quarta-feira, 27 de julho de 2016

Há muita faxina a fazer no cômodo do amor!


Às vésperas de comemorar uma década de casamento, decidi me divorciar. O relacionamento, no início cheio de romantismo, se tornou frio e nos distanciou. Houve várias tentativas de reconciliação, e muitas entre idas e vindas, achei melhor acabar com a nossa história, sem me deixar enganar pelas aparências ou pelos sonhos de uma união feliz. O dia-a-dia não é fácil porque a rotina corrompe, como ferrugem, as vigas frágeis que sustentam o casamento. Quando a vida do outro já não faz falta, é bobagem tentar uma volta. Isso quer dizer que quando a relação está desgastada e os defeitos substituíram os carinhos e os elogios e qualquer palavra dita se torna uma ofensa, é melhor abandonar a relação sem olhar para trás.
Foi o que eu fiz. Mesmo amando o Humberto, preferi viver sem ele a ter que lembrá-lo de que existo e que sinto  sua falta toda vez que ele sai para beber e jogar com os amigos e custa a voltar para casa. Me sinto substituída por pessoas que não fazem parte do nosso cotidiano e que interferem tanto, negativamente, em nosso compromisso de amor eterno. Sou muito caseira e desde que me casei só saía na companhia do meu marido, por isso nunca compreendi esta sua necessidade de liberdade.
Conheci o Humberto em 2004 e dois anos depois nos casamos. Como todo casal, passamos por momentos difíceis, mas não se mede o amor pelo tempo ou pelas amarguras. Também não se adivinha o futuro e por isso fazemos planos que acreditamos dará certo. Entretanto, meu casamento não foi o que pensei e por isso não havia outra saída a não ser o término da nossa relação.
Ter pedido o divórcio, aos olhos do meu marido, foi uma ofensa. O Humberto não imaginava que eu tivesse coragem de me separar, pois tem certeza do meu amor por ele. Está correto, mas ele se esquece que também me amo e que preciso me preservar das pessoas que já não me fazem felizes. Ainda moramos juntos e a convivência não é agradável, mas fazemos um esforço enorme por causa do nosso filho, que ainda é pequeno e precisa da nossa proteção. É pensando nele que estamos juntos, em casa, mas separados na cama e na vida.
Nosso casamento em 2006
Ser solteira novamente me dá uma liberdade que eu não queria tão cedo. Estou acostumada a uma companhia masculina no meudia-a-dia e dormir sozinha não é uma atitude das mais agradáveis, depois de tanto tempo sentindo o cheiro da outra pessoa no travesseiro. Mesmo separados eu e meu marido (ex-marido, quer dizer) tentamos mais uma conciliação que não deu certo porque ele insiste em cometer os mesmos erros e eu não quero isso mais. Embora eu tenha sofrido com o divórcio, me sinto aliviada. O Humberto é um grande amor, um homem cheio de qualidades que não merece ser esquecido. Só não serve para mim, para as minhas demandas. Sei que um dia encontrará uma mulher fantástica que o fará muito feliz, assim como fomos um dia. Quanto a mim, não espero nada de ninguém e não estou preocupada em viver com outra pessoa. Tenho muitos planos, que é o que movimenta os nossos dias, mas não estou preocupada com assuntos do coração.  Quero paz, por enquanto. Amor de verdade não se aguarda. Ele chega de mansinho e toma um lugar especial em nossa alma. Por enquanto, não quero paixões nem amores. Meu coração está fechado para balanço e joguei a chave fora. Não me peçam para procurá-la, por favor! Estou muito ocupada no momento, com a faxina da minha mente. Ela está lotada de lembranças que pretendo limpar o mais rápido possível, e comecei pelo lado mais difícil: a do amor!
 

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Beijos,

Carla Vilaça