sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Paixão, não! Mas, ô saudade!!!

Num ponto de ônibus, no centro da cidade, vi minha professora de estilismo, e fiquei observando-a de longe. Vinte anos depois, ela parecia a mesma pessoa, pelo menos no jeito de se vestir. Fiquei pensando se sua vida mudara, se conseguira um novo amor, já que naquela época, enquanto desenhávamos, ela suspirava e repetia: "Paixão não, mas ô, saudade!!! A frase, bem como seus trejeitos, foi repetida por nós, alunos, inúmeras vezes, na despedida do curso, num barzinho, enquanto dávamos boas gargalhadas. E nunca mais saiu da minha cabeça. Sempre que alguém entrava na minha vida e deixava saudades, eu repetia a frase à mim mesma. A paixão ia embora, mas restavam sentimentos afetuosos. E foram muitas em minha vida.
Nunca fui de namorar sério, gostava de sair e de "ficar" com alguns garotos, nada muito comprometedor, que me levasse a casamento ou a filhos indesejados. Casamento, no meu entender de adolescente, era para a vida toda. Hoje, casada, já não penso assim, mas me esforço para manter minha vida ao lado do meu marido, pois sei, na prática, o quanto a relação a dois é difícil. E, por mais que se tente, não há como apagar o passado. Quem passa pela nossa vida deixa marcas, que podem se transformar em saudades ou em decepção. E são os relacionamentos mais longos que mais decepcionam, pela proximidade do casal, pela divisão de intimidades e manias, pelas cobranças e sentimentos pouco nobres, como ciúme.
Meu primeiro namorado sério era dez anos mais velho do que eu, e me encantou pela gentileza e atributos físicos. Eu estava me tornando uma mulher, e ele já era um homem feito. Como ele morava no interior de Minas, nos encontrávamos nos finais de semana. Ficamos juntos por uns dois anos, até eu descobrir que ele era noivo e terminar tudo. Apesar do sofrimento, foi melhor assim. Dividir alguém que se ama com outra pessoa, é muito humilhante. Foi uma experiência única e dolorosa. Alguns anos depois, já casado, ele me ligou e me convidou para sair. Neguei o convite, dizendo que eu estava em outra relação. Para me convencer, ele relembrou o que vivemos juntos e dos passeios que fizemos. Confirmei que fomos felizes, mas que tudo virou apenas lembrança. Ele realmente foi um homem que gostei bastante. Mas, faz parte do meu passado. Neste caso, não há paixão, e sequer deixou saudades!!!

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Beijos,

Carla Vilaça