terça-feira, 25 de setembro de 2012

Brega com orgulho!!!


Desde criança ouço músicas bregas e adoro! Jerry Adriani, Roberto Carlos, Nélson Ned, Carmem Silva, Diana, entre outros, fazem parte do repertório quando estou em casa, ocupada com os afazeres domésticos, ou no carro a caminho do trabalho. Estas canções, de letras simples, tocam fundo no coração de quem está apaixonado e ficam gravadas na memória com facilidade. Na minha infância, elas eram tocadas na rádio Atalaia, aqui em BH, e nos aparelhos na casa dos meus avôs, no interior de Minas. Meus dias de menina tinham, então, sempre um fundo musical.
A música, além de embalar paixões, acalanta o bebê, salva doentes acamados (num mistério que intriga cientistas e médicos), e distrai, além de influenciar o nosso comportamento. Lembro-me da importância da canção do Lulu Santos, "Quando um Certo Alguém" na vida de uma amiga, em dúvida se se entregava ou não a um namorado. Ela seguiu o conselho do cantor e compositor e não guardou a virgindade para um futuro marido, mas sim ao amor do momento, com quem jamais se casaria.
Numa época em que não se falava abertamente sobre sexo, como há 50 anos, fico imaginando o que canções, como "A Camisola do Dia", cantada por Nélson Gonçalves, despertava nas mulheres, curiosas sobre a noite de núpcias. Duas décadas depois, em "Rotina", Roberto Carlos fala da saudade da esposa, que fica em casa, aguardando seu retorno do trabalho, ansiosa por beijos e abraços - e algo mais. Em detalhes, ele faz um retrato da mulher submissa, que se preocupava apenas em deixar o marido cada vez mais louco por ela.
Saindo da adolescência, Raul Seixas me ajudou a questionar Deus, o homem, a sociedade. Suas letras permitiam ainda que eu não me sentisse só, num mundo tão cheio de novidades para quem chegou nele há pouco tempo. São perguntas filosóficas que só com a maturidade deixamos de fazê-las. Não porque entendemos mais sobre a vida, mas porque o cotidiano pouco espaço dá a pensamentos e ilusões. E a música acaba se perdendo no meio do caminho para os adultos ocupados. Canções que ouvíamos com tanto louvor, hoje perdem o sentido diante da realidade fria do dia-a-dia.
Para serem agradáveis, as músicas devem, ao menos, despertar sentimentos, pela letra ou pelo som. Acho que por isso gosto tanto das canções antigas. Elas me remetem a um passado tão divertido, em que o tempo era um aliado, não um inimigo. Cantoras atuais, como Lady Gaga, Adele, Ryana, nada me dizem. Ouço delas, gritos, susurros, uma barulheira que incomoda a quem dirige ou namora. Prefiro o tempo do meu avô, em que as canções juntavam pessoas, ao obrigar uma dança de rosto colado e palavras doces nos ouvidos. Hoje, parece que a distância é a palavra de ordem. Como dizem os mais velhos, amparados pela música de Ataulfo Alves, "Meus Tempos de Criança": eu era feliz e não sabia...  

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