VÍTIMAS E ACUSADAS




Amina Lawal – Dona-de-casa nascida em 1972, na Nigéria, foi condenada à morte por ser mãe solteira e manter relações extraconjugais em 2002, aos 31 anos. Ela já estava separada do marido quando engravidou. Segundo a Justiça local, a prova do crime seria a criança. Foi absolvida em 2003, após campanhas em todo o mundo, e se casou novamente. Para protestar, várias participantes do concurso de beleza Miss Mundo, que seria realizado na Nigéria em 2002, abandonaram a competição, e a apresentadora americana Oprah Winfrey fez um programa especial sobre Amina e pediu que os telespectadores enviassem e-mails ao embaixador nigeriano e ao todo foram enviadas mais de um milhão de mensagens. De acordo com a lei islâmica Sharia, quem comete adultério é condenado à morte por apedrejamento.Foi a asegunda mulher nigeriana a ser condenada à morte por linchamento por ter praticado sexo fora do casamento. A primeira foi Safiya Hussaini. Amina transformou-se no símbolo de luta pelo direito das mulheres.






Anna Lindh - Ministra das Relações Exteriores de Estocolmo, pelo Partido Social Democrata, nascida em 19/06/1957, em Estocolmo, Suécia, foi morta a facadas em 11/09/2003 quando fazia compras no shopping NK, centro da cidade. Tentou fugir subindo uma escada rolante mas foi alcançada. O agressor, que não foi identificado, fugiu. Chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu à hemorragia interna. Era boa negociadora e defendeu em 1998 uma aproximação maior da Suécia com seus vizinhos europeus. Apoiou a campanha americana contra o terrorismo mundial. Era formada pela Universidade de Uppsala. Era casada com o político Bo Holmberg, com quem tinha 2 filhos, Filip e David.






Ângela Diniz – Socialite conhecida como a 'Pantera de Minas' nascida 10/04/1944, em Belo Horizonte, MG, Ângela Maria Fernandes Diniz foi morta com 4 tiros de pistola, em 30/12/1976 pelo amante, Doca Street, por ciúmes. O crime aconteceu na Praia dos Ossos, Búzios (RJ), após duas separações e foi amplamente divulgado pela mídia, na época. Em novembro de 1979 um tribunal de Cabo Frio condenou-a por conduta imoral, o que revoltou as feministas que fizeram protestos por todo o país. O acusado foi condenado a 15 anos de prisão mas vive em Paris como vendedor de carros. Ângela se casou pela primeira vez aos 17 anos com o engenheiro MiltonVillas Boas e se separaram nove anos depois. O casal teve três filhos. Em 1975 ela teve um caso amoroso com o colunista social, Ibrahim Sued, e terminou o romance para viver com Doca (ficaram juntos por apenas 4 meses). O episódio é contado no filme "Mea Culpa", de 2006, e no livro "Submundo da Sociedade", de Adelaide Carraro. Em junho de 1973 assumiu a autoria da morte do caseiro José Avelino para tentar proteger o amante, Tuca Mendes. Em 1975 foi acusada de consumir e guardar drogas, e logo depois, sequestrar sua filha. Morreu com 32 anos. Virou símbolo das mulheres, vítimas de violência doméstica. No dia do julgamento, feministas fizeram protestos exigindo justiça, enquanto o acusado alegava 'legítima defesa da honra', invertendo os fatos, de que a vítima era ele, por ter caído na tentação de uma mulher bonita e sedutora.





Cláudia Lessin Rodrigues – Estudante nascida no Rio de Janeiro (RJ), filha de um piloto aposentado e de uma dona-de-casa, foi morta aos 21 anos, por asfixia e espancamento na cabeça, que causaram hemorragia cerebral, em 24/07/1977. Seu corpo, nu, foi encontrado por um pescador, numa mala com um saco de 20 quilos de pedras amarrado no pescoço, na pedra Chapéu dos Pescadores, na avenida Niemeyer. O laudo do IML indicou que fôra violentada. O crime até hoje é um mistério, mas há indícios de que tenha sofrido uma overdose com amigos numa festa, na noite anterior. Era namorada do diretor do filme Garota de Ipanema, Pedro Carlos Rovai, interpretado por sua irmã, a atriz Márcia Rodrigues. Na época acusaram Cláudia de usar drogas, mas nada foi comprovado nos exames. O milionário suíço-brasileiro Michel Frank, apontado como culpado, fugiu para a Suíça e foi morto a tiros em 1989, sem jamais ter sido julgado. O segundo suspeito do crime era o cabeleireiro, George Khour, que foi absolvido pela Justiça. O julgamento durou cinco dias e foi um dos mais longos do Tribunal do Júri, no Brasil. Em 1978 o nome dela serviu para uma campanha antitóxico no primeiro concurso Nacional de Outdoor: "Cláudia Lessin Rodrigues - Que Todos os pais dessa cidade jamais se esqueçam deste nome". Um ano depois Miguel Borges lançou o filme "O Caso Cláudia". Em 2017 o crime completa 40 anos. Cláudia passava por uma depressão, mas gostava de música clássica e de filmes americanos. Ela teria sido morta por ameaçar Frank por estupro e uso de drogas.




