sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Herói de verdade!

Durante a vida temos muitas paixões, que se não terminam em casamento, ao menos permitem que o coração palpite de forma diferente do habitual. Sem contar que a cada amor, depositamos nele, fantasias românticas e por vezes, ridículas. Em Divinópolis, ainda na infância, eu acreditava que tinha muitos amores, inclusive com Super-Heróis, como o Tarzan, que no meu pensamento, era pai de meus dois filhos (minhas bonecas, claro!). Também já fui esposa do Super-Homem, e por causa deste personagem, aos 12 anos, eu e minha irmã ficamos presa no cinema, após emendar as sessões. Fico imaginando hoje, tantos anos depois, estes homens chegando fantasiados em casa, trazendo o pão, ajudando a trocar as crianças ou pagando as contas em banco. Provavelmente, estariam carecas, ou grisalhos, gordos e desanimados...
A medida que fui crescendo, meus sonhos foram se tornando mais reais, e passei a me apaixonar pelos atores e não mais pelos personagens, o que já era um avanço em mente tão fantasiosa! Edson Celulari, Osmar de Matos e Patrick Swayze, sem saber, durante muito tempo, estamparam meus cadernos e meu guarda-roupa. E, como toda menina apaixonada, tomei emprestado também, o sobrenome deles, e me achava no direito de ter ciúmes, quando os via em revistas com mulheres do lado. Ainda bem que essa fase passou, e hoje só tenho olhos para meu marido, mas tanto fanatismo me faz entender porque algumas pessoas fazem sacrifícios para verem seus ídolos de perto.
E, se tive amores fantásticos, intocáveis, a realidade também foi satisfatória. Em Divinópolis, onde nasci, me apaixonei e fiz parte da imaginação de alguns garotos. Um deles, Rogério, morou na minha rua e foi meu herói de verdade, ao me salvar de um afogamento num domingo de sol no Quilômetro 48, onde os vizinhos se refrescavam nos finais de semana. No meio do redemoinho, eu rodava com a água sem que ninguém percebesse, a não ser pelo Rogério, que com muito custo conseguiu pegar a minha mão e me puxar.
Éramos crianças e aquele menino se comportou como um adulto. Logo depois ele se mudou com a família para o interior do Rio de Janeiro, e só nos encontramos em seu casamento. E foi neste dia, momentos antes da cerimônia, que ele me falou do nosso amor de infância. Fisicamente, ele não condizia com as minhas lembranças. A fala rápida e a baixa estatura não combinavam com o heroísmo de antes. Em meio às suas palavras cheias de ternura e saudosismo, percebi que eu não era a única a ter fantasias românticas. Assim como os heróis dos filmes, talvez Rogério também tenha fantasiado a meu respeito. Aos cinco anos eu sonhava em me casar. Aos 19, eu só queria namorar. Era aí que a minha vida e a do Rogério não combinavam. O que vivemos, um amor de infância, morrera no passado. Ao contrário dos filmes, aquele herói se casaria de verdade, terminando uma história, que esta sim, eu vivi.
 
 

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Beijos,

Carla Vilaça