VÍTIMAS E ACUSADAS







Amina Lawal – Dona-de-casa nascida na Nigéria, foi condenada à morte por ser mãe solteira e manter relações extraconjugais em 2002, aos 31 anos. Ela já estava separada do marido quando engravidou. Segundo a Justiça local, a prova do crime seria a criança. Foi absolvida em 2003, após campanhas em todo o mundo. De acordo com a lei islâmica Sharia, quem comete adultério é condenado à morte por apedrejamento.









Anna Lindh - Ministra das Relações Exteriores de Estocolmo, foi morta a facadas em 09/2003 quando fazia compras num shopping. Tentou fugir subindo uma escada rolante mas foi alcançada. O agressor, que não foi identificado, fugiu. Morreu horas depois de hemorragia interna. Era boa negociadora e defendeu em 1998 uma aproximação maior da Suécia com seus vizinhos europeus. Apoiou a campanha americana contra o terrorismo mundial. Casada com o político Bo Holmberg, tinha 2 filhos.






Ângela Diniz – Socialite conhecida como a 'Pantera de Minas' nascida em Minas Gerais, foi morta com 4 tiros em 30/12/1976 pelo amante, por ciúmes. O crime aconteceu na Praia dos Ossos, Búzios (RJ), após duas separações. Em novembro de 1979 um tribunal de Cabo Frio condenou-a por conduta imoral, o que revoltou as feministas que fizeram protestos por todo o país. O acusado foi condenado a 15 anos de prisão mas vive em Paris como vendedor de carros.









Cláudia Lessin Rodrigues – Estudante nascida no Rio de Janeiro (RJ), foi morta por asfixia e espancamento em 24/07/1977 aos 20 anos. Seu corpo foi encontrado numa mala com 20 quilos de pedras na avenida Niemeyer. O laudo do IML indicou que fôra violentada. O crime até hoje é um mistério. É irmã de uma atriz da TV Globo. Na época acusaram Cláudia de usar drogas, mas nada foi comprovado nos exames. 




Daniela Perez – Atriz e dançarina nascida no Rio de Janeiro (RJ) em 11/08/1970, filha da novelista Glória Perez, e de um advogado, foi morta a tesouradas em 22/12/1992, aos 22 anos, durante a novela ‘De Corpo E Alma’. Os assassinos pegaram 30 anos de prisão mas  ficaram livres 6 anos após o assassinato. A indignação popular fez rever a Lei dos crimes hediondos. Era casada com o ator Raul Gazola. Seu sonho era ser mãe.

                  











Dorinha Duval – Atriz, cantora, bailarina e escultora nascida em São Paulo (SP), em 21/01/1929, matou a tiros o segundo marido, 16 anos mais jovem, em 05/10/1980. O crime teria sido cometido por ciúme. Foi julgada 2 vezes e condenada a 6 anos de prisão. Nunca mais se casou. Foi casada com o ator e diretor Daniel Filho, com quem teve a filha, a atriz Carla Daniel.














Eliane de Gramont – cantora nascida no Rio de Janeiro (RJ), foi assassinada com 5 tiros pelo ex-marido, um cantor, em 30/03/1981 quando ela se apresentava no café 'Belle Epoque' em São Paulo. A arma, um revólver calibre 38, foi comprada pelo cantor seis dias antes. Ele foi condenado a 12 anos de prisão, mas quatro anos depois recebeu liberdade condicional por bom comportamento. Livre, tentou cantar em bares mas era sempre vaiado pelas mulheres na plateia. A partir deste crime a figura da 'legítima defesa da honra' deixou de ser atenuante para os maridos supostamente traídos. Eliane e o marido se conheceram nos corredores da gravadora RCA em São Paulo e se casaram em 1979. Separaram-se um ano depois. Tiveram uma filha que, mora com a jornalista Helena de Gramont (da TV Globo), irmã de Eliane.






Eloísa Ballesteros – Empresária do ramo de confecções nascida em Belo Horizonte (MG) foi assassinada em 26/07/1980 pelo ex-marido. O crime aconteceu na residência do casal, no bairro Pampulha. No depoimento ele disse que tinha ciúmes da mulher com um amigo. O assassino foi condenado a 5 anos de prisão, em regime semi-aberto e cumpriu a pena prestando serviços burocráticos. 







