segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O casamento como sagrado!

Sacralizar as relações humanas é comum, principalmente em relação ao casamento, mas somente agora, separada, é que pude perceber, na pele, a resistência das pessoas em não aceitar que a união amorosa terminou. Fiquei casada por dez anos e fui feliz em alguns momentos, mas infeliz em muitos outros, o que não justificaria vivermos sob o mesmo teto. Decidi pelo divórcio depois que nosso filho nasceu, mas a decisão efetiva aconteceu no início deste ano e em poucos meses já estávamos separados. Não foi fácil, mas agora é o momento de mudanças. Até hoje não voltei ao nosso apartamento antigo, onde meu ex-marido continua morando, mas ele frequenta a minha casa diariamente e a nossa relação melhorou, pois o diálogo, que antes já não existia, passou a ser constante. Se eu já não me importava com ele, passamos a ser amigos e o espero para o jantar, enquanto conversamos sobre o nosso dia. Inicialmente era inevitável a troca de olhares, mas agora estamos sabendo separar as situações. 
Meu ex-marido ainda não contou para a família que nos separamos, enquanto eu já relatei detalhes sobre o término da nossa relação. Embora eu seja muito passional, raramente minhas decisões têm volta e por anos a fio eu ameacei com a possibilidade do divórcio até que tomei a atitude que acreditava ser a ideal. E ainda não tenho certeza de que foi mesmo uma boa opção, mas o fato é que estou mais tranquila. 
Mesmo não sendo muito grudados, os amigos insistiam na reconciliação e me apresentavam uma vida difícil sem a presença masculina: "A vida sem homem em casa não é boa", "Deixa dessa besteira e vá levando..." ou "Ruim com eles, pior sem eles". Logicamente eu percebia a boa intenção em me proteger, mas também observei a dificuldade dos que estão de fora do relacionamento, entenderem que ele já terminou e que não há mais volta. É como se realmente o casamento fosse uma instituição tão sagrada que nada é capaz de abalá-lo.  
Quarenta anos depois que o divórcio foi aceito no Brasil, ainda há preconceitos com relação ao fim do casamento. Vejo pessoas que permanecem unidas por várias questões: sexuais, amorosas, interesse econômico, preocupação com os filhos, etc. É verdade que tudo isso deve ser levado em consideração, mas uma vida não vale sofrimentos em conjunto e a insistência pode levar a feridas ainda mais profundas. Ainda estou estranhando ter que tomar certas providências que antes faziam parte da rotina masculina, mas comecei a me transformar. Me sinto mais segura, já que agora sou eu, apenas eu que toma as decisões em casa. Talvez por isso eu esteja me sentindo mais mulher, mais capaz, mais segura do que já sou. Meu foco mudou, estou mais centrada no meu papel de mãe e de dona-de-casa que trabalha e que tem um filho para criar. Não é de uma hora para outra que deixarei de ser o que fui para me tornar uma outra pessoa.

A mudança, interna e externa, acontece aos poucos, mas está me fazendo bem. Hoje sou dona do meu dia, do meu lar, da minha cama e dos meus lençóis. Por enquanto somente eu e meu filho podemos deitar nela. Meu coração está fechado para balanço e joguei a chave fora. Quando será reaberto ainda não sei, não faço planos amorosos. A vida é assim mesmo: amores que se vão, outros que vêm e nunca sabemos se vai durar para sempre ou não. Se for para ficar sozinha, ótimo. Se for com outro homem ao meu lado, maravilhoso. Me casar foi uma experiência deliciosa. Só terminou antes do previsto. Confesso que pensei mais para me casar do que me separar. Afinal, eu tinha a minha vida, meus livros, meus objetos pessoais e era estranho dividir minha rotina com o outro. Hoje, passada a fase da assimilação e acomodação, vi que foi um ganho, principalmente porque dessa relação nasceu o meu filho. Agora é só me adaptar à nova rotina, sem o meu ex-marido, mas estou me saindo bem com esta "nova empreitada", como ele mesmo diz. Estamos felizes, eu e ele. Só que separados. Não vejo nada pavoroso como as pessoas enxergam. Prefiro ser feliz sozinha do que infeliz acompanhada. Simples assim!

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Beijos,

Carla Vilaça