Daniela Perez – Atriz e dançarina nascida no Rio de Janeiro (RJ) em 11/08/1970, filha da novelista Glória Perez, e de um advogado, foi morta a tesouradas em 22/12/1992, aos 22 anos, durante a novela ‘De Corpo E Alma’, da TV globo. Os assassinos, o ator Guilherme de Pádua, com quem contracenava, e a mulher dele, Paula Tomaz, na época grávida de 4 meses, pegaram 30 anos de prisão mas ficaram livres 6 anos após o assassinato. O caso chocou o país, foi notícia no mundo todo e a indignação popular fez rever a Lei dos crimes hediondos. Segundo alguns funcionários da emissora, Guilherme, no dia do crime, estava nervoso pela sua participação na novela estar diminuindo, e dois frentistas viram os artistas brigarem no posto de gasolina, em que ela fora atingida com o soco e desmaiado. Desacordada, ela teria sido colocada no carro do ator, dirigido pela mulher dele, a caminho de um matagal. Eles foram descobertos por um advogado que passava pelo local e avisou à polícia. A placa do carro do ator havia sido alterada e ele e a esposa chegaram a consolar a mãe da atriz e o marido dela. Era casada com o ator Raul Gazola e tinha o sonho era ser mãe. Glória Perez lutou para que houvesse justiça. Ela correu atrás de provas que pudessem comprovar a autoria do crime, fazendo investigação própria.

                 







Dorinha Duval – Atriz, cantora, bailarina e escultora nascida em São Paulo (SP), em 21/01/1929, matou a tiros o segundo marido, o cineasta Paulo Sérgio, 16 anos mais jovem, em 05/10/1980. O crime teria sido cometido por ciúme e por humilhações que ele a fazia passar, por causa da diferença de idade entre os dois. Foi julgada 2 vezes e condenada a seis anos de prisão. Participou da novela "O Bem-Amado", como Dulcinéia Cajazeira e foi a Cuca, do "Sítio do Picapau Amarelo" e atuou no filme "As Aventuras de Pedro Malasartes", ao lado de Mazzaropi. Atuou ainda nas novelas "O Espigão", "Minha Doce Namorada" e "Varão Vermelho", entre outras. Seu primeiro marido é o ator e diretor Daniel Filho, com quem teve a filha, a atriz Carla Daniel. Em 2002 lançou sua autobiografia "Em busca da Luz", em que fala sobre o crime que cometeu, revela que sofreu estupro aos 15 anos de idade, que fez um aborto e que chegou a se prostituir, antes de se tornar famosa, além de ter tentado o suicídio ao se separar do primeiro marido. Em 2006, interpretou ela mesma na novela "Belíssima". Atualmente é artista plástica.









Eliane de Gramont – cantora nascida no Rio de Janeiro (RJ), foi assassinada com 5 tiros pelo ex-marido, um cantor, em 30/03/1981 quando ela se apresentava no café 'Belle Epoque' em São Paulo. A arma, um revólver calibre 38, foi comprada pelo cantor seis dias antes. Ele foi condenado a 12 anos de prisão, mas quatro anos depois recebeu liberdade condicional por bom comportamento. Livre, tentou cantar em bares mas era sempre vaiado pelas mulheres na plateia. A partir deste crime a figura da 'legítima defesa da honra' deixou de ser atenuante para os maridos supostamente traídos. Eliane e o marido se conheceram nos corredores da gravadora RCA em São Paulo e se casaram em 1979. Separaram-se um ano depois. O casamento deles durou dois anos e tiveram uma filha, Liliane, que mora com a jornalista Helena de Gramont (da TV Globo), irmã de Eliane. No dia do crime, o primo dele, violonista da banda, Carlos Roberto da Silva, de 26 anos, levou um tiro na barriga e chegou a acompanhar a vítima até o hospital, onde chegou morta. Os dois tinham um relacionamento amoroso. Lindomar vive em Goiânia, GO.






