sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

E o "Encontro" continua sem propósito!

Na vida, aprendemos com os erros e a ousadia pode ajudar em nossas escolhas. Mas, isso não é garantia de sucesso. Foi o que aconteceu com a apresentadora Fátima Bernardes, que estreou em 2012 um programa na TV Globo, empresa que trabalha há 26 anos. A ideia parecia interessante, mas acabou se mostrando uma mistura de outras atrações, sem uma identidade própria. Do início até agora, o "Encontro com Fátima Bernardes" teve de tudo: mágica, experiências, reportagens, entrevistas e músicas. O cenário também foi alterado e alguns profissionais foram substituídos. Mas, dois anos depois, o programa se mostra muito fraco. Todas as mudanças não deram certo, uma vez que nada se casa com nada. A plateia, sempre coadjuvante, serve apenas para compor o palco, já que não interage com os demais participantes.
Desde que anunciou sua saída do Jornal Nacional, Fátima Bernardes passou a ser a esperança da emissora para um horário difícil de administrar. Até então, as manhãs eram ocupadas com os programas Mais Você, Bem Estar (estas atrações continuam) e os desenhos animados. E foram as crianças, as mais prejudicadas com a mudança, que usaram as redes sociais para reclamar. Elas pediam a volta da TV Globinho, mas não foram atendidas. O programa Encontro, então, segue normalmente (com meia hora a menos), na esperança de que ainda possa ser bem aceito. Para os críticos, tornou-se um prato cheio para comparações com outros programas. Para o telespectador, fica  a decepção. Ao menos dá para rir da proposta da emissora de fazer das manhãs algo inovador, muito interessante, "diferente de tudo o que há na televisão". Pelo que se percebe, os programas em nada acrescentaram, viraram uma cópia dos de outras emissoras.
Neste novo ano, ao contrário de 2013, Fátima Bernardes tirou férias e não deixou seu programa gravado. Ana Furtado a substitui, juntamente com o ator Dan Stulbach e o jornalista Lair Renó, que já fazia parte da atração. No segundo dia de substituição, o Encontro continua sem propósito, mas ficou mais leve, um pouco mais divertido. Dan, um ator aparentemente muito sério, inovou, levou o microfone até a plateia e a deixou mais participativa. Ana Furtado, por sua vez, não se importa de errar, ri de si mesma, brinca com os colegas e todos se divertem. Mas, não adianta. O programa é ruim mesmo. Não há um objetivo no Encontro. Os convidados sentem-se no sofá, como o da Hebe Camargo, a participação de profissionais imita os antigos programas da Silvia Poppovic, da TV Bandeirantes. Já as experiências científicas, utilizadas no início, imitavam claramente o programa da Eliana. E não faltou o Arquivo Confidencial, com jornalistas da casa, mescladas com reportagens emotivas, uma cópia grosseira do Gugu.
Depois de tantas mudanças, o Encontro se parece mais com o Vídeo Show, outro programa que também perdeu a identidade, desde que surgiu, em 1983. Apresentado atualmente por Zeca Camargo, o eterno Peter Pan (personagem infantil que se recusa a crescer), em pouco tempo a atração se transformou numa aberração, com artistas sendo entrevistados em situações ridículas, e um apresentador entusiasmado demais. Zeca bate palma por tudo tudo, se empolga demais, dá gritos (uhhhhhh) e puxa 'a galera' para acompanhá-lo. A plateia até tenta, mas desanimada, não entende aquele barulho todo. Mas, uma coisa não há como negar: Zeca Camargo e Fátima Bernardes estão muito felizes! E não é para menos: ganharam um programa em horários difíceis numa emissora que até há pouco tempo se denominava como "Padrão de Qualidade". E os dois fazem de tudo para continuar neste posto. Por outro lado, a TV Globo insiste em fazer de tudo para não demonstrar que errou. Apesar disso, a emissora está mudando. A Vênus Platinada voltou com seu logotipo antigo, trocou o vozeirão do locutor por uma voz feminina e as atrações ganharam um tom colorido e letra romântica, estilo anos 70. No entanto, é preciso que a reforma seja mais profunda, não apenas estética. Aceitar que cometeu um equívoco já seria um bom começo. E de uma vez só, poderia eliminar os programas da Fátima Bernardes, do Zeca Camargo, da Ana Maria Braga e da Angélica. Com certeza, não faria diferença na vida de ninguém. Crescer significa isso: dói no início, mas depois o corpo vai se acomodando. Está faltando maturidade para esta emissora!
 

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Beijos,

Carla Vilaça