terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Quanta papelada!!!

Durante a vida vamos juntando papéis e quinquilharias que por vários motivos não nos desfazemos deles. Acondicionados em caixas, ou em sacos plásticos, são certidões, recibos, fotografias e cartas que ocupam um espaço que poderia ser usado de outra maneira. E, mesmo nos dias de hoje, em que podemos guardar tudo na memória do computador, ainda não temos a confiança de que ao precisarmos, estes documentos sejam considerados válidos. Além disso, para matar as saudades, só mesmo tocando nestas lembranças. Por isso, preferimos deixar estes objetos num canto da casa, até perderem totalmente sua utilidade ou validade. Particularmente, sinto um nó no coração quando tenho que jogar no lixo alguns papéis e objetos que fizeram parte da minha vida. Mas, de vez em quando, faço uma limpeza e dispenso o que acredito não ter mais valor. Porém, em seguida vem a culpa, e esta então, passa a ficar na minha cabeça, latejando, como se me cobrasse mais carinho com os meus registros.
Guardar pode se tornar uma doença em que as vítimas, conhecidas como acumuladores, por algum distúrbio psicológico, perdem a noção de higiene, de organização e de prioridades, e guardam tudo, desde embalagens de produtos a jornais velhos. E em determinadas situações, a acumulação é tão gigantesca, que o lixo cobre os cômodos da casa. Nos Estados Unidos isto é tão comum, que a vida destes doentes é tema de programas com enorme sucesso em TVs por assinatura. Confesso que já tentei assistir, mas me sinto enojada de ver tanta porcaria.
Desapegar de objetos pessoais implica em "limpar" a mente do passado. Necessita desprendimento de sentimentos e uma não importância pela história que foi vivida. Há alguns anos, meu vizinho, idoso, que acabara de ficar viúvo, se desfez de fotos, cartas de amor trocadas entre ele e a esposa, livros, revistas e discos antigos. Foram 70 anos de convivência, que de uma hora para foram jogados ao relento, sendo consumidos pela chuva de dezembro. Tudo porque aquele homem, de 93 anos, conhecera outra mulher, seis décadas mais jovem, e acreditara que aquela, sim, seria seu grande amor. E, como previsto, o caso terminou dois anos depois, sem qualquer registro daquele romance. Em pouco tempo ele morreu... de desgosto. Se do primeiro casamento meu vizinho guardou muitas fotos e cartas, deste ele não teve um bilhetinho sequer.
Desde menina, guardo cartas de amor, convites para festas que nunca fui e retratos que me fazem matar as saudades de quem existe ou já se foi. São pequenas preciosidades que permanecem inalteradas, a não ser pela cor amarelada dos papéis ou a flor seca no meio deles. Adoro fotos antigas e este é o meu museu particular. Trata-se de amores vividos ou sofridos, que ficaram marcados em encontros e desencontros de quem me desejou um dia, ou desfez dos meus sentimentos, causando um sofrimento ainda marcante. De vez em quando vale a pena lembrar. E faço isso com uma certa frequência. Não sei nada sobre o meu futuro, pode ser que um dia eu precise destas lembranças para continuar viva. Por enquanto, vivo o presente, mas ele não é nada sem o passado. Pensando bem, analisando os meus objetos, eu deveria ter sido uma pessoa melhor, poderia ter reavaliado minhas intenções, ter tomado outras atitudes diante dos fatos. Ao menos restam as lembranças... guardadas não só em caixas, envelopes e sacos plásticos, mas principalmente no coração!


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Beijos,

Carla Vilaça