Eloísa Ballesteros – Empresária do ramo de confecções nascida em Belo Horizonte (MG) foi assassinada em 26/07/1980 pelo ex-marido, o engenheiro, Márcio Stancioli, com cinco tiros. O crime aconteceu na residência do casal, no bairro Pampulha, após uma discussão. No depoimento ele disse que tinha ciúmes da mulher com um amigo e que tinha flagrado os dois no carro dela, num shopping de BH, no dia anterior ao crime. O assassino foi condenado a 5 anos de prisão, em regime semi-aberto e cumpriu a pena prestando serviços burocráticos. O episódio ficou conhecido como "O Crime da Mansão da Pampulha". Se conheceram, em 1972, num sinal de trânsito em BH e após um namoro escondido da família, viajaram por 40 dias pela Europa e se casaram no ano seguinte, ambos com 26 anos. Se mudaram para Nova Iorque, em seguida, quando o engenheiro foi estudar pós-gradução, enquanto ela trabalhou como babá, para se distrair. Tiveram dois filhos. De volta ao Brasil, ela montou uma loja e o marido começou a desconfiar de traição. O corpo foi encontrado pela babá das crianças, Lourdes. Durante o julgamento, feministas protestaram do lado de fora do tribunal e a seção interrompida, quando o advogado culpou a vítima, invertendo os fatos, afirmando que, seu cliente caíra na sedução de Eloísa e que ele foi bobo, porque poderia ter batido na esposa, ao invés de matá-la. Durante a leitura da sentença, as mulheres gritaram: "Chega!".







Elvia Cortés - Agricultora nascida na Colômbia, foi morta aos 55 anos em 16/05/2000 por um grupo de guerrilheiros das Farc, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia por se recusar a pagar um pedágio de 7.500 dólares aos rebeldes. Dona de um sítio em Dimijaca, ela teve presa a seu pescoço uma bomba-relógio em forma de colar que foi explodida pelo policial que tentou salvá-la (ele também morreu). Tinha 4 filhos.O caso virou assunto no mundo todo e virou tema para discussão sobre os direitos humanos. Ficou conhecida como a Heroína dos Colombianos. Sua missa fúnebre reuniu 1500 pessoas, que não couberam na igreja.







Elizabeth Bathory – Condessa nascida em Nyirbátor, Hungria, em 07/08/1560, filha do barão Jorge Báthory e parente do rei da Polônia, Stefan I Batory, ficou conhecida como Sanguinária, pelos crimes hediondos que cometia, em nome da beleza, chegando a se banhar com o sangue de virgens para permanecer bela. Para conseguir seu "produto", prendia suas vítimas em jaulas com barras cobertas de pregos, fazendo com que sangrassem lentamente. Foi responsável pela morte de 600 pessoas e acabou sendo emparedada nos muros do castelo. Com onze anos casou-se com o conde Ferenc Náadscy, passando a viver no castelo, na Transilvânia, e aos 14 engravidou de um camponês. A criança, uma menina, Anastácia, foi doada para um casal de camponeses. Com a ausência constante do marido, ela aproveitava para castigar cruéis os empregados, sem motivação. Ai ficar viúva, mudou-se para Viena, onde conheceu a alquimista Anna Darvulia, com quem teve um relacionamento amoroso. Com a morte da amante, passou a fazer amizade com a bruxa Erzsi Majorova, e juntas praticavam atrocidades contra outras mulheres, chegando a matar uma jovem. Contou com ajuda de outras 4 pessoas para suas loucuras. Sua vida é contada no filme 'Contos Imorais'. Serviu de inspiração para o escritor Bram Stocker na criação de Drácula. Foi presa em 1610 e condenada à prisão perpétua, juntamente com seus cúmplices. Foi encontrada morta no castelo, em Cseite, em 21/08/1614, de causas desconhecidas. Ao lado do corpo estavam vários pratos de comida intactos. Encontraram depois, um diário dela com todos os nomes das suas vítimas. Seu nome foi proibido de ser mencionado, pelo rei húngaro Matias II, apesar de nunca terem sido encontradas provas concretas dos crimes cometidos pela condessa, que se tornou uma das mulheres mais ricas da região, na época. Serviu de inspiração para filmes e livros.




