quarta-feira, 30 de setembro de 2015

As amizades e os interesses!


A vida se descortina a cada fase do ser humano, como um mar de oportunidades, abrindo um leque de sonhos que, talvez, jamais se realizarão. Ainda assim, os devaneios fazem parte do cotidiano e é isso o que nos movimenta, esquentando o sangue e a cabeça com ideias que variam entre a realidade e a ficção. Baseado nisso, sem termos noção do que acontece dentro de nossos corpos, vamos vivendo os dias, planejando os desejos, torcendo para que se concretizem. E, a princípio, quando ainda somos muito jovens, não sabemos direito o que queremos, ficamos atentos aos detalhes, ampliando e reduzindo nossa percepção, de acordo com os sentimentos e anseios, com o que doamos e recebemos em termos de sentimentos. Assim, tendemos a copiar quem admiramos, ou nos afastar de quem nos trata mal. Contudo, me contradizendo, faço isso até hoje, já na maturidade, descartando da minha vida, gente ruim, amarga e desencantada. Procuro na minha convivência, e nem sempre isso é possível, pessoas educadas e bem-humoradas, "descartando o lixo", em cada recipiente, de acordo com as amarguras pessoais, como se meu cérebro fosse dividido por decepções de graus variados.
Quando eu trabalhava com eventos, conheci uma menina que me ajudou muito, me indicando trabalhos e agências, e sou grata à ela até hoje. No entanto, seu azedume me fez tirá-la da minha vida, ao me destratar, certa vez, ao telefone. Eu havia ligado para confirmar seu endereço para um cartão de natal e acabei tirando-lhe o seu sono. Ela não gostou e foi grosseira. Ainda assim, enviei o cartão, e alguns dias depois, ao recebê-lo, ela me ligou para agradecer. Ao saber que era ela, mandei um recado bem alto: "diga que não estou". Nunca mais nos vimos e jamais me arrependi do que fiz. Sei a história de tristeza daquela garota, pois eu era sua confidente, mas não foi elegante o que ela fez comigo. Aquele cartão continha palavras sinceras, de um agradecimento profundo, mas acabou servindo para por fim numa amizade de alguns anos.
Essa não foi a única amiga que me decepcionou, mas aquela situação serviu para que eu entendesse que era hora de mudança, e para compreender que nem sempre as pessoas são o que desejamos que elas sejam. Em agradecimento, eu cheguei a acompanhar aquela menina em viagens com amigos (dela), frequentei festas que não gostei (com conhecidos dela), e deixei de namorar, tantas vezes, para ouvir suas lamúrias. Não era uma relação de reciprocidade, mas de interesse por parte dela e só entendi isso tempos depois. E, como sou muito radical, descartei de vez, esta e outras amizades profundas. Hoje, me relaciono superficialmente com conhecidos, raramente faço visitas e jamais recebo pessoas em minha casa. Confesso que sou mais feliz porque faço apenas o que desejo e não o que querem que eu faça. Ao chegar em casa, fecho a porta e não dou confiança sequer para os vizinhos que insistem em manter comigo uma cumplicidade que não desejo. E, desde que passei a me respeitar mais, me tornei mais madura ao menor sinal de boicote à minha vontade.
Uma das vantagens da maturidade é saber dizer não ao que nos faz infeliz. Ter poucos amigos é selecionar as pessoas que fazem parte da nossa vida, que torcem por nós, que não se aproveitam das situações em causa própria. Eu não perdi nada com aquela amizade desfeita. Fui e sou grata pela ajuda daquela "amiga", mas ao perceber que ela me tinha como um suporte, amadureci e tomei outro rumo da minha vida. Não sei o que ela faz hoje, se estudou, se casou, se teve filhos, se mudou o humor, mas a verdade, é que tirá-la da minha convivência me deu uma sensação de liberdade, de amplitude, de novas possibilidades. Eu já não precisava mais agradecê-la toda vez que ela me indicava um serviço. E por causa disso, também não quis ouvi-la, quando me ligou agradecida pelas belas palavras que escrevi no cartão.
Por mais gentis que sejamos, sempre vamos encontrar pessoas grosseiras, interesseiras, dissimuladas, que usam os outros para obter benefícios e favores. Já tive dezenas de amigos e hoje tenho pouquíssimos. Quando me encontram nas redes sociais pedem solicitação de amizade que tenho o prazer de negar. Pela minha experiência sei que não querem um contato amigo, mas uma curiosidade pelo que faço, se me casei, se tive filhos, se estou feliz. Uma destas "amigas" me cutucou três vezes na internet e senti um prazer enorme em recusar sua amizade, além de bloqueá-la para sempre. Tivemos uma amizade linda na infância e adolescência, mas não era sincero.  Embora com aparência de ingênua, era uma pessoa esperta, que conseguia extrair de mim, além de confissões, favores escolares, como um vampiro que suga o sangue com seus caninos enormes e afiados. Dos tempos idos, restaram apenas lembranças do que conversávamos na escola, das nossas diversões e descobertas. Não me interessa mais que ela faça parte da minha vida. Nem ela nem ninguém que não respeite os meus limites, que extrapolam e queiram me usar. Essa exigência me faz melhor, mais saudável por dentro. Que as minhas "amigas" sejam muito felizes, mas bem longe de mim. Tenho mais o que fazer e elas não se incluem em meus planos!






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Beijos,

Carla Vilaça