terça-feira, 28 de junho de 2016

Aquele objeto....

Quando soube que eu ia me separar, minha amiga, vendedora de produtos eróticos, me presenteou com um pênis, acreditando que o "brinquedo" pudesse substituir meu marido em carências futuras. O objeto, enorme, bege, de silicone, veio embrulhado em papel brilhante com um laçarote vermelho, dentro de uma caixa que não fechava direito. Agradeci, fingi entusiasmo e prometi usá-lo, mas na verdade, guardei o danado no fundo de uma gaveta, misturado às minhas calcinhas, para, quem sabe, já que o o futuro a Deus pertence, talvez eu viesse a usá-lo. Porém, meu casamento virou um vai-e-vem e, sexualmente falando, meu marido continuou insubstituível. 
Mesmo não tendo utilidade para mim, o pênis continuou guardado e, de vez em quando, eu via aquela caixa que passou a me incomodar. Comecei a sentir dó do danado, jogado às traças, sem serventia para mim. Mas, todas as minhas promessas íntimas de me desfazer daquele objeto foram por água abaixo. Era como se tivéssemos criado um laço de "amizade" e aquele membro estivesse à minha espera, para uma amizade profunda (ops, sem trocadilhos!). Mas, não rolou e fui me acostumando com a ideia do desapego de um pênis, que era meu por direito, mas que não me apetecia.
O tempo passou (dois anos, para ser exata) e me esqueci daquele objeto sexual - ereto, cor da pele, maleável - na minha gaveta. Até que um dia resolvi fazer outro armário e meu pai veio para me ajudar. Foi então que o inesperado aconteceu: ao retirar as calcinhas da gaveta, o pênis veio desenrolando como garrafa, caindo na cama, ficando com o corpo escondido e a cabeça para fora, no meio das roupas. Como uma cobra embaixo da pedra, era como se ele me olhasse indignado! Envergonhada, eu não sabia o que dizer (o melhor nestas horas é não dizer nada, ou dizer alguma coisa, ou rir, ou se assustar, sei lá...). Meu pai começou a assobiar para disfarçar a sem-graceza enquanto eu fazia cara de nada. Nãooooo...isso não estava acontecendo!!! 
Não falei nada sobre o assunto e no dia seguinte tomei a decisão que deveria ter tomado há muito tempo: peguei a caixa com o pênis e dei de presente ao meu professor de ginástica, que é homossexual e vivia me falando sobre suas peripécias sexuais. Ele adorou, mostrou para seus colegas, fez brincadeiras e sonhou com as inúmeras possibilidades que aquele pênis poderia lhe proporcionar. Nos divertimos muito com aquele objeto e foi o melhor dia de musculação que já tive. Algum tempo depois eu mudei de academia e nunca mais me encontrei com o meu professor. Não sei se ainda ele tem o pênis ou se deixou de usá-lo. Mas, sei que foi um presente certeiro. Nada como a fome e a vontade de comer (novamente o trocadilho!!!). Simplesmente isso. 

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Beijos,

Carla Vilaça