sábado, 28 de junho de 2014

Mães de costas, ontem. Mulheres de frente, hoje!

Há alguns anos, antes do Feminismo, as mulheres passavam a maior parte do tempo em casa, na cozinha, principalmente. Elas começavam o dia cedo, com o café da manhã, e só terminavam com o jantar. Nos intervalos das refeições, o tempo era gasto com costuras e bordados. Se saíam, era com o consentimento dos maridos, e mesmo assim, para lugares que ele conhecia bem, como a casa da sogra e a igreja. Já nos finais de semana e nas férias das crianças, quando a mulher podia relaxar, costumavam receber a visita de parentes, principalmente da parte do esposo, e então, o serviço caseiro ficava ainda mais intenso, com a produção de guloseimas, para agradar e mostrar o quanto eram prendadas. E, o mais incrível, é que isso satisfazia algumas mulheres. Dentro de casa, sem conhecer o mundo, as donas-de-casa acabavam tendo uma postura muito racional em relação ao comportamento de outros homens e mulheres. Por causa do serviço doméstico extenuante, era difícil ver as mães de frente. Quando crianças, acostumamos vê-las sempre de costas, preocupadas em agradar os outros, não a si mesmas.  Me lembro que pela distância dos filhos com as mães, nossas reuniões escolares eram carregadas de importância, pois assim, ficávamos ao lado delas, enquanto a professora discorria sobre os mais diversos assuntos.
Hoje as mães mal têm tempo para os filhos, devido ao trabalho fora de casa. Porém, a proximidade entre os dois é bem mais evidente. Há mais carinho e contato entre pais e filhos, há mais conversa, e um dá opinião na vida do outro. As mulheres passaram a se preocupar mais com elas mesmas, e não se culpam se vão dormir com a louça suja na pia. A prioridade para a mulher passou a ser ela mesma, mas sem abandonar a família. Ela consegue, com seu salário, pagar as próprias despesas, gasta o dinheiro como achar necessário, e não se esquece da vaidade. Ser dona-de-casa já não é um sonho feminino. A mulher continua a querer sua casa, um marido e filhos, mas deseja que tudo aconteça harmoniosamente, para que ela tenha direitos e deveres dentro nela, não apenas obrigação. E o homem, com tudo isso, passou a entender a esposa, sabendo que os dois funcionam conjuntamente, não um à frente do outro. Crescer profissionalmente, estudar, se cuidar, deixou de ser ambição meramente masculina, para se tornar um objetivo do casal.
No mundo de hoje, meio século depois do Feminismo, a mulher ainda encontra dificuldades de se fazer respeitar numa empresa, por exemplo, onde as paqueras continuam frequentes. Mas, ela consegue administrar isso com a firmeza de que o que está em jogo é a sua competência, e se essa situação fugir ao seu comando, sabe que pode procurar outras instâncias para valer de seus direitos. Já em casa, a situação fica difícil quando o marido é machista. Com ideias ultrapassadas, ele insiste em acreditar que o homem da casa é ele, e pronto. Tanto que a violência contra a mulher acontece principalmente dentro do lar. Algumas conseguem denunciar, mas não é fácil. Em países como Brasil, onde a Justiça é fraca e falha, ela não tem para onde ir com os filhos, e permanece apanhando, sendo humilhada. Porém, mesmo "serva" deste homem, a mulher sabe que ele está errado, ao contrário do que acontecia há alguns anos, e isso já é um ganho. Pelo menos ela não fica mais de costas, fazendo quitutes para agradar o marido. Ela enfrenta a vida de frente!!!

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Beijos,

Carla Vilaça