Jô Souza – Socialite nascida em Belo Horizonte, Josefine Souza Lima Lobato, filha do ex-prefeito da capital, foi morta pelo ex-marido, Roberto Lobato, em 1970, que não aceitava a separação. O crime aconteceu na mansão onde ela morava na Pampulha, após um coquetel no hotel Del Rey. Foi a primeira vez na história dos assassinatos de mulheres, que a defesa usou o recurso de 'legítima defesa da honra', conseguindo sua absolvição, fato que enfureceu as feministas. Irritadas, ela gritavam: "Quem ama não mata"! O casal tinha dois filhos. Ele foi absolvido pelo assassinato.




Kátia Alves - Advogada, ex-delegada e secretária de Segurança da Bahia de 1999 a 2003, comandava 45 mil funcionários da Polícia Civil, Polícia Militar e Detran. Empenhada, fez de tudo para encontrar assassinos. Em 1996, quando aconteceram uma série de atentados contra prostitutas, ela vestiu-se como uma delas e saiu às ruas até que pegou um maníaco  , um alemão sádico, que acabou suicidando antes de ser extraditado. Em 2007 esteve envolvida no caso conhecido como Sala Secreta da Secretaria Pública, mas em depoimento, negou as acusações contra ela. Em 2015, exonerou do cargo de presidente da Limpurb para ocupar a vaga de vereadora, em Salvador, Bahia. Casada com um contador, tem dois filhos.








Lili Carabina – Ladra nascida no Rio de Janeiro, em 1944, Djanir Ramos Suzano ficou famosa nos anos 70 por chefiar uma quadrilha de assaltantes a bancos. Vaidosa, praticava os crimes usando maquilagem, vestidos, lingeries e peruca loira e usava do charme para distrair a segurança e facilitar a ação dos comparsas. Foi condenada a 33 anos de prisão por assalto, tráfico de drogas, latrocínio e falsidade ideológica, mas fugiu 6 vezes da cadeia. Em 1988, foi baleada na cabeça, após tentar furar uma blitz, por estar portando drogas e armas, ficando 33 dias em coma. A bala continuou alojada em sua cabeça e parte do seu corpo ficou paralisada, obrigando-a a usar muletas. Ao voltar para a penitenciária Tavela Bruce, tornou-se evangélica. Casou-se por imposição dos pais, mas se apaixonou por um traficante e entrou para o crime quando ele foi assassinado e ela se vingou matando os dois assassinos do namorado. Roubou pela primeira vez, em 1975. Era diabética e morreu de infarto aos 56 anos em 05/04/2000, no Rio de Janeiro. Tinha dois filhos. Sua vida é contada no filme "Lili Carabina, a Estrela do Crime" e no livro "Lili Carabina - retrato de uma obsseção", de Aguinaldo Silva. Era conhecida também como Djanira Metralhadora. Os apelidos foram dados por seus comparsas, embora ela sempre tenha usado pistola e jamais carabina ou metralhadora.






Márcia Maria Lopes Coelho Lira – Fonaudióloga nascida no Rio de Janeiro, aos 43 anos foi violentada e assassinada a golpes de facão em 26/04/2001 na frente de sua família, por 3 homens que trabalhavam no jardim de sua casa. A filha de 13 anos também foi violentada e esfaqueada. O outro filho, de 15 anos, foi encapuzado e jogado embaixo da cama. O ex-marido de Márcia, que fora buscar as crianças, foi amarrado à uma cadeira. Um dos acusados, Marcelo Gonçalves dos Santos foi preso após denúncia da esposa, e foi morto na cadeia, quatro dias após o crime (os coveiros recusaram-se a enterrá-lo e seu corpo ficou 4 horas no sol). Outro acusado, Alan Marques da Costa, conseguiu fugir. O terceiro acusado não teria participado do crime, porque tinha ido ao banco retirar o dinheiro da vítima, usando seus cartões. Casada, tinha 3 filhos. Era assessora do deputado Carlos Minc e sempre lutou pelos direitos humanos. O vizinho de Márcia, seu ex-cunhado, Evandro da Costa Queiroz, foi recebido à bala, ao tentar entrar na casa para salvar a família. Naquela manhã ela havia acordado mais cedo para comprar pão para os pedreiros. Em 2011 um dos bandidos foi preso, mas não teve o nome revelado.





