quarta-feira, 29 de julho de 2015

O amor que procuramos!

Passamos metade da vida procurando por um amor que, na maioria das vezes, nunca chega. E, sempre que nos relacionamos seriamente com alguém, acreditamos que será para sempre, e nos decepcionamos quando percebemos que não passou de um romance ou uma atração sexual. Seria muito bom se a pessoa com quem sonhamos, fosse mais fácil de encontrar no meio da multidão. No entanto, nossas escolhas ficam cada dia mais seletivas à medida que o tempo passa. E a procura começa logo cedo. No meu caso, meu primeiro amor foi por um vizinho de quatro anos, que deixou Divinópolis para viver em São Paulo, partindo o meu coração. Já na escolinha, fiquei enlouquecida, como todas as meninas, por um colega de classe. Mas, foi na adolescência, que os sentimentos e os desejos de encontrar um grande amor, floresceram.
Eu estudava no colégio Henrique Diniz e durante o recreio, ficava observando os garotos, escolhendo um futuro marido. Entre vários alunos, encontrei um que me deixou apaixonada, na feira de Ciências. Eu visitava um stand sobre gestação humana, e o vi, atrás de mim, perguntando quem seria o pai daquele feto que estava no vidro. Minha mente feminina se encantou por aquele sorriso, safado e irônico e pensei: "É este com quem vou me casar".
Aquele carinha nem sabia que eu existia, ao contrário dos meninos da minha sala, que me tinham como uma garota charmosa. Eu viva de calça azul-marinho, colada ao corpo, e ao invés de sutiã, preferia camiseta branca por baixo da blusa do uniforme. Nos pés, um tênis Bamba, furado. Sorrindo para tudo e para todos, eu percebia a adolescência com todas as possibilidades que ela me oferecia: beleza, juventude, pele macia e cabelos esvoaçantes. E assim, meio "natureba", sem maquiagem, com vestimenta simples, eu pretendia cativar aquele menino, que morava na mesma rua que minha amiga. E era pensando nele que todos os dias eu a visitava, até que um dia ele passou na minha rua e o fisguei. Entre tremedeiras e timidez, consegui perguntar o que fazia ali. A turma, já sabendo da minha paixão, nos deixou a sós e o beijo foi inevitável. Uma emoção de paralisar meu cérebro e tirar o meu sono.
Acabamos namorando por cerca de um mês e tive que terminar o romance por pressão familiar. Mas aquele relacionamento, curto, foi capaz de me transformar, em pouco tempo, em uma "mulher", vaidosa e sedutora. A espera por aquele menino me chamando no portão, me causava ansiedade. Para não despertar suspeitas, eu fingia que me encontraria com a turma na rua, mas ao ser descoberta, dei um fim àquela paixão, sem muitas explicações, causando constrangimento naquele garoto. Com o término, meu coração ficou arruinado, vazio. Eu não fui capaz de enfrentar a minha família para ficar com meu namorado, e sofri calada. O trauma foi grande e só me recuperei depois que conheci meu marido. Até então, eu não queria compromissos, vivia fugindo de amores que pudessem se tornar compromissos sérios.
Amor, romance e paixão, não se deve proibir, pois são sentimentos que deixam traumas, se não forem correspondidos. Nem sempre o primeiro namorado se transforma em marido, como pensam nossos pais. Na maioria das vezes, não passam de um romance sem consequências, mas é preciso que sejam vivenciados. Eu tenho certeza que minha vida amorosa teria sido melhor se eu tivesse amado aquele rapaz como deveria. Talvez nunca nos casássemos, talvez ele terminasse comigo, mas imagino que metade dos meus sonhos com ele pudessem ter sido realizados. Aos 14 anos, eu chegava da escola e me imaginava casada com aquele garoto. Era um segredo, uma fantasia, mas me alimentava. Em meus pensamentos, tínhamos formado uma família e éramos felizes.
Se a vida é para ser vivida em plenitude e o amor faz parte dela, eu fui infeliz por muito tempo. Reprimir é secar as veias da paixão e é isso o que os pais fazem quando impedem que um adolescente seque seus desejos, como aconteceu comigo. Não pude ficar com aquele rapaz e fui obrigada a terminar aquele romance que mal havia começado. Era tudo o que eu via na televisão, acontecendo comigo: beijo na boca, abraços, conversas ao pé do ouvido. Por algumas semanas eu fui tão feliz que a alegria determinava minhas insônias. Meu Deus, como era bom namorar, como era vibrante os dias ao lado de alguém que tanto se deseja.
Viver um grande amor é uma delícia. Relembrar também é muito bom, refresca a alma e refaz uma trajetória de vida que nunca fica esquecida, mas apenas é deixada de lado, para nosso cérebro lembrar que um dia fomos muito amados e amamos demais. Só não deu certo. O passado não precisa voltar para corrigirmos nossos erros. É que, quando jovens, muito jovens, não temos as rédeas das nossas atitudes, nem sempre somos nós que tomamos as mais importantes decisões para nossa vida. Aquele namoro interrompido me causou danos. como um trauma. Durante muito tempo, eu me recusava a ter outro relacionamento e por isso terminava tudo, ao primeiro sinal de seriedade. Sem ter feito uma terapia para resolver este problema, me machuquei e feri muitos garotos.  
Depois que terminei aquele namoro, vi aquele rapaz no ano seguinte, no ônibus. De mochila nas costas, ele me cumprimentou, foi simpático, mas frio. Estávamos sem-graça, e ele, sem entender como uma menina o rejeitou, já que era um dos bonitões do colégio. Hoje, tantas décadas depois, imagino que ele esteja totalmente diferente, castigado pelo tempo, como todos ficamos. Mas, minha mente ainda se lembra dele como um jovem cabeludo, de cílios enormes e sorriso malicioso. Aquele namoro foi tão curto, mas deixou marcas. Talvez eu tenha idealizado aquele menino, colocado nele todas as minhas expectativas de um romance. Mas, não é isso o que a gente faz quando está apaixonado?

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Beijos,

Carla Vilaça