domingo, 25 de janeiro de 2015

Fantasia para emagrecer!

Houve um tempo, há milhões de anos, que o homem se alimentava dos animais que caçava e dos frutos que encontrava. Ao perceber que alguns bichos eram domesticáveis e que as sementes geravam os frutos que comiam, o ser humano passou a ser sedentário, iniciando assim, um processo de engorda que não parou mais.  A situação piorou com o acréscimo de açúcar e sal nos alimentos, e a invenção da geladeira que além de conservar, serve também para guardar delícias calóricas que não precisam mais serem degustadas assim que ficam prontas. Já o carro passou a substituir nossos pés e pernas e não gastamos mais os músculos para correr atrás da comida. E, ao chegar em casa, basta esquentar o jantar no microondas, sentar em frente à televisão e depois dormir com o estômago cheio.
E, se o processo de engorda é muito fácil, o contrário é quase impossível. Afinal, como resistir a um pão quente, um bolo recheado ou uma pizza? 
Há alguns anos resolvi emagrecer, e perdi 20 quilos em poucos meses. Radicalmente, tirei da minha alimentação, carboidratos, açúcares e gorduras. Eu não tinha carro e andava a pé, o que facilitou o meu processo de emagrecimento. A perda de peso me deixou desnutrida, fraca e com uma imagem horrível, por causa das olheiras, que ficaram ainda mais visíveis, e pelos ossos, que "fincavam" o meu corpo. Com quase um metro e 70, passei a vestir manequim 36, um sonho para toda mulher. E, quando se está neste processo de perda de peso desenfreado, não se ouve ninguém. Há uma distorção da imagem que não permite que nos alimentemos. Eu não percebia aquele rosto ossudo quando me olhava no espelho, nem entendia quando me perguntavam se eu estava doente.
Não sei quando percebi que eu estava magra demais, mas me lembro que comecei, aos poucos, a incluir alimentos mais calóricos à minha dieta,, até que voltei ao peso normal. Porém, quando já estava satisfeita com o meu corpo, engravidei e engordei exageradamente, indo do manequim 44 ao 54 rapidamente. A gordura, desta vez, extrapolava o meu corpo. Comecei a ter dificuldades para dormir e manusear objetos, pois as mãos incharam e inflamaram, as unhas dos pés encravaram, exigindo cirurgia e antibióticos. Passei a comprar roupas para pessoas obesas e ao contrário do meu desejo, não fui uma grávida bonita. Meu bebê teve que ser tirado às pressas e nasceu com baixo peso.

Com meu filho: papada e braços grossos após a gravidez
Fiquei gorda durante uns dois anos, até que decidi que já era hora de mudança. Troquei a alimentação calórica por outra, mais saudável, e em poucos meses perdi dez quilos. Cinco anos depois, ainda faltam 15kg para que eu tenha o corpo de quando me casei. Encontro dificuldades porque minha vida também mudou. Meus dias não são apenas meus, mas principalmente do meu filho, o que não é uma desculpa, mas serve de consolo para uma mulher tão preguiçosa, que precisa de grande estímulo para mudanças. Há três meses comecei a fazer ginástica numa academia e conheci várias pessoas que me incentivam a emagrecer. No entanto, ainda é insuficiente. Como da primeira vez que emagreci demais, preciso fantasiar uma situação em que o meu corpo seja o objetivo da minha felicidade e já comecei a treinar o meu cérebro para alcançar meus objetivos: Em alguns momentos ne imagino uma diva do cinema descendo as escadas num vestido colante. Em outra, estou deitada em cima de um piano, ouvindo uma música, trajando uma roupa sexy. E tem a que mais se aproxima da minha realidade: eu passando pela rua e sendo elogiada pelas belas curvas. Acho que o arroz com feião do dia-a-dia está me engordando. Preciso de algo mais para acreditar em mim, na minha capacidade de perder as caloria que não me fazem bem. Necessito, com urgência, de fantasias para viver. E, nada como uma mentira para atiçar a imaginação e mudar a realidade!

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Beijos,

Carla Vilaça