Maria do Carmo - Dona-de-casa e ex-empregada doméstica nascida em Pernambuco (SP), aos 46 anos foi assassinada a facadas e teve o corpo retalhado pelo amante, um médico cirurgião em janeiro de 2003 em São Paulo. Para dificultar as investigações ele tirou as vísceras e colocou os pedaços do corpo em sacos plásticos num processo que durou 8 horas. O crime aconteceu na clínica dele no centro da capital paulista. O médico já tinha sido processado por abuso sexual de 11 pacientes. O romance do médico com a dona-de-casa começou quando ela o procurou para corrigir uma cicatriz no corpo. Em 2017 o médico foi encontrado morto em sua casa, em São Paulo e há suspeitas de que ele tenha cometido suicídio. Ele estava em prisão domiciliar e deveria voltar à prisão na semana de sua morte. Segundo a polícia, ele se vestiu de mulher (seios de silicone e calça colada), ouviu música fúnebre e cortou as veias da virilha. Ela era casada, mas não tinha filhos.






Maria Fea – Dona-de-casa nascida na Itália, aos 22anos foi morta por asfixia pelo marido Giuseppe Pistone em 04/10/1928. Grávida de 6 meses de uma menina, ele a sufocou com um travesseiro, retalhou o corpo e colocou-o numa mala, que foi deixada no cais do Porto de Santos endereçada a um francês, de nome fictício Ferrero Francesco, em Bordeaux. A mala, que foi eriçada para o navio, rompeu-se por causa do peso e foi a pista para se chegar ao assassino. O corpo estava em estado adiantado de putrefação. Giuseppe, que era muito ciumento, tinha recebido uma herança mas gastou todo o dinheiro em viagens pelo mundo. Ao saber que ele extorquia dinheiro de um primo, ameaçou denunciá-lo e escreveu uma carta contando os detalhes à sogra. Na polícia ele disse que “apertou o travesseiro só um pouquinho”. Na mala, além do corpo, havia roupas e a navalha usada no crime. Os dois se casaram em 1925. O corpo de Maria está enterrado no Cemitério da Filosofia, em Santos e seu jazigo é visitado por moças que desejam se casar e os fiéis a transformaram em santa popular. Ele foi condenado a 31 anos de prisão, em 1931, mas teve a pena reduzida para 20 anos. Livre, mudou-se para Taubaté, onde se casou de novo e morreu com 62 anos.





Maria Isabel Pinto Monteiro Alves – Vendedora nascida em Portugal, aos 44 anos foi encontrada morta no Central Parque em Manhattan (EUA) em 17/09/1995. Levou pancadas na cabeça que incharam o cérebro e expulsaram os olhos pelas órbitas. Participaria da maratona de Nova Iorque no mês seguinte e estava de casamento marcado com um colega de trabalho. O assassino até hoje não foi encontrado, mas há suspeitas de que seja um mendigo que dormia no parque. Aos 21 anos saiu de Minas Gerais, onde morava com os pais e foi para os Estados Unidos. O suspeito do crime, o catador de latas Adolpho Martinez, morreu de tuberculose, em 1997. Ele tinha antecedentes criminais, incluindo oito estupros e continuava solto, mas somente em 2017 as investigações da polícia confirmaram que se tratava do assassino, a partir de depoimentos de outras vítimas e amigos dele, que ouviram sua confissão. Seu nome virou rua no Rio de Janeiro.





Maria da Penha Maia Fernandes – farmacêutica nascida em 01/11/1945, em Fortaleza, Ceará, ficou paralítica, aos 38 anos, em 1983 depois que levou um tiro na coluna disparado pelo segundo marido, o professor colombiano, Marco Antonio Heredia. Ela o denunciou às ONGs Centro para a Justiça e Direitos Internacionais (Cejil) e Comitê latino Americano de Defesa dos Direitos da Mulher, que levaram o assunto para a OEA. Em 04/2001 o Brasil foi condenado pela OEA depois de se constatar que as mulheres são agredidas principalmente por discriminação e ineficácia dos sistemas judiciários brasileiros. A Lei Maria da Penha prevê a criação de juizados especiais e acaba com as penas em que os agressores eram condenados ao pagamento de multas ou cestas básicas. A lei 11.340, que torna mais rigorosa a pena contra quem agride mulheres foi sancionada no dia 7 de agosto de 2006, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e batizada com o nome de Maria da Penha, em homenagem a uma vítima da violência doméstica.  Maria nunca mais se casou, é mãe de três filhas (duas do primeiro casamento) e hoje é líder do movimento em defesa dos direitos das mulheres. O ex-marido, que a agredida constantemente, pegou dois anos de prisão e está livre desde 2004. Maria se casou pela primeira vez aos 19 anos e conheceu Marco Antônio na faculdade, quando já estava separada. O episódio é contado em seu livro: "Sobrevivi, posso contar".




