terça-feira, 25 de agosto de 2015

Porque os homens devem saber de tudo?

Os homens carregam uma carga muito pesada de responsabilidade sobre o que as mulheres desejam e esperam deles. Não estou colocando-os como coitados ou vítimas, mesmo porque são eles mesmos que nos oferecem uma imagem que nem sempre cabe à todos eles. Assim, imaginamos que nossos maridos, irmãos e pais entendam de eletricidade, de mecânica, e de matadores de insetos, pois são geralmente as nossas fraquezas ou assuntos que não dominamos. Por isso, muitas vezes, deixamos os "serviços sujos" para os homens da casa. E eles, na nossa imaginação altamente feminina, não permitimos que tenham medo de barata ou nojo e esgoto.
Quando me casei, há nove anos, eu peguei umas caixas no supermercado para colocar as embalagens de presentes que ganhamos, e alguns dias depois, estavam lotadas de varejeiras (larvas de mosquitos), que começaram a subir pelas paredes e a tomar conta da cozinha. Vi a bicharada ao acordar, e sozinha, tive que me livrar daqueles seres. Brancos como o piso, e muito resistentes, tive que jogar todo tipo de produto para que morressem, e de repente, no meio da espuma, eles reapareciam com toda a vitalidade do mundo. Pensei em gritar, mas não adiantaria. Ai, como desejei ser uma princesa naquele dia. Logo eu, tão corajosa, sendo vencida tão facilmente.
Meu marido chegou as cinco da tarde e já sabia do ocorrido pelo telefone, pois foi a primeira coisa que fiz quando me deparei com aqueles bichos. Minha ideia é que ele viesse correndo para me tirar daquela cena, mas além do trabalho, ele não é tão romântico, embora entenda de tudo um pouco. Quando namorávamos, ele sempre aparecia quando o portão não funcionava ou quando o chuveiro estragava. Nunca tentei entender destes serviços porque não me interesso por eles, não acho nada de instigante mexer com fios. E até mesmo quando há problemas na minha máquina de costura ou no computador, é a ele quem me recorro. Ainda que estejamos brigados, sem conversar, grito por ele. Sendo assim, embora com roupa de homem comum, ele acaba sendo meu príncipe que tanto imaginei na juventude.
Mas, nem todo homem é igual. Eu era vizinha de uma senhora que constantemente procurava o meu marido para resolver assuntos que o dela não dominava. Nunca me importei, até que o empréstimo virou rotina. Para qualquer problema ela batia a minha campainha, mas um dia me irritei (interiormente, claro) e respondi que meu marido não estava em casa. O "velho" dela, como costumava dizer, havia entupido a pia jogando arroz dentro e queria que o Humberto resolvesse a questão. Era um domingo e como ainda não tínhamos filho, ficávamos namorando o dia todo. Sem conseguir ajuda, ela mesma fez o serviço, mas não aprendeu, continuou a nos incomodar com pedidos de favor. Estranho é que ela era a única mulher daquela casa (além do marido, a vizinha tem três filhos homens).
Todas as mulheres têm uma princesa dentro de si, que imagina ser salva por um homem inteligente, bonito, rico, por mais feminista que sejamos. É que a realeza não indica submissão, mas uma condição, uma representação do amor do homem por nós. Quando assistimos um filme romântico, ou lemos um livro do mesmo gênero, buscamos neles uma pessoa inexistente, cheia de qualidades irreais, para compensar os nossos sonhos. A Cinderela, a Branca de Neve e a Gata Borralheira foram salvas das maldades das bruxas pelo príncipe. Logicamente que não desejamos tanto, mas um homem capaz de nos ajudar com nossos problemas é, simbolicamente, o príncipe, o rei que sempre imaginamos. Seria a simplificação do nosso ideal.
Os maridos não são príncipes nem nós, mulheres, somos a beldade dos livros infantis. Mas, é nesta literatura que é baseada os nossos sonhos, pelo menos há trezentos anos, quando eles começaram a serem produzidos. Discutir a realidade é possível, mas entender o que a ilusão faz com a nossa mente, ultrapassa a nossa capacidade. É que o cérebro feminino não é tão fácil de estudos. Somos guiadas não apenas pelo temperamento ou pelos hormônios, mas por nossos sonhos. Estes podem voar, podem criar expectativas que nos levam a um mundo de fantasias que impressiona os homens. Por isso somos tão completas. E também tão complexas. Mas é aí que está a nossa beleza. Por isso não precisamos ser princesas de fato. Precisamos apenas de um príncipe, destes simples mesmo, que convivem conosco, na nossa casa ou na do vizinho! 


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Beijos,

Carla Vilaça