quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sozinha, mas tranquila!

Na última segunda-feira, 12 de junho, foi o Dia dos Namorados, e como estou sozinha há um ano, não tive o que comemorar, nem à quem agradar, mas achei que merecia um presente e hoje me fiz um agrado numa livraria, comprando cinco livros de uma vez. Como leio muito rápido, eu os devoro em pouco tempo e daí a quantidade. Mas, deixando a desculpa de lado, sou exagerada mesmo. Tudo meu é muito, é grande, é excêntrico. Meu pai diz que sou uma pessoa de atacados e nunca fico satisfeita com apenas um objeto, quando vou às compras. E esse exagero, logicamente, não se dá apenas no plano econômico. A quantidade faz parte do meu comportamento e norteia a minha vida, infelizmente, na maioria das vezes, de forma negativa. No entanto, não há como mudar porque me acostumei como sou e me gosto assim. Não exijo que me amem, mas primo pelo respeito em qualquer relação e nesse amor comigo, me dou ao direito de fazer as minhas vontades em datas especiais, quando não há ninguém para me fazer um mimo. 
Antes que me julguem pela minha separação, aviso que estou melhor hoje do que antes, apesar da solidão. Eu me basto em preocupações de mãe e de dona-de-casa-com muitas-tarefas-para-fazer, esbarro na falta de tempo e me iludo acreditando que são estas as justificativas para não buscar um novo companheiro. Mas, a verdade é que odeio sair para baladas e não sei mais paquerar. Quanto a colocar outro homem na minha casa é uma situação que não cogito porque tenho filho pequeno e não acho correto tirar a nossa liberdade com intrusos. Se um dia eu me apaixonar novamente, será da porta para fora.
A solteirice, situação em que me encontro, não é apenas um capricho, mas uma necessidade de encontrar a felicidade, sem um homem ao meu lado. Divorciada, já não tenho preocupação com romantismos e sim com os afazeres e contas à pagar. Não me culpo pelo rumo que tomou a minha vida. Simplesmente acredito que ela segue um ritmo próprio, independente das nossas vontades. O destino é uma música que toca sozinha, em tons que ela mesma escolhe e que nem sempre nos agrada. Fui muito feliz no início do meu casamento, mas dez anos depois a relação estava péssima e não sou de arrastar relacionamentos, se eles não estão mais interessantes para mim. Casamento é ótimo quando se dividem as obrigações e prazeres. Quando é satisfatório apenas para um dos lados, vira uma relação desagradável.
Para minhas amigas casadas, infelizes com seus maridos, fui corajosa pedindo o divórcio e abandonando meu marido no apartamento onde morávamos. Porém, não vejo assim. Percebo a situação como uma liberdade, não desejada, mas imprescindível para o meu bem-estar. Eu estava há doze anos com meu ex-marido, entre casamento, namoro e noivado e a relação havia se desgastado com a rotina e os problemas diários. Eu percebia nele uma falta de paciência comigo, um estresse fulminante e uma exigência exagerada com a limpeza da casa, num mandonismo sem limites. Contudo, ninguém manda em mim. Não sou submissa a homem algum desta Terra. É a minha personalidade. Tenho a alma solta como um pássaro de asas longas e ao menor sinal de prisão, faço voos rasantes em direção ao arco-íris e dali só saio ao avistar um porto seguro.
Quando eu era adolescente minha mãe ficava muito nervosa com a minha rebeldia. Eu era diferente das minhas irmãs, difícil de ser domada e respondia à altura suas imposições. Com personalidade forte, eu embirrava e fazia o que acreditava ser o correto. Levei muita surra, ouvi muito sermão e hoje sou admirada pela maneira de ser, pela firmeza com as minhas decisões e com os meus discursos de mulher liberada, que sabe o que diz e o que faz. Sirvo de exemplo para muitas pessoas e vivo dando conselhos em relação à felicidade sem um homem ao lado (como se eu soubesse realmente ser felicíssima sozinha).
Mas a verdade é que adoro uma paixão e esse é o meu calcanhar de Aquiles. Me desdobro por amor e acredito ainda em príncipes encantados, daqueles românticos, que tiram a princesa da pobreza e a leva para seu castelo. Isso também está em mim, não há como tirar. Tenho plena consciência desta fantasia, mas não a desconstruo, por incapacidade mental. Evidentemente que esse ser maravilhoso, contrário a todos os estereótipos do machista, jamais existirá, mas em meu subconsciente ele está mais vivo do que nunca. Eu não o aguardo como uma Cinderela a caminho da realidade, ao sair do baile em que dançou a noite toda com vossa majestade. Eu encaro este príncipe como o ser mais simples do mundo: um homem sensível, que encontre em mim qualidades que eu mesma não enxergo. Não precisa ser lindo, sarado, nem rico, ou acadêmico. Não exijo isso. Desejo apenas ser admirada, exaltada e amada. Ainda não encontrei essa pessoa, mas não estou à procura. Se não for para ser ótimo, que seja do jeito que está. Estou tranquila com a minha vida. Talvez como nunca estive nestes últimos 12 anos.


Beijos,




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Beijos,

Carla Vilaça