimados pela cadeira elétrica, ou endurecidos pela injeção letal. Mas, confesso que há casos em que não há solução, como a pedofilia, a tara sexual e os matadores em série. A mente dessas pessoas não libera outro tipo de pensamento, a não ser satisfazer suas vontades, que são justamente os crimes citados acima. Essa compulsão não tem cura, e mesmo na cadeia essas pessoas sonham com as vítimas em potencial e sentem prazer pelos atos imaginários. É isso que os fazem viver, ou seja, acabando com a vida alheia.
A primeira vez que vi uma cadeia fiquei apavorada. Através de uma janelinha, observei homens pendurados nas grades, com braços e pernas para fora, tentando conseguir um pouco de ar, sentindo um gostinho pela liberdade, mesmo que mínima. Eu era proprietária de uma loja, e fui cobrar de um delegado, o valor de uma compra que a irmã dele fez e não pagou. Para matar a minha curiosidade, ele me levou para "conhecer" aquele espaço horrível. A cena, chocante, nunca mais saiu da minha cabeça, e serviu para que eu nunca desejasse estar daquele lado, e contribuiu para que siga por um caminho sem contravenções ou malandragens.
Esse sistema, de ver os encarcerados, é comum em alguns Estados americanos. Crianças e adolescentes infratores são convidados a visitar as prisões, para aprenderem a se comportar de modo correto na sociedade. Há, ainda, palestras proferidas por alguns bandidos, para esclarecer e exemplificar que a vida bandida tem um preço muito alto e que ela não vale a pena. Chocados, enquanto ouvem assobios, palavrões e "cantadas" de presos pedófilos, esses meninos costumam se comportar melhor e alguns chegam a voltar para casa e a não cometer mais furtos ou outros crimes menores.
Se no Brasil há perdão demais para os contraventores, em outros países, como a china, não há conversa. Numa condenação, vale a palavra do juiz e não se volta atrás na decisão. Corrupção, delação, tráfico de drogas, são crimes hediondos, pagos com tortura, violência e humilhação por um governo desrespeitoso com o ser humano. Não estou aqui defendendo bandido, mas toda e qualquer vida tem o seu valor e merece respeito. Obrigar o pagamento de crimes cometidos é o objetivo da Justiça. Por outro lado, fazer o ser humano passar por privações, maldades e atrocidades, é indigno. E, acaba sendo outro tipo de contravenção: a dos policiais que, adoecidos pelo poder de mandonismo, sentem prazer em torturar, humilhar ou matar pessoas indefesas. Justiça é muito mais do que isso. Ela deveria servir para coibir os atos insanos de pessoas que cometem crimes, e não dar brechas para que eles sejam cometidos. Os policiais e carcereiros que atuam como marginais, também deveriam pagar atrás das grades, e não serem beneficiados com a cegueira do governo ou da Justiça.
No Brasil, o tempo de condenação deveria, teoricamente, corresponder ao tipo de crime cometido. E é esta questão que mais indigna a população. Se um assassino, por exemplo, pega mais de cem anos de prisão, acaba diminundo muito este tempo, seja por bom comportamento, por não ter antecedentes criminais, entre outras questões. Ora, qualquer pessoa pode matar, pode roubar, e ninguém precisa ter matado ou roubado a primeira vez para cometer a segunda. É preciso que o País amadureça e pare de proteger seus filhos infratores. A impunidade, ou a punição muito branda, abre espaço para a malandragem, a safadeza, a ladroagem, a criminalidade. É certo que a prisão não é uma escola, mas ela existe com o propósito de proteger o cidadão de bem, e de punir os transgressores.
Mas, se reclamamos da Justiça brasileira, nós não fazemos a nossa parte. Temos medo de processos judiciários, e evitamos a todo custo denunciar os contraventores, e principalmente sermos testemunhas. É muito comum alguém presenciar um fato danoso e se recusar a prestar esclarecimentos diante de um juiz. Ser testemunha é contar o que viu, mas há um medo internalizado no brasileiro, e isso fragiliza o poder judiciário. Sem provas testemunhais, o bandido se aproveita para cometer novos crimes. Devemos, cada um de nós, brasileiros, ávidos por justiça, lutar para que ela seja exercida. E só fazemos isso denunciando, testemunhando os fatos que vimos e não gostamos. Reclamar é muito fácil. Fazer piadas com a realidade também é facílimo. O difícil é agir como adultos. Assim como o poder judiciário precisa deixar de ser uma mãezona, precisamos crescer, deixar de sermos crianças e aprender a não apenas cobrar, mas atuar, como seres pensantes, exigentes e conscientes de seus atos e pensamentos. Testemunhas não dói nada. E faz muita diferença!

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