Elvia Cortés - Agricultora nascida na Colômbia, foi morta aos 55 anos em 16/05/2000 por um grupo de guerrilheiros das Farc, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia por se recusar a pagar um pedágio de 7.500 dólares aos rebeldes. Dona de um sítio em Dimijaca, ela teve presa a seu pescoço uma bomba-relógio em forma de colar que foi explodida pelo policial que tentou salvá-la (ele também morreu). Tinha 4 filhos.







Elizabeth Bathory – Condessa Sanguinária, como era conhecida, viveu entre 1560- 1614. Parente do rei Stefan I Batory, eleito rei da Polônia em 1576, banhava-se em sangue de virgens para permanecer bela. Prendia suas vítimas em jaulas com barras cobertas de pregos, fazendo com que sangrassem lentamente. Foi responsável pela morte de 600 pessoas. Acabou sendo emparedada nos muros do castelo. Sua vida é contada no filme 'Contos Imorais'. Serviu de inspiração para o escritor Bram Stocker na criação de Drácula.









Jô Souza – Socialite nascida em Belo Horizonte, foi morta pelo ex-marido em 1970. O crime aconteceu na mansão onde ela morava na Pampulha, após um coquetel no hotel Del Rey. O ex-marido não aceitava a separação. Foi a primeira vez na história dos assassinatos de mulheres, que a defesa usou o recurso de legítima defesa da honra.




Kátia Alves - Advogada, ex-delegada e ex-secretária de Segurança da Bahia desde 1999, comanda 45 mil funcionários da Polícia Civil, Polícia Militar e Detran. Empenhada, fez de tudo para encontrar assassinos. Em 1996, quando aconteceram uma série de atentados contra prostitutas, ela vestiu-se como uma delas e saiu às ruas até que pegou um maníaco  , um alemão sádico, que acabou suicidando antes de ser extraditado. Casada com um contador, tem dois filhos.









Lili Carabina – Ladra nascida no Rio de Janeiro, Djanir Ramos Suzano ficou famosa nos anos 70 por chefiar uma quadrilha de assaltantes a bancos. Vaidosa, praticava os crimes usando maquilagem, vestidos, lingeries e peruca loira. Usava do charme para distrair a segurança e facilitar a ação dos comparsas. Foi condenada a 33 anos de prisão por assalto, tráfico de drogas, latrocínio e falsidade ideológica, mas fugiu 6 vezes. Morreu de infarto aos 56 anos em 05/04/2000. Sua vida é contada no filme ‘Lili Carabina, a Estrela do Crime’.








Márcia Maria Lopes Coelho Lira – Fonaudióloga nascida no Rio de Janeiro, foi violentada e assassinada a golpes de facão em 26/04/2001 na frente de sua família, por 3 homens que trabalhavam no jardim de sua casa. A filha de 13 anos também foi violentada. Um dos acusados foi preso e encontrado morto na cadeia 4 dias após o crime (os coveiros recusaram-se a enterrá-lo e seu corpo ficou 4 horas no sol). Casada, tinha 3 filhos.










Maria do Carmo - Dona-de-casa e ex-empregada doméstica nascida em Pernambuco (SP), foi assassinada a facadas e teve o corpo retalhado pelo amante, um médico cirurgião em janeiro de 2003 em São Paulo. Para dificultar as investigações ele tirou as vísceras e colocou os pedaços do corpo em sacos plásticos num processo que durou 8 horas. O crime aconteceu na clínica dele no centro da capital paulista. O médico já tinha sido processado por abuso sexual de 11 pacientes. O romance do médico com a dona-de-casa começou quando ela o procurou para corrigir uma cicatriz no corpo.






Maria Fea – Dona-de-casa nascida na Itália, foi morta por asfixia pelo marido Giuseppe Pistone em 04/10/1928. Grávida de 6 meses, ele a sufocou com um travesseiro, retalhou o corpo e colocou-o numa mala, que foi deixada no cais do Porto de Santos endereçada a um francês. A mala, que pingava sangue, foi a pista para se chegar ao assassino. O corpo estava em estado adiantado de putrefação. Giuseppe que era muito ciumento, tinha recebido uma herança mas gastou todo o dinheiro em viagens pelo mundo. Na polícia ele disse que “apertou o travesseiro só um pouquinho”.









