sábado, 12 de outubro de 2013

É muito pitaco na Educação!!!

A escola virou terra de ninguém, desde que a família passou a invadir um espaço que antes pertencia as educadores e alunos. A ideia, a princípio muito boa, era propor uma interação entre as duas instituições. No entanto, virou uma bagunça. Alguns pais entenderam que a escola é deles, e que seus filhos são os melhores do mundo. Já o professor se tornou o vilão dos colégios. À ele pouca coisa é permitida: não pode falar a verdade em seus relatórios, não pode reprovar seus alunos, nem chamar a atenção deles. Se o fizer, torna-se uma vítima em agressões físicas, psicológicas ou paga com a própria vida, em assassinatos banais.
As escolas ainda não chegaram à uma conclusão sobre a melhor forma de ensino, e vivem fazendo experiências com cada proposta nova de algum estudioso. São várias correntes, como o construtivismo e a Escola Nova, por exemplo. Todas são bem-vindas, mas o que nunca se deve esquecer é que cada professor ensina de um jeito próprio, baseado em seu histórico de vida. Por isso, por mais que se dê palpites na educação, ela é um sistema muito particular. E tem mudado muito ultimamente. A meu ver, a queda do vestibular foi a melhor inovação, uma vez que nem todos os estudantes têm condições financeiras de fazer cursinhos preparatórios para as provas, e isso acabava sendo uma forma de discriminação. Atualmente, qualquer aluno pode frequentar as aulas de uma faculdade pública, o que antes era privilégio de poucos. Além do mais, a universidade, assim como as escolas, não garantem um ótimo profissional no futuro.
São muitas inovações e pitacos de quem entende muito ou pouco de educação, mas o certo é que, se ela evoluiu no campo do saber, ficou atrasada na área do humano. Muito utilizada como barganha em campanhas políticas, a educação perdeu seu foco principal, quando o governo passou a pagar bolsas às famílias para que seus filhos fiquem nas escolas. Ora, a frequência da criança ou do adolescente em sala de aula também não é garantia de um bom estudo. Ao contrário, o aluno que não deseja estudar, fica perturbando as aulas, ou seja, ele está presente por obrigação, não por prazer. E educação não se faz desta forma. O governo também acredita que a escola é o melhor lugar para a criança ficar durante todo o dia, evitando assim, que ela fique na rua e se envolva no crime ou seja vítima de abusadores. Mas, esta também não é uma solução. A escola não é depósito de humanos e não deve ser usada para preencher o tempo ocioso, nem tirar da família a responsabilidade pela criação de seus filhos.
Há cerca de dois meses o apresentador Ratinho me irritou ao reclamar que só no Brasil as escolas são suspensas em caso de intempéries. Ele dava o exemplo do Rio Grande do Sul, que fechou as escolas por causa da neve no local. É esta ignorância que permite uma visão errada da educação brasileira. Em alguns países, isso é perfeitamente normal, já que o frio exagerado coloca em risco a vida dos alunos e dos professores. Aos 15 anos tive uma colega portuguesa que estranhava o fato de termos aula todos os dias. Em Portugal, segundo ela, as aulas eram suspensas em caso de neve forte por até um semestre.
Antigamente, as aulas no Brasil terminavam em novembro, e os aprovados no terceiro bimestre poderiam sair ficar em casa, sem prejuízo nos estudos. As férias aconteciam três meses por ano e todo feriado era emendado. Hoje, as aulas, que eram de 180 dias passaram para 200, inclusive aos sábados. Não sei o que o país ganha com isso. O que importa não é o tempo que a criança fica na escola, mas o conteúdo escolar. E há alguns anos, a criança passava a frequentar o ensino fundamental aos sete anos, depois passou para seis anos, e agora, por determinação de um juiz, aos cinco, a partir de 2014. Todas estas determinações nos chegam através de liminares e leis, que não concordamos. No Brasil, todo mundo intromete em tudo. Em relação à Educação, por exemplo, nós professores somos os menos questionados. Dá a impressão de que nada sabemos. Que apenas os artistas, os estudiosos e o governo é que sabem demais. Os discursos e propostas podem ser lindas no papel, mas na prática se tornam aberrações!

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