Maria da Piedade e Castro - Dona-de-casa brasileira nascida no século XIX, apanhava do marido e o denunciou à Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, fato inédito para a época. Mais tarde pediu a liberação para voltar a viver com o pai, já que estava cansada de apanhar e de pegar doenças transmitidas à ela pelo marido. Acabou conseguindo a liberação para o divórcio.





Marie Trintignant - Atriz nascida em Boulogne, Billancourt, França em 21/01/1962, filha do ator Jean-Louis Trintignant e da diretora Nadine Marquand, foi assassinada, aos 41 anos, a socos pelo namorado, o cantor e guitarrista, Bertrand Cantat, em 01/08/2003, quando estava na Lituânia trabalhando num filme sobre a vida da escritora Sinonie-Gabriele Collette. Começou a carreira com 4 anos no filme 'Mon Amour, Mon Amour'. Depois, atuou em mais 30 filmes. Ao morrer, virou um símbolo das mulheres vítimas de violência masculina. Após o crime, as rádios pararam de tocar músicas do assassino, que foi condenado a oito anos de prisão. No depoimento, ele disse que "tudo não passou de um acidente". Ele foi acusado pela mãe da atriz, de ter agredido outras mulheres. Separada do ator francês Samuel Benchetriti, tinha 4 filhos, de pais diferentes. Antes de morrer, ela passou por duas cirurgias e ficou de coma por duas horas. Está enterrada no cemitério de Paris.





Marla Hanson – Ex-modelo nascida em Independence, Missouri, Estados Unidos de família de um corretor de imóveis e de uma dona-de-casa, teve o rosto retalhado por dois homens contratados pelo proprietário do apartamento onde ela morava, um maquiador, em 05/07/1986. Na prisão ele contou que ficou irritado porque ela não ligava para suas cantadas. Após levar 150 pontos no rosto ela concedeu uma entrevista com os cabelos ainda sujos de sangue, e voltou a trabalhar 3 meses depois, posando para fotos apenas de corpo. Os agressores foram presos. O acusado pegou 15 anos de prisão e seus comparsas alegaram que as acusações se davam pelo fato de serem negros. O fato foi contdo no filme de TV "The Marla Hanson Story", de 1991. Virou diretora de cinema, e símbolo internacional contra  feminicídio e luta pelos direitos das mulheres. Frequentou a faculdade do Texas e trabalhou como vendedora de seguros, antes de ficar famosa. É casada com o empresário Douglas Kenneth Howell desde 1997. Os dois se conheceram no avião, das Ilhas Cayman para Cuba.







Nicole Brown Simpson – Dona-de-casa nascida em 19/05/1959 nos Estados Unidos, foi assassinada a punhaladas pelo ex-marido, o ex-jogador de futebol americano Orenthal James Simpson (O.J.), aos 35 anos. O crime aconteceu na Califórnia, em 12/06/1994, quando ela saía de casa com o namorado, o garçom Ronald Goldman, de 25 anos. O julgamento foi transmitido pela TV e foi assunto nos principais jornais do mundo e ele acabou sendo condenado a 33 anos de prisão, em 1995. Em 2007, foi preso acusado de envolvimento em vários crimes, como roubos, sequestro e formação de quadrilha. Em fevereiro de 2011 ele foi espancado na cadeia por jovens skinheads. Em 2017 ele conseguiu liberdade condicional no dia 01 de outubro. O. J. Simpson e Nicole foram casados por 17 anos e tiveram dois filhos, Sydney e Justin. Mesmo depois de separados ele a perseguia, e certa vez, num restaurante, colocou as mãos entre as pernas dela e gritou: “isso me pertence. Meus filhos vieram daqui”. Quando Nicole engravidava, o ex-jogador a chamava de ‘porca gorda’.




Petra Kelly – Militante do pacifismo e do movimento ecológico nascida em Gunzburg, na Baviera, Alemanha, em 29/11/1947, Petra Karin Kelly, aos 44 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, em Bonn em 01/10/1992, ao lado de seu companheiro, o ex-general Gert Bastian, de 69 anos, que se suicidou em seguida. Os corpos só foram encontrados duas semanas depois, já que viviam isolados da cidade. Não se sabe o motivo do crime. Foi uma das fundadoras do Partido Verde alemão, o primeiro deste tipo no mundo. Morou nos Estados Unidos até 1970, quando retornou à Alemanha Ocidental. Estudou Ciência Política na Universidade Americana, em Washington e formou-se na Universidade de Amsterdã, em 1971. Trabalhou na comissão Européia em Bruxelas entre 1971 e 1983 e trabalhou por dois anos no Comitê Econômico e Social, onde defendeu os direitos das mulheres. Lutou ainda contra o armamento, contra a violência e problemas ecológicos, tendo recebido o prêmio Right Liveljhood em 1982 e ficando em 45o lugar na lista de cientistas e naturalistas da Agência de Meio Ambiente do Reino Unido. Escreveu o livro "Fightin for Hope", de 1994. Está enterrada no cemitério da Floresta (Waldfriedhof). 