Maria Isabel Pinto Monteiro Alves – Vendedora nascida em Portugal, aos 44 anos foi encontrada morta no Central Parque em Manhattan (EUA) em 17/09/1995. Levou pancadas na cabeça que incharam o cérebro e expulsaram os olhos pelas órbitas. Participaria da maratona de Nova Iorque no mês seguinte e estava de casamento marcado com um colega de trabalho. O assassino até hoje não foi encontrado, mas há suspeitas de que seja um mendigo que dormia no parque. Aos 21 anos saiu de Minas Gerais, onde morava com os pais e foi para os Estados Unidos.







Maria da Penha Maia Fernandes – farmacêutica nascida no Ceará, ficou paralítica em 1983 depois que levou um tiro na coluna disparado pelo ex-marido. Ela o denunciou às ONGs Centro para a Justiça e Direitos Internacionais (Cejil) e Comitê latino Americano de Defesa dos Direitos da Mulher, que levaram o assunto para a OEA. Em 04/2001 o Brasil foi condenado pela OEA depois de se constatar que as mulheres são agredidas principalmente por discriminação e ineficácia dos sistemas judiciários brasileiros. A Lei Maria da Penha prevê a criação de juizados especiais e acaba com as penas em que os agressores eram condenados ao pagamento de multas ou cestas básicas A lei que torna mais rigorosa a pena contra quem agride mulheres foi sancionada no dia 7 de agosto de 2006, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e batizada com o nome de Maria da Penha, em homenagem a uma vítima da violência doméstica.



Maria da Piedade e Castro - Dona-de-casa nascida no século XIX, apanhava do marido e o denunciou à Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, fato inédito para a época. Mais tarde pediu a liberação para voltar a viver com o pai, já que estava cansada de apanhar e de pegar doenças transmitidas à ela pelo marido. Acabou conseguindo a liberação para o divórcio.





Marie Trintignant - Atriz nascida na França em 21/01/1962, filha do ator Jean-Louis Trintignant e da diretora Nadine, foi assassinada a socos pelo namorado, cantor e guitarrista, em 01/08/2003, quando estava na Lituânia trabalhando num filme sobre a vida da escritora Sinonie-Gabriele Collette. Começou a carreira com 4 anos no filme 'Mon Amour, Mon Amour'. Depois, atuou em mais 30 filmes. Ao morrer, virou um símbolo das mulheres vítimas de violência masculina. Após o crime, as rádios pararam de tocar músicas do assassino. Separada, tinha 4 filhos. Tinha 41 anos.






Marla Hanson – Ex-modelo nascida nos Estados Unidos de família humilde, teve o rosto retalhado por dois homens contratados pelo proprietário do apartamento onde ela morava, um maquiador, em 05/07/1986. Na prisão ele contou que ficou irritado porque ela não ligava para suas cantadas. Após levar 150 pontos no rosto ela concedeu uma entrevista com os cabelos ainda sujos de sangue. Voltou a trabalhar 3 meses depois, posando para fotos apenas de corpo. Os agressores foram presos.












Nicole Brown Simpson – Dona-de-casa nascida em 19/05/1959 nos Estados Unidos, foi assassinada a punhaladas pelo ex-marido, o ex-jogador de futebol americano Orenthal James Simpson (O.J.), aos 35 anos. O crime aconteceu em 12/06/1994, quando ela saía de casa com o namorado, o garçom Ronald Goldman, de 25 anos. O julgamento foi transmitido pela TV e foi assunto nos principais jornais do mundo. O. J. Simpson e Nicole foram casados por 17 anos e tiveram 2 filhos. Mesmo depois de separados ele a perseguia, e certa vez, num restaurante, colocou as mãos entre as pernas dela e gritou: “isso me pertence. Meus filhos vieram daqui”. Quando Nicole engravidava, o ex-jogador a chamava de ‘porca gorda’.





Petra Kelly – Militante do pacifismo e do movimento ecológico nascida na Europa, em 29/11/1947, Petra Karin Kelly, aos 44 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, em Bonn em 01/10/1992. Segundo a polícia, o autor do crime foi seu companheiro de 69 anos que se suicidou em seguida. Os corpos só foram encontrados duas semanas depois, já que viviam isolados da cidade. Não se sabe o motivo do crime.








