domingo, 26 de fevereiro de 2017

Elisa sumiu, mas os suspeitos estão soltos!

No Brasil, o sistema prisional é uma dádiva concedida aos bandidos, que matam, roubam, estupram, corrompem, torturam. As penalidades, muito brandas, não servem como métodos pedagógicos, mas sinalizam que o crime compensa. É como passar a mão na cabeça do filho que cometeu besteiras, ao invés de lhe aplicar um castigo. Prisão não é hotel e quem comete um crime não deve ficar livre, mas encarcerado e pagar pelos próprios erros. A questão é quanto tempo de prisão o transgressor deve pegar, e não soltá-lo ou diminuir a pena por bom comportamento, ou ainda reduzi-la a um terço. A Justiça não deve ser uma madrasta, mas também não pode ser uma mãezona, daquelas complacentes e excessivamente permissivas e carinhosas. Afinal, quem comete irregularidades não sabe se comportar diante da sociedade, e é para estas pessoas que servem as cadeias.
As leis existem para serem cumpridas, e a punição, para valer, precisa ser aplicada com rigor e não se deve abrir brechas para os bonzinhos que se comportam como atores na cadeia. Cientes de que terão a pena reduzida por bom comportamento, assassinos se tornam, de repente, cavalheiros dignos de filmes como "Os Três Mosqueteiros", em que o vilão é visto com orgulho, porque apesar de cometer irregularidades, têm um bom coração. Não há empatia em crimes, principalmente os bárbaros. Um assassino não pensa nos familiares da vítima, nem no sofrimento das mães com a perda de seus filhos nas suas mãos nojentas, imundas, por vezes, sujas com o sangue de quem acabou de matar. É vergonhoso aceitar que quem tira a vida do outro merece perdão.
A Justiça é mãe quando justifica a soltura de certos presos  sob o argumento de que "não apresentam riscos à sociedade" ou que "fulano não tem antecedentes criminais". Ora, qualquer pessoa pode matar, seja em legítima defesa ou por raiva, ciúme, ambição, inveja. E, para cometer um crime pela primeira vez, não é preciso ter um histórico assassino. Não podemos nos esquecer de que há sempre uma "primeira vez", até mesmo para os serial killers (assassinos em série). A intenção da Justiça não deveria ser a compreensão psicológica do assassino, mas aplicar a penalidade de acordo com o crime e não é isso o que vemos, no Brasil, comumente. Essa facilidade envergonha o sistema judiciário e favorece a violência.Tirar a vida de alguém e depois se comportar como um príncipe não é ser um bom garoto: é cinismo!
Têmis: um dos símbolos da Justiça
Ontem, mais uma vez o Brasil se viu chocado com a Justiça, quando o goleiro Bruno foi solto, depois de sete anos de prisão, pela morte da modelo Elisa Samúdio. Ele e o amigo, Macarrão, foram acusados de sequestrar a moça, mandar matá-la e sumir com o corpo dela (que teria sido dado a cães ferozes). Nenhuma prova concreta foi apresentada contra eles, apenas indícios de um suposto crime, já que o corpo jamais foi encontrado. Macarrão já estava livre e agora é Bruna quem volta à sociedade, depois de viver os horrores da prisão.
O Brasil é cheio de contrastes, principalmente em relação à Justiça e ao sistema carcerário, este separado por critérios que causam aberrações. Enquanto algumas cadeias são imundas, sem banheiro e lotadas de presos, outras, limpas e com certo conforto, são reservadas a criminosos famosos ou que possuem curso superior, favorecendo uma segregação por conhecimentos e cargos públicos. Mas, por outro lado, encontramos prisioneiros cujas penas ultrapassaram sua penalidade, mas por falta de advogado, continua preso e privado da mesma liberdade concedida a outros. Dá para entender? Não, não dá. É confuso demais.
Quem mata não está preocupado com as consequências de seus atos. O assassino pensa apenas em si no momento do crime. E é por este ato que se deve julgar, e não pelo que a pessoa foi ou será. Logicamente que há casos em que a legítima defesa deve ser levada em conta, mas até nisso é preciso ter cautela, pois do contrário, a matança seria exagerada, sempre com desculpas e justificativas variadas, que tanto podem ser verdade como mentiras deslavadas. Nós, cidadãos comuns desconhecedores a fundo das leis, vemos de fora os casos e os julgamos de acordo com os nossos conhecimentos e valores e por isso, muitas vezes, agimos com as próprias mãos, incrédulos na Justiça. 
É preciso não só condenar ou liberar presos, mas avisar à população, em detalhes, o porque das decisões. Temos ao menos o direito de entender tais providências porque, se não somos juízes oficiais, fazemos julgamentos a todo momento.  Infelizmente, nem sempre o que julgamos é correto, segundo a legislação. Mas, acreditamos que o que aqui se faz, aqui se paga. É o nosso senso de Justiça, baseado no que vivemos, no que somos, no que aprendemos.

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Beijos, Carla Vilaça