Phoolan Devi - Ladra nascida em 10/08/1963 na aldeia de Samokan, Índia, conhecida também como Phulan Devi, foi assassinada a tiros depois em 25/05/2001, por líderes da gangue rival à dela. A 'Rainha dos Bandidos', tornou-se lendária depois de uma vingança: castrou e matou os homens que a violentaram, depois de sequestrá-la e encarcerá-la por alguns dias. Ela também assassinou o marido, 25 anos mais velho, com quem tinha se casado aos 11 anos, contra sua vontade, em troca de um dote. Os dois ficaram juntos por onze anos, num casamento violento e conturbado (ele a violentava e a obrigava a trabalhos pesados no campo). Viúva, se envolveu com bandidos adolescentes, se tornando a líder deles, até que foi assassinada, na própria casa. Seus crimes incluíam saques, matança, roubos e sequestros. Analfabeta, de família pobre, da casta shudra, passou 11 anos na cadeia e foi liberada da acusações, pelo governo, tornando-se política em 1996, ao pleito democrático pelo Samajwadi Party (Partido Socialista). Prometia defesa às mulheres e às pessoas de castas baixas. Tinha três irmãos.








Rania Al-Baz - Apresentadora de TV nascida em Meca, na Arábia Saudita, em 01/1975, de família rica, aos 29 anos, em 04/04/2004, foi espancada pelo marido porque dirigia seu próprio carro (no país as mulheres são proibidas de dirigir). Cheia de hematomas no rosto ela se deixou fotografar para um jornal local e denunciou o marido, chamando atenção do mundo para a barbaridade. Após ser agredida Rania foi deixada no hospital pelo próprio marido que disse que ela sofrera um acidente de carro e estava morta. Ele, um cantor desempregado e violento, foi preso duas semanas depois. Na época, ela ficou em coma por duas semanas, com o rosto desfigurado, e ao acordar, permitiu que fosse fotografada, para denunciar a violência contra as mulheres. Os dois eram casados há 16 anos e tinham dois filhos. Ele foi condenado a 6 meses de prisão, 300 chibatadas e a pagar indenização de 6 mil dólares à ex-mulher, mas foi liberado das acusações por Rania, que retirou a queixa, e pela anistia Internacional, ficando preso apenas três meses. Casou-se pela primeira vez aos 16 anos e logo engravidou de uma menina. Separou-se aos 19 anos, por vontade de seu ex-marido, que a acusou de se infantil e imatura. Formou-se em Radiologia e na época morou apenas com sua filha, situação comum em seu país. Começou a trabalhar na TV, apresentando o programa "This Morning in Kingdom", ao ser indicada por um vizinho. Ela casou-se de novo, mora com os dois filhos do segundo casamento e voltou para a televisão. Sua vida é contada no livro que leva seu nome.





Rosmary Corrêa – Advogada, foi a primeira delegada de Defesa da Mulher no Brasil em 1985 aos 37 anos. O fato foi manchete do ‘The New York Times’. Começou a carreira como escrivã de polícia. Em 1976 foi a terceira mulher nomeada delegada em São Paulo. Foi deputada federal e apresentou um quadro do programa ‘Realidade’, na Tevê Bandeirantes, em 1996.











Safiya Husseini - Dona-de-casa nascida em 1967, em Sokoto, Nigéria, foi condenada em 12/10/2001, à morte por apedrejamento, mas escapou graças a protestos de mulheres em todo o mundo. Safiya disse que foi violentada e exigiu da Justiça que o suposto estuprador pagasse indenização. Mas ao ser condenada por adultério (fato comum na região), acabou confessando que a filha, Adama, de 11 meses, era de seu marido Yakaby Abubakar, que saiu de casa havia um ano (ele tinha outras duas esposas, o que é permitido no local). O homem que a violentou não foi punido e no tribunal, ela não foi informada sobre os seus direitos e não teve um advogado para acompanhá-la. Para que um homem seja condenado na Nigéria por adultério, é preciso que ele confesse o crime e que haja 4 testemunhas contra ele. No caso das mulheres, isso não é necessário. O episódio é contado no livro "Safiya Huassaini Tungar tudu: I, Sfiya".



