quinta-feira, 28 de abril de 2016

A liberdade que não desejei!

Sou movida a paixões e sofro com o fim de relacionamentos amorosos. Mas não por muito tempo. Tenho o costume de simplificar tudo, às vezes até coisificar as situações e os meus sentimentos para que eles se tornem menos dolorosos e mais fáceis de serem digeridos. E tenho a particularidade de esquecer e nunca mais desejar encontrar a pessoa que um dia amei demais ou à quem fui objeto de desejo e paixão. É como se eu fechasse uma página e não abrisse para nova leitura, certa de que muitos autores ainda me aguardam em prateleiras de livrarias novas ou antigas. Para me desnudar de amores passados, eu me desfaço de fotos e outras lembranças, e não ouço músicas que fizeram parte de nosso romance, nem comentários a respeito de quem um dia, fez parte da minha vida. E assim, pelada de sentimentos, permito que o meu coração se interesse por um novo amor que por ventura possa surgir.
Dia do meu Noivado
Mas, depois de dez anos de casada não estou interessada em me apaixonar novamente, não apenas porque ainda sou louca pelo meu marido, mas porque quero ficar um tempo solteira. Enquanto os papéis do divórcio não saem, me preparo para a nova vida que encontrarei pela frente. Será um desafio não ter o meu companheiro ao meu lado, diariamente, e nem dividir com ele as responsabilidades domésticas e o cuidado com o nosso filho. Não terei com quem reclamar se o lixo não foi colocado para fora, não poderei esperá-lo para trocar a lâmpada queimada ou consertar o esgoto que estourou. Também não terei a quem perguntar quando uma roupa ficou boa em mim ou pedir que me leve ao médico se acaso eu passar mal. Em compensação, estarei livre para fazer o que desejar sem ser cobrada por isso. Poderei lavar a vasilha do almoço no dia seguinte ou passar a madrugada inteira costurando ou escrevendo. Também não precisarei visitar familiares que não são meus e nem rir em festas em que comparecia apenas por educação.
A solteirisse é uma liberdade que eu não desejava tão cedo. Gosto de estar casada, não nasci para ficar sozinha, mas tenho que aceitar que a relação se desgastou, não pelo tempo apenas, mas por nossos temperamentos tão diferentes. Meu marido é da noite, gosta de sair com amigos e adora viajar. Para ele, a vida é uma aventura que deve ser vivida com plenitude. Quanto à mim, sou diurna e caseira, detesto viajar e só compareço a festas familiares. Logicamente que já conhecíamos os jeitos de ambos, mas na época do namoro os contrastes não eram tão gritantes ou não perturbavam muito, porque o nosso encontro se dava apenas nos finais de semana.
Quando conheci meu marido não me apaixonei de cara, mas aos poucos a atração foi se tornando enorme e hoje ela é inigualável e talvez por isso eu encontre dificuldades em pensar em um novo amor. Parece contraditório que eu não queira ficar com ele apesar da paixão, do amor e da admiração pelo homem que ele é, pelo amigo fiel, pelo filho adorado. Mas, é que tudo isso ele é com os outros, não comigo. Sinto falta de diálogo, de carinho, de atenção. Suas saídas noturnas e viagens, por diversão ou a trabalho me deixam insegura e preciso de segurança para me sentir amada. Nossas brigas por ciúme não nos fazem bem e acabam machucando nossas almas. Preferi tomar a decisão do divórcio para não me angustiar mais. E, pensar no meu marido em outros braços será um sofrimento que terei que lidar com sabedoria. Para esquecê-lo, já comecei abrir a página do meu livro de amor. Ainda estou no começo da leitura e pode ser que ela dure a vida inteira. Mas, no que depender de mim, estou pronta para o página seguinte. Quem sabe eu não leia um novo romance?

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