Phoolan Devi - Dona-de-casa nascida em 10/08/1963 na aldeia de Samokan, Índia, foi assassinada a tiros depois que se entregou à polícia em 25/05/2001. A 'Rainha dos Bandidos', como ficou conhecida, tornou-se lendária depois de uma vingança: castrou e matou os homens que a violaram, entre eles seu marido, 25 anos mais velho. Passou 11 anos na cadeia. Analfabeta, casou-se aos 11 anos, contra sua vontade.










Rania Al-Baz - Apresentadora de TV nascida na Arábia Saudita, aos 29 anos, foi espancada pelo marido porque dirigia seu próprio carro (no país as mulheres são proibidas de dirigir). Cheia de hematomas no rosto ela se deixou fotografar para um jornal local e denunciou o marido, chamando atenção do mundo para a barbaridade. Após ser agredida Rania foi deixada no hospital pelo próprio marido que disse que ela sofrera um acidente de carro e estava morta. Ele foi preso duas semanas depois.










Rosmary Corrêa – Advogada, foi a primeira delegada de Defesa da Mulher no Brasil em 1985 aos 37 anos. O fato foi manchete do ‘The New York Times’. Começou a carreira como escrivã de polícia. Em 1976 foi a terceira mulher nomeada delegada em São Paulo. Foi deputada federal e apresentou um quadro do programa ‘Realidade’, na Tevê Bandeirantes, em 1996.











Safiya Husseini - Dona-de-casa nascida em Sokoto, Nigéria, foi condenada à morte por apedrejamento, mas escapou graças a protestos de mulheres em todo o mundo. Safiya disse que foi violentada e exigiu da Justiça que o suposto estuprador pagasse indenização. Mas ao ser condenada por adultério (fato comum na região), acabou confessando que a filha, Adama, de 11 meses, era de seu marido Yakaby Abubakar que saiu de casa havia um ano (ele tinha outras duas esposas, o que é permitido no local).









Sandra Gomide – Jornalista nascida em São Paulo, foi morta a tiros pelo ex-namorado, um jornalista de 63 anos, em setembro de 2000, que não aceitava o fim do namoro. Como represália, ele a tinha demitido 2 meses antes (ele era chefe dela). Funcionários do Jornal O Estado de São Paulo, o crime chocou o país. O crime aconteceu num haras de Ibiúna, interior de São Paulo. O acusado chegou a ser preso, mas já ganhou a liberdade. Sandra Gomide era uma jornalista em início de carreira quando conheceu o namorado, em 1986, em São Paulo. Ele era chefe de redação do jornal de economia Gazeta Mercantil. Em 2015 o jornalista foi condenado e os pais de Sandra receberam  indenização por parte dele. Sandra tinha 32 anos quando morreu.








Sharon Tate – Atriz nascida em 24/01/1943 no Texas (EUA), filha de um policial, foi assassinada em 08/08/1969 numa festa em sua mansão em Los Angeles (EUA), juntamente com outros 4 convidados. Grávida de 8 meses, casada com o diretor de cinema Roman Polanski, tinha 26 anos. Os assassinos faziam parte de uma seita satânica e foram presos. Eles eram comandados por um líder de uma seita religiosa. Segundo a polícia, os assassinos viviam numa fazenda, onde a atriz teria ido algumas vezes. O crime foi esclarecido com a ajuda do pai de Sharon, que viveu entre os hippies à procura do assassino. Uma das 'escravas' de Manson confessou o assassinato.







Sidneya de Jesus – Advogada e diretora do presídio Bangu 1 nascida em São Paulo, foi assassinada com 3 tiros na porta de casa em 09/2000, por ter denunciado corrupção que privilegiava bandidos. Tinha fama de durona e sob sua chefia, Bangu não teve uma fuga, rebelião ou denúncia de tortura contra os presos. Era a única mulher, entre os 30 chefes de penitenciárias no Rio, a comandar uma unidade de segurança máxima. Muito discreta, nem seus vizinhos sabiam qual era sua profissão. Abominava qualquer tipo de violência contra os presos, mas cortava seus benefícios.

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Beijos,

Carla Vilaça