sábado, 15 de dezembro de 2012

Chega de planos mirabolantes!!!

solteira, só pensava em viajar, namorar, curtir a vida. Ouro Preto, MG, 1994.
Quando a atriz Bruna Lombardi terminou o seriado "Grande Sertão: Veredas", em 1986, ela e o diretor Walter Avancini jogaram as botas usadas, pela janela da Kombi (na época o Brasil não tinha vans como hoje), aliviados pelo serviço estafante de vários meses na mata, sem recursos como na cidade grande. A sensação de alívio, contada no livro da artista, nunca saiu de minha mente, e sempre que saio de férias, tento fazer o mesmo. Ontem, último dia de aula, senti um peso saindo das minhas costas, ao recolher trabalhos de alunos e jogar no lixo o que não prestava. Essa limpeza não é só física, mas mental. Por 45 dias me darei ao luxo de não pensar em trabalho e quando essa idéia chegar até meu cérebro, tratarei de me livrar dela. Não que eu deteste dar aulas, mas o trabalho de ensinar esgota o ser humano. São muitos alunos por dia, e ser professor não é somente lecionar matérias, mas transmitir valores a pessoas que, muitas vezes não têm o exemplo da família a seguir.
Como professora, já vi e ouvi muita coisa e isso desgasta uma pessoa. Tento ser carinhosa e sou bem recompensada, não pelo salário, mas pelo amor das crianças. Sem contar, que ver um aluno entrar analfabeto  e sair produzindo textos, é gratificante. Mas, a falta de respeito de alguns pais e da direção da escola com o profissional da educação decepciona e desestimula. Não me decidi se no ano que vem trabalho dois horários, pois chego muito cansada em casa, sem tempo para meu filho e meu marido, ou se deixo tudo para tentar outra profissão. Não consigo viver, apenas trabalhar. Minha casa está lotada de papéis e livros que me causam alergia, e a viagem para Neves diariamente me cansa muito. Talvez eu continue no ritmo de sempre, mas o que desejo mesmo é jogar as botas pela janela do carro e viver outras aventuras profissionais. Se fosse alguns anos atrás, sequer questionava. Apenas fazia. Já fui assim: de impulsos. Mas, hoje, mais madura, o peso das coisas se tornou diferente.
Segundo uma cientista que nos deu um curso sobre o cérebro, em nossa escola, o adolescente  arrisca porque precisa provar, mesmo que erre. Já o adulto pensa e só toma uma atitude, se aquilo representar muito para ele. Antes disso, ele põe no papel o lucro e o prejuízo da mudança. Estou nesta fase. Preciso de algo que me movimente a sair do meu lugar comum, que se tornou rotina. Se meu serviço não está me satisfazendo, se o curso superior que fiz não me levou a lugar algum, se meu casamento está em crise, é sinal de que algo precisa ser feito. E serei eu mesma a tomar decisões, claro.
Com a entrada do ano novo é normal fazermos um balanço da vida e chegarmos à conclusão de que precisamos mudar. Mas, sempre nos esquecemos do simples. Nos prometemos coisas difíceis de realizar, como perder muitos quilos, arranjarmos um príncipe encantado, comprarmos uma casa nova. E assim, nos esquecemos de arrumar os armários, de agendar um horário para namoro, outro para dormir mais, outro para não fazer nada. São atos corriqueiros, que no dia-a-dia, atropelamos e não fazemos. Por falta de tempo, ou por achar que é se dar luxo demais, já que o tempo vale ouro e não podemos perdê-lo com bobagens. Mas, talvez esteja aí o segredo da vida: a simplicidade. Estou precisando disso. Quem sabe no ano que vem... Por enquanto, me livrar das botas pesadas do trabalho foi meu primeiro passo para este final de 2012. Que venham outros 365 dias!!! Sem o peso de um ano que já passou. Feliz 2013 para todos nós!!!!!

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Beijos,

Carla Vilaça