quinta-feira, 18 de maio de 2017

Me diga que sou linda???

Arrumar a casa não é uma tarefa das mais prazerosas nem das mais fáceis. É cansativo, desgastante, e repetitivo, porque não há um fim na sujeira que produzimos diariamente. E os serviços geralmente são muito pesados, o que significa que é preciso ter disposição e tempo para a arrumação. E, como nós, mulheres, somos muito detalhistas, costumamos dividir as tarefas por dias da semana para que a limpeza seja completa. Eu não sou apaixonada por faxina mas não há quem faça o serviço de casa para mim e portanto, não tenho escapatória. Quando eu era casada, de vez em quando meu ex-marido me ajudava lavando vasilhas ou colocando a roupa para bater na máquina. E depois ia descansar assistindo televisão, enquanto eu ia passar a roupa, arrumar os guarda-roupas e lavar os banheiros. Me irritava vê-lo ali, deitado no sofá, enquanto eu me desdobrava para dar conta de tudo.
Era esse um dos motivos das nossas brigas e muitas vezes, deixei tudo pelo meio do caminho e saí, com raiva do machismo do Humberto, que acreditava que as mulheres tinham a obrigação pelos afazeres domésticos. Não adiantava conversar. Nossos pensamentos não se combinavam e passamos, então, cada qual cuidando de seu próprio guarda-roupas e por fim, fomos dormir em quartos separados. Dessa separação de corpos nasceu a ideia do divórcio e fui eu a tomar a iniciativa, já que ele não queria sair de casa. Já sem conversarmos há muito tempo, nos despedimos com um abraço, ele me desejando boa sorte na minha nova empreitada, e eu fingindo que estava tudo bem.
Mas, apesar de doloroso, o divórcio me fez bem. Estou ainda mais segura de mim, tive que aprender a pagar as contas com código de barras (sou das antigas e era meu ex-marido que fazia isso), e o mais importante: não posso culpar ninguém pela casa bagunçada, a não ser eu mesma. Como o apartamento em que estou morando é menor, num único dia termino a limpeza e ainda dá tempo para ver TV, exatamente como o Humberto fazia. No mês passado fui visitá-lo e percebi que não há tanta limpeza como ele exigia, ou seja, o mandonismo perdeu a graça. Se antes meu ex-marido tinha alguém para xingar e culpar pela falta de faxina, hoje isso depende dele, que ao que parece, não está muito preocupado com isso.
Em compensação, a casa em que estou morando vive arrumada e limpa, a não ser por conta do meu filho que ainda é pequeno e muito bagunceiro. Consegui organizar os papéis e roupas e a cada semana faço uma limpeza mais profunda. Não sei se um dia me casarei novamente, aliás acho pouco provável que isso aconteça, mas se ocorrer de juntar novamente as escovas de dentes com outro homem, serei mais firme, colocando desde o início as responsabilidades dos dois num quadro de avisos. O primeiro item seria: a casa pertence ao casal, portanto, os dois devem mantê-la limpa. Segundo: mulher não é diferente de homem e os dois têm os mesmos direitos e deveres. O último seria: ao invés de cobrar, faça a sua parte. E não se esqueça: dê um beijo de boa noite em sua mulher e diga à ela o quanto é linda, a admira e a ama! 


Um beijo.

Carla Vilaça

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Beijos, Carla Vilaça