domingo, 22 de fevereiro de 2015

E os "Cinquenta Tons de Cinza" viraram preto-e-branco!

Quando a história de um livro se torna filme, há expectativas de que seja o mais fiel possível. Mas, isso é impossível, dada as linguagens serem tão diferentes. Enquanto a literatura mexe com o emocional diariamente, o filme relata em duas horas, toda a trama e conta ainda com som e iluminação, recursos impossíveis, no caso de um livro. Com o filme "Cinquenta Tons de Cinza", que estreou nos cinemas do país na semana passada, não foi diferente. Entusiasmadas com a humanização do personagem do livro, muitas leitoras saíram decepcionadas. Como não li o livro, assisti o filme  sem nenhuma expectativa, a não ser a busca por uma boa história. E gostei de tudo, menos do final, que deu a impressão de "cenas dos próximos capítulos".
"Cinquenta Tons de Cinza" conta a história de um jovem milionário, que obtém prazer sexual através do sadismo com mulheres que ele contrata.  Em troca deste "capricho", elas recebem conforto e bens materiais, mas jamais o carinho daquele homem lindo e poderoso, que aprendeu esta particularidade com uma mulher mais velha, que abusou dele aos 15 anos de idade. Para completar os problemas psicológicos, o bonitão foi abandonado na infância e adotado por uma família rica. Tudo isso explica o medo do amor e a falta de compromisso com as mulheres. Essa frieza começa a mudar quando ele conhece uma garota ingênua, que diferentemente das outras, está em busca de um romance e não de dinheiro. A menina até chega a satisfazer as vontades do amado, mas percebe que isso não a faz feliz. E é aí que as feministas se irritam. E, a meu ver, pecam pelo exagero nos comentários e análises. Elas reclamam que o filme fala de um homem que submete as mulheres à violência, inclusive com aparelhos de tortura.
Foto da internet
Nunca acreditei que sexo combinasse com dor e nunca fui adepta ao sadomasoquismo, mas dizer que o filme submete a mulher a humilhação  é um pouco demais. A trama mostra um homem que gosta de machucar as suas vítimas, mas com o consentimento delas. O personagem principal é uma vítima de pedofilia, e estaria fazendo com as mulheres tudo o que aprendeu. E ele começa a mudar quando conhece uma moça que não aceita esse tipo de relacionamento.
Como não li o livro "Cinquenta Tons...", não sei de que homem as leitoras falam, e o que elas não aceitam no personagem do filme. Percebo, na história fictícia, apenas um jovem rico em busca do próprio prazer, e uma mulher apaixonada, que tenta agradar o homem que ama. E, quantas de nós já não ultrapassou os limites para ser aceita pelo seu amor? A paixão é assim: transformadora, instigante, provocadora. Se o homem apresentado no cinema é bonito, rico, gentil, educado e ainda presenteia a sua amada, não sei mesmo do que as mulheres reclamam. E seria maravilhoso que ele existisse de verdade. Mas, além disso as leitoras querem mais! E o que seria este algo mais? Se eu tivesse apenas a metade do que foi mostrado no cinema, já me sentiria muito feliz. Toda mulher sabe que um homem não é completo, assim como nós, mulheres,  também não somos.
Vivemos em constantes transformações e transformamos as pessoas com quem convivemos, e isso foi muito bem representado no filme. Talvez pelas cenas de sexo, mostrada em trailers e cartazes, os casais tenham ido ao cinema em busca de inspiração para as suas noites de amor. Mas, na trama, elas apenas fazem parte do cenário de um romance. "Cinquenta Tons..." não me mudou em nada. Não saí pior nem melhor com aquela história que, de tão fraca, não daria um filme de sucesso. No máximo resultaria numa "Sessão da Tarde", e assim como uma mulher resmungou, faço dela as minhas palavras: "Isso eu já tenho em casa"!

 

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Beijos,

Carla Vilaça