 


Sandra Gomide – Jornalista nascida em São Paulo, aos 32 anos, foi morta com dois tiros, um nas costas, e outro no ouvido, pelo ex-namorado, o jornalista Pimenta Neves, então com 63 anos, em 22/08/2000. Ele não aceitava o fim do namoro e como represália, a demitiu do Jornal 'O Estado de São Paulo', 2 meses antes (ele era chefe dela). O crime aconteceu no haras do pai dela, em Ibiúna, interior de São Paulo, e chocou o país. Os dois se conheceram em 1986, em São Paulo, sendo ele chefe de redação do caderno de economia do jornal Gazeta Mercantil. Em 2006 o jornalista foi condenado a 19 anos de prisão e pagamento de indenização aos pais de Sandra, mas em 2016 ele saiu da cadeia, por bom comportamento, para cumprir pena em casa. A mãe da jornalista, que passou a ter problemas de saúde e depressão, morreu em 2017 e o pai dela, diagnosticado com câncer no intestino, vive sozinho, com um salário mínimo e depende de cadeira de rodas para se locomover. Sandra e Pimenta namoraram 2 anos escondido e ficaram juntos por 4 anos, num relacionamento conturbado e violento (ela já havia registrado queixa contra ele, havia mudado as fechaduras do apartamento onde vivia e estava dormindo na casa de amigos, por causa das ameaças de Pimenta). Foi enterrada no cemitério Horto, em São Paulo.








Sharon Tate – Atriz nascida em 24/01/1943 em Dallas, no Texas (EUA), filha de um policial, sex symbol do cinema, Sharon Marie Tate, foi assassinada em 08/08/1969 numa festa em sua mansão em Los Angeles (EUA), juntamente com outros 4 convidados. Grávida de 8 meses, casada com o diretor de cinema Roman Polanski, tinha 26 anos. Os assassinos faziam parte de uma seita satânica e foram presos. Segundo a polícia, os assassinos viviam numa fazenda, onde a atriz teria ido algumas vezes. O crime foi esclarecido com a ajuda do pai de Sharon, que viveu entre os hippies à procura do assassino. Uma das 'escravas' de Manson confessou o assassinato. Sua carreira incluía comerciais de TV e de revistas de moda, além de sete filmes, entre eles "O Vale das Bonecas", de 1967, pelo qual foi indicada ao globo de Ouro. Aos 16 anos foi eleita "Miss Richland", do estado de Washington, mas não participou do concurso porque seu pai tinha sido transferido para a Itália. Dez anos após o crime, a mãe da atriz, Doris Tate, fez uma campanha contra os sistema correicional da Califórnia, ao suspeitar que os assassinos da filha pudessem receber liberdade condicional, apesar de terem pego prisão perpétua. Começou a carreira de atriz como figurante. De volta aos Estados Unidos, namorou o cabeleireiro das atrizes, Jay Sebring, que a apresentou a diretores de Hollywood. Viraram amigos, e estavam juntos, na casa da atriz, no dia do crime, sendo todos vítimas da gangue. Foi enterrada no Cemitério Holy Cross, em Culver City. Em 2017 o assassino de Sharon, Charles Manson, foi transferido da prisão, na Califórnia, para o hospital, em estado grave. No mesmo ano sua irmã, Debra Tate, lançou um livro sobre a atriz, "Recollectio" e o prefácio foi escrito pelo cineasta, Roman Polansky.



Sidneya dos Santos de Jesus – Advogada e diretora do presídio Bangu 1 nascida em São Paulo, foi assassinada com 3 tiros na porta de casa em 05/09/2000, quando chegava em casa de carro, por ter denunciado corrupção que privilegiava bandidos. Não teve tempo de reagir e sua arma ficou na bolsa, intacta. Tinha fama de durona e sob sua chefia, Bangu não teve uma fuga, rebelião ou denúncia de tortura contra os presos. Era a única mulher, entre os 30 chefes de penitenciárias no Rio, a comandar uma unidade de segurança máxima e estava no cargo há seis anos. Muito discreta, nem seus vizinhos sabiam qual era sua profissão. Abominava qualquer tipo de violência contra os presos, mas cortava seus benefícios. Na época, morava com uma irmã e com o filho único, de 16 anos, que passou mal ao saber da morte da mãe. Ela chegou a ser levada para o hospital, por um vizinho, mas não resistiu. Tinha 46 anos, era divorciada e  começou a carreira como agente penitenciária. Ameaçada de morte, andava com guarda-costas, mas na noite do crime, dispensou um deles, porque morava longe da casa dela.

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