domingo, 5 de agosto de 2012

Professores vítimas do não dos pais!!!

Depois de alguns dias de licença, voltei ao trabalho e o porteiro me alertou a respeito de uma mãe que queria "acertar contas" comigo sobre um problema antigo com a filha dela. Relembrei que há três anos a garota fingiu ser roubada pelos colegas e queria que eu revistasse a mochila deles. Me neguei, passei o problema para a direção da escola, e voltei a dar aulas, tranquilamente. No dia seguinte, a mãe da criança veio tirar satisfações comigo. Ela cospia, vociferava, xingava tanto, que entrei com as crianças para a sala e não me importei mais com este assunto. Eu estava grávida e evitava qualquer confusão. A menina acabou sendo transferida de sala, e para mim, tudo estava encerrado.
Mudei de escola, onde outro filho desta mulher (ela tem cinco, ao todo) estuda, e ao me ver, num sábado letivo, ela passou a me ameaçar no portão. Ao saber do problema, tratei de resolvê-lo imediatamente. Liguei para a polícia, entramos em contato com a mãe da menina, que diante do sargento, alegou mal-entendido. No dia seguinte, desobedeci a recomendação da diretora: cheguei com os vidros do carro aberto e o som ligado em alto volume. Não sou bandida. Acerto de contas é comum entre traficantes e viciados, e eu sou professora. Não aceito ameaças ou "mal-entendidos".
Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Há dois anos, outra mãe tentou me matar, alegando que obriguei o filho dela a almoçar. Me disse coisas absurdas, diante de todos, inclusive da diretora, que nada fez. Registrei o ocorrido numa delegacia e saí desta escola. Eu poderia ter ficado, resolvido tudo na conversa, já que o filho dela mentiu porque não queria subir para a sala, mas preferi tomar outra atitude. Ficar dando satisfação por uma coisa que não se fez, é ignorar a própria inteligência e caráter.
Sei que não vou mudar o mundo, mas na minha sala de aula, quem manda sou eu.
Há vários estudos a respeito da violência nas escolas, mas nenhuma conclusão sobre isto. Entre as razões para as agressões, estão a falta de autoridade dos diretores, a entrada da psicologia na sala de aula, e a impunidade em relação ao menor que agride. Particularmente, acredito que os filhos são um reflexo dos pais, e tendem a copiar o comportamento deles, onde quer que estejam. Daí a dificuldade de respeitar as regras, de aceitar um não como resposta. E, quando são contrariados, usam a violência para conseguirem o que desejam.
Se os pais acreditam que defendem seus filhos com violência, não estão passando uma mensagem de proteção. Para as crianças e jovens, a leitura soa assim: "Filho, você está sempre certo. E eu o defenderei, independentemente do que faça, ou que caminho escolha na vida". Ser pai e mãe é corrigir os erros dos filhos, e não o contrário. Os mesmos pais que "protegem" demais, são os mesmos que choram pela perda dos rebentos, em crimes cruéis, ou se tornam a própria vítima deles, em roubos e assassinatos por drogas e entorpecentes. Os alunos de hoje são os frutos de uma geração em que a negativa de uma resposta vinha sempre depositada de desculpa dos pais. Não é preciso voltar ao tempo da palmatória, mas um castigo de alguns minutos não mata ninguém. E pode salvar uma vida:. a do próprio filho, e a da professora dele.

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