sábado, 5 de abril de 2014

Discriminação no meio da bicharada!

Cresci aprendendo a respeitar os animais, mas jamais, a trazê-los para dentro de casa. Sem contar que a alergia me impede a aproximação de cachorros, gatos e passarinhos. Talvez por isso, eu tenha dificuldades em entender o exagero de certas pessoas em relação aos bichos de estimação, como vesti-los e calçá-los, promover casamentos e festas de aniversários com direitos a cenários e bolos. Eu entenderia melhor esta humanização dos animais, se todos fossem respeitados da mesma forma, mas o que percebo é uma discriminação contra a bicharada. Ora, quem gosta de animais gosta de todos, sem distinção, desde cães a baratas, vermes, elefantes e galinhas. Porque o respeito é maior com os animais de estimação? Coitado dos selvagens. Dificilmente vejo alguém pedindo para salvar uma serpente que engasgou com um jacaré, ou ajudar um leão com sua cria. Principalmente, não conheço ninguém que tenha uma cobra de estimação, que a leve para dar um passeio ou que a deixe dormir numa cama quentinha.
Antes de alguns animais serem domesticados, há milhares de anos, todos viviam ao relento, se virando como podiam na natureza. Os cães não usavam sapatinhos e o calor não feria suas patinhas. Os gatos comiam ratos, e não leite integral. Já os passarinhos viviam leves e soltos, para cantar a vontade. Nesta mudança de ambiente, nem todos tiveram a mesma sorte. Enquanto os gatos e cachorros ganharam lojas especializadas, um cantinho na casa com direito a colchão e comida. as aves ficaram trancafiadas em gaiolas ou galinheiros. Uns para divertirem os donos com seu canto, outros para lhes servirem de alimento. Mas, sou contra a discriminação e luto pelos direitos da bicharada. Os animais precisam com urgência de uma Constituição que lhes garanta os mesmos benefícios de forma igual e não essa diferença de tratamento.
E, se não são respeitados em sua igualdade, os bichos também sofrem com a denominação de pessoas e comportamentos, atribuídos aos seres humanos, conforme suas características. Se uma pessoa é mal-educada, é chamada de cavalo. Se é traiçoeira, trata-se de uma raposa. Se dorme muito, é bicho-preguiça. Chamamos uma criança bagunceira de macaquinho, e de serpente, uma pessoa sem escrúpulos. E o pior: denominamos de galinha uma mulher com vários parceiros sexuais, e de piranha, prostitutas, que também já foram mariposas, lá nos anos 40, relembradas na música de Adoniram Barbosa. Mas, neste caso, o que as galinhas e as piranhas têm a ver com o sexo sem medidas? Ainda não encontrei ligação entre os apelidos e as características... sei apenas que a galinha sofre, muitas vezes, nas mãos do galo, e que a piranha come gente. Mas, em relação ao sexo exagerado desse bichos,  não tenho conhecimento.
E o que mais me diverte em relação à bicharada são os discursos de gente famosa, a respeito dos animais. A cantora Rita Lee, por exemplo, disse numa entrevista, que não come cadáver e essa é sua contribuição à natureza. Já a modelo Gisele Bunchen, ao desfilar com peles de animais, respondeu que apenas se veste com elas, mas não come os bichos, ao contrário de muita gente, que mata porcos e galinhas para se alimentar. Enquanto isso, a atriz Bruna Lombardi, apaixonada por animais, diz que não come carne vermelha, apenas branca. Mas, os dois animais têm sangue nas veias e garanto que nenhum deles gostaria de morrer para servirem de alimento aos humanos. Os fanáticos diriam que esses discursos não passam de racismo!
Quando eu tinha uns doze anos, minha avó matou uma galinha e a danada custou a morrer, saltando da água quente, com o pescoço pendurado, já depenada. Morri de susto ao ver aquela ave na cozinha, sujando o chão. Pior foi ver a ave na panela, rodeada de batata cozida. Que pecado. Que nojo! Por causa do incidente, durante muitos anos me recusei a comer galinha. Mas, não aguentei por muito tempo e não resisto a um frango frito! E o que dizer então de um porquinho assado? Se tiver um céu para os animais, como eu pensava na infância, terei que pagar muitos pecados por me alimentar da carne alheia. E o que dizer da minha mãe, que quando criança, tinha um porco de estimação, com quem dividia as almofadas da sala após o almoço? Companheiro de todas as horas, o porco jamais pode servir de alimento à família e assim reinou absoluto pela casa, até morrer naturalmente, de velhice. Isso é que é respeito por um ser de carne e ossos (e que carne... gostosa de todo jeito: assada, frita, tostada, recheada, etc, etc, etc!).
E há alguns dias, minha vizinha do andar de baixo deixou os dois cachorros do lado de fora do apartamento, enquanto falava ao telefone. A ideia de abafar os latidos me impedia de descer as escadas, já que eles rosnavam quando eu tentava avançar os degraus. Comecei a gritar e a dona dos cachorros não gostou, me repreendendo com um olhar. Acabei me desculpando pelo meu medo. Fiquei sem saber se teria que me desculpar também com os animais. Acho que eles estavam estressados, loucos para dar um passeio. Eu, ao contrário, precisava trabalhar. Afinal, sou um ser humano que paga contas, que não tem tempo de se exercitar, de dar um rolé pelo bairro. Nestes casos não se pode dizer que têm uma vida de cão. A cachorrada sabe é viver! E que vidão!!!



 
 

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