sexta-feira, 12 de maio de 2017

Quando o destino age sozinho a nosso favor!

Um dos primeiros textos que escrevi no meu blog foi o que mais gerou comentários das leitoras, há alguns anos, e repito aqui, alguns trechos para dar um outro desfecho ao final da história em questão. Trata-se de um romance rápido que poderia ter selado o meu destino, mas que por forças inimagináveis, não se concretizou. Tudo tinha para dar certo, mas não deu. As peças se encaixavam, nós nos encontrávamos, mas não rolou. E, durante algum tempo, acreditei que eu não tinha sorte no amor, mas o futuro chegou e percebi que nem sempre a escolha que fazemos mentalmente, seria a melhor.
Era um feriado prolongado de Semana Santa, e mais uma vez eu e minhas amigas fomos para Divinópolis, para mais uma aventura na cidade. Nada de estranhezas ou encontros mirabolantes, mas apenas noitadas em barzinhos e danceterias. No entanto, um rapaz lindo tomou conta do cenário e é dele, ou da atração que senti por ele, que falo aqui. Após uma discordância entre nós, meninas, decidi comprar passagem de volta para o domingo próximo, já que não havia retorno para BH naquele dia. Mesmo chateada, resolvi acompanhá-las à lanchonete, imaginando o quão seria chato aqueles dias.
Mas, a natureza é mesmo pirracenta, e para me castigar, colocou no meio do caminho um rapaz lindo, que nos foi apresentado enquanto comíamos hambúrgueres. Digno de filme internacional, com tantos atributos físicos (quero dizer, lindíssimo) era impossível não me apaixonar. E enlouqueci.  Além da beleza, ele tinha muitos talentos: jogava futebol com maestria, tocava violão, contava piadas engraçadas e previa o futuro das pessoas, através da quiromancia. Assim que se apresentou, comentou sobre o tamanho das minhas mãos (são enormes, meio másculas) e disse que decifraria cada linha desenhada nelas. Calmamente ele disse que eu me casaria dali há dez anos e teria três filhos. Enquanto vasculhava o meu destino, eu não desgrudava os olhos dele, fazendo gracinha para as meninas, que riam em silêncio. Era muito bonito para deixar escapar - eu pensava!
À noite nos reencontramos num barzinho e aquele cara foi ainda mais gentil. Eu não estava bem de saúde e ele se ofereceu para me levar para casa (emprestada de um amigo) e ficou comigo até as meninas chegarem de madrugada. A casa ficava numa área rural, rodeada de matos, e ele teve medo de me deixar ali sozinha. Para passar o tempo, ficamos ouvindo música e acabei dormindo em seus braços. Ao sermos flagrados no sofá daquele jeito largado, a impressão que todos tiveram é de que algo mais sério tinha acontecido, mas eu ainda não estava preparada e não entrava na minha cabeça me entregar tão facilmente ao primeiro homem que aparece na minha frente.
Na manhã seguinte, sem aviso, o bonitão apareceu na casa para me levar à chácara em que tínhamos planejado passar o feriado. Apenas nós dois fomos em seu carro, enquanto as outras meninas foram de carona com o namorado de uma delas. No meio da estrada, trocávamos beijos, ao som de Raul Seixas no toca-fitas (sim, toca-fitas, que era o de mais moderno naquela época), e muitas juras de amor. Até mesmo no momento de abastecer, ele fazia gracinhas através do vidro, esperando um sorriso meu, que era correspondido largamente.
Ao chegarmos, fomos muito bem-recebidos, com uma mesa deliciosa de café e alimentos típicos. Os rapazes foram convidados a mochar bois enquanto as meninas ficavam apreciando aqueles corpos segurarem os bovinos e lhes cortar os chifres. Depois,  arriscamos uma cavalgada e demos muitas risadas com as piadas contadas pelo bonitão na varanda. E foi de lá que o vi, andando a cavalo, com jeans e chapéu de caubói, num vai-e-vem enlouquecedor. Eu babava naquele cenário hollywoodiano, imaginando que aquele seria o primeiro homem da minha vida!
Após o almoço, fomos dar um passeio à pé, pela estrada, catando mangas de vez e descobrindo as maravilhas daquele lugar, como uma casa abandonada, lotada de morcegos que nos surpreenderam e nos obrigaram a correr para não sermos picados. Depois, nadamos na lagoa, e já cansada, ele me pegou no colo e voltamos para a chácara. Á noite, depois de uma festa no arraial, dormimos em quartos separados, vigiados pela dona do lugar. Tudo parecia mágico, era como se eu encontrasse meu grande amor num conto de fadas e eu não quis mais acordar daquele sonho.
No domingo, enquanto todos dormiriam até tarde, acordamos cedo. Era hora de ir embora e não deu tempo para despedidas. Apenas tomamos um café rápido e o bonitão me levaria para a rodoviária. mas, ao contrário do que imaginamos, veio conosco a mulher que não desgrudou de nós o tempo todo, na chácara. Ela pediu carona e não tivemos como negar. Falando demais, ela impedia que nos beijássemos como antes e acabei ficando calada o tempo todo. Quando ela enfim desceu do carro, fomos esperar pelo ônibus que só sairia duas horas depois. Para passar o tempo, resolvi que aquele seria meu grande momento. Acho que daria tempo de curtir minha primeira vez com alguém que eu acabara de conhecer, mas que havia sido tão especial. Após a decisão, procuramos a chave da casa e só então lembrei que havia deixado com a mulher para devolução ao dono. Foi outro gesto meu, de burrice, em tão pouco tempo.
No meio da estrada, relembrei em detalhes todo aquele romance e teria certeza de que me casaria com aquele homem, que reunia tudo o que uma mulher sonha encontrar. E dois dias depois, já em BH não suportei a saudade, liguei e resolvi encontrá-lo no fim-de-semana seguinte, o primeiro de muitos. Para quem não sossegava com paixões, fiquei enlouquecida e nosso relacionamento passou a ser visto pelos amigos como um possível casamento. Mas, de uma hora para outra a relação esfriou e nunca mais apareci na cidade com a intenção de ver aquele rapaz.
Nunca mais o reencontrei aquele cara e nem soube da sua vida, até que no ano passado, ao visitar um parente, no meio de uma conversa, seu nome, que não é muito comum, foi citado como um marido que dá trabalho para a esposa. Curiosa, fiz perguntas, quis saber a idade, onde morava quando solteiro, e o que faz hoje, etc. Não havia dúvidas de que era ele. Sim, o bonitão, tão romântico, gentil, divertido, respeitador, se mostrava agora, um desalmado com a família, que traía a mulher sem o menor pesar. Fui, então, ao mesmo tempo, no passado e no presente, de uma maneira terrivelmente rápida. Fiz comparações, me coloquei no lugar da esposa e dos filhos, imaginei como o bonitão estaria agora, se ainda lhe valia este apelido.
Decididamente, aquele homem não servia para mim, pois era o contrário de tudo o que desejei. Um dia ele leu as minhas mãos e previu um futuro que não se concretizou. Ainda bem. e ao invés de arrependimento ou frustrações, agradeço pelos seus desacertos com relação à mim. Talvez suas previsões até estivessem certas, mas com a pessoa errada. Eu não me casei com aquele Casanova, nem tive filhos seus e foi o destino que não quis. Não sou infeliz porque não me casei com o bonitão. Sou feliz por não tê-lo em minha vida!

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Beijos, Carla Vilaça