terça-feira, 6 de março de 2012

Se não resolve, não sai do pensamento!

Quando criança, eu passava as férias em Divinópolis e alternava as noitadas entre a casa da minha avó e a das minhas amigas de infância, no bairro onde morei. E foi num mês de julho que conheci um menino que me deixou apaixonada. Me lembro vagamente de seu rosto, mas não das cenas românticas que protagonizamos. Acho que a paixão aconteceu ao sermos apresentados um ao outro. Durante o dia eu pensave nele, mas à noite, eu dormia cedo, e muitas vezes acordei com seu chamado. Tímida, nunca tive coragem de lhe responder. E foi essa timidez que atrapalhou um possível namoro, que se tivesse acontecido, teria sido muito bom.
Estas férias foram as mais deliciosas da minha pré-adolescência. Eu estava com 12 anos e começava a ter fantasias com possíveis namorados. A vida, então, se tornara mais colorida, com novas possibilidades no campo do amor. Aquela situação significava a realidade representada pelas novelas e filmes, que eu tanto assistia. Eu me preparava, agora, para beijar, abraçar, trocar olhares. Então era assim que vivia uma mulher adulta!!. Como era bom despertar interesse!
No dia de voltar para BH, eu usava tranças no cabelo e a roupa toda azul-claro, inclusive a meia com tamancos (ainda bem que essa moda passou). A despedida do Gilson se deu de forma fria. Ele, brincando num galho de árvore em frente a sua casa (ele tinha apenas 15 anos), sorria para mim. Cláudia, minha amiga, abraçava a mãe dele, dizendo que ela não se importaria com um beijo entre nós dois. Envergonhada, só olhei para ele e falei tchau. E segui andando. Assim como nas histórias fictícias, eu pensei em voltar, mas não olhei para trás. Segui meu caminho com um aperto no coração, me punindo pela falta de coragem. Meu consolo era que nas férias seguintes eu reencontraria aquele garoto. Mas, poucos meses depois ele mudou-se de casa e nunca mais o vi.
Gilson, segundo minhas amigas, sempre perguntava por mim e ficou solteiro por muitos anos. Quando eu estava sozinha, procurei saber dele. Era tarde. Ele havia se casado há poucos meses. Alguns anos depois, foi a minha vez de casar. Não há amor entre mim o Gilson. Mas, foi um romance que nunca aconteceu, entre dois adolescentes e que ficou mal resolvido. Talvez por isso tenha sido tão marcante. A última imagem que guardei do Gilson, foi de costas. Eu e minha amiga Cristina, fazíamos compra no centro de Divinópolis quando o vimos em frente ao balcão da loja onde trabalhava. Usava calça jeans e camisa amarela de malha. E ele? Como se lembra de mim? Aliás, ele se lembra de mim?...

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Beijos,

Carla Vilaça