sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um amor jamais vivido!



Eu tinha 15 anos quando o conheci, numa escola particular, sendo ele professor e eu, uma aluna amedrontada pela experiência de estudar à noite pela primeira vez. Tudo me assustava: o horário, os novos colegas e a volta para casa, sozinha, sem a presença dos meus pais. Foi um choque, agravado pela minha timidez de adolescente que se assusta com pessoas que não fazem parte do seu grupo. Pensei em desistir, principalmente porque no dia da matrícula, houve um suicídio de um homem no prédio, presenciado pelos alunos. Usei a desculpa do incidente para tentar convencer a minha mãe em não me deixar ali mas, para ela escola é um bem precioso e naquele momento não tinha como voltar atrás.
Desanimada, tentei fazer amizades, e fui acolhida por um garoto que depois se tornou um grande amigo e confidente, até sua morte trágica alguns anos depois (ele foi importantíssimo nesta história de amor). Uma colega, vestida de forma sensual, me avisara de que rapidamente eu me acostumaria à rotina daquele colégio. Outra me confidenciou que a grande paixão das garotas era um professor de Biologia, que daria aulas no próximo horário. Muito calada (sim, já fui de pouquíssimas palavras!) eu tentava passar a imagem de mulher séria (aos 15 anos!), numa tentativa de demonstrar aos desavisados de que nada me amedrontava.
Eu ainda estava apaixonada por um ex-namorado (cujo nome é o mesmo do professor) e pretendia cumprir a promessa de não me enlouquecer mais por rapazes que destroem os corações femininos, quando aquele homem entrou na sala, desmoronando todas as minhas promessas. Fazendo brincadeiras, com cara de quem sabe enlouquecer uma mulher, ele percebeu que eu era novata e me perguntava, a cada explicação, se havia dúvidas da matéria. Me senti importante porque toda atenção era dirigida à mim e não às outras estudantes, que haviam me advertido de seu charme e da paixão delas por ele.
Acostumada a ver a vida em revistas femininas, comecei a perceber que elas nada sabiam sobre paixão e homens. Inexperiente no jogo do amor, eu usava meus poderes de menina, que acha que é mulher, para conseguir os garotos em festinhas, mas aquele homem, adulto, me tirava do sério. Ele nada tinha a ver com os meninos da minha idade e rapidamente eu já estava de quatro (sem trocadilhos!) por aquele professor. Para instigá-lo, eu fingia não entender suas explicações, só para conseguir sua atenção ao final da aula. E, de vez em quando, me satisfazia com suas brincadeiras sedutoras de que se casaria comigo. Menina-moça, eu acreditava e sonhava com o dia em que teríamos uma longa lua-de-mel.
No final daquele ano, saí do colégio com a sensação de que deixara ali um grande amor não correspondido, e toda a minha chance de viver um conto-de-fadas. Sabendo da minha paixão, meu colega – do início deste texto – conseguiu o nosso encontro numa festa entre amigos e novamente minha timidez veio com toda força e eu quis ir embora, mas o local era longe e não havia transporte. Tive que esperar até a manhã seguinte, profundamente arrependida de estar ali, no meio de tanta gente estranha. Mas, durante a madrugada o professor me beijou e passamos juntos a noite (só dormindo, porque naquela época, ficar com alguém era sinônimo apenas de beijos, por mais calientes que fossem).
A estranheza das companhias, do lugar e da situação, se ampliaram quando acordamos. À luz do dia tudo se torna real e é hora de voltar à vida de antes. Após o café da manhã, viemos embora num carro de um dos convidados e permaneci calada (muda!), até que me deixaram num ponto de ônibus. Antes, porém, um selinho dado pelo professor. Nada de troca de telefones, nada de promessas de saídas futuras, nada de nada (onde estava o meu pedido de casamento? Onde foram parar os meus sonhos de me tornar mulher com aquele homem? Cadê a minha lua-de-mel?)! Me senti um lixo e chorei muito no caminho para casa. Quem sabe eu tivesse apenas sonhado? Quem sabe ele não gostou do meu beijo? Talvez eu não merecesse a felicidade, eu pensava, com todo o martírio destinado aos sofredores!
Durante muito tempo eu me culpei por aquela noite. Talvez se eu fosse uma mulher e conhecesse os segredos do sexo, meu professor teria se casado comigo e teríamos sido felizes para sempre. Mas, a vida é cheia de surpresas e nem sempre o que imaginamos é o que acontece. Três anos depois, liguei para a casa do Rogério e a empregada me disse que ele havia se casado. Era inacreditável. Outra mulher (sim, desta vez uma mulher, adulta, provavelmente conhecedora das artimanhas femininas!) havia entrado em sua vida, desmanchando, desta forma, toda a minha ilusão de aluna apaixonada pelo professor. Mais uma vez chorei, desta vez com mais intensidade. Não se quebra uma paixão assim, não se torce um coração daquela maneira. Eu odiei aquele professor, eu detestei aquela intrusa, tomei raiva de tudo. Talvez eu nunca mais encontre aquele homem e talvez ele jamais saiba o sobre a minha paixão. Ele foi um grande amor, jamais esquecido!

Beijos,
Carla Vilaça


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