domingo, 26 de janeiro de 2014

A culpa de ser filho (a)!

 
A sociedade passa por constantes transformações, desde que surgiu há milhares de anos. Porém, nada abalou mais do que a saída da mulher, de casa, para ganhar o próprio sustento. E, quando saímos de um lugar para outro, mesmo que por um curto período, acontecem mudanças internas, que satisfazem a mente humana. Conversar com amigos, conhecer pessoas, receber salário, dirigir o próprio carro, causa um grande prazer. Em casa, a rotina cansativa de tarefas domésticas sem um retorno, seja financeiro ou recompensas, acaba se tornando sem sentido, maçante. Quando começou a sair de casa para trabalhar ou estudar, a mulher saiu de um lugar comum, o ambiente familiar, para ser a estrela de sua vida. É ela quem passou a comandar os passos para sua realização profissional, acadêmica ou amorosa.
Com meu filho, Eduardo
E era justamente essa liberdade, tão conhecida pelos homens, o motivo da proibição da saída das mulheres para trabalhar ou estudar. Ampliando seus conhecimentos e relacionamentos, ela começa a perceber seu valor, sua inteligência, desperdiçada em tarefas domésticas que nunca chegam a um produto final. Lavar, passar, cozinhar, faxinar, pode até ser prazeroso, mas de vez em quando, por vontade própria. Mas, a obrigatoriedade destes serviços, gratuitamente, em troca de alimentação e sexo (raro às vezes, e só quando o marido quisesse), não satisfaz nem completa uma mulher.
O Feminismo, surgiu nos anos 1950, com protestos pelo mundo pelo direito da mulher de ser a dona de sua própria vida. Mas, antes deste Movimento, muitas mulheres já haviam saído de casa ou brigado com familiares para ter direito a escolhas. Quando não conseguiam, ao menos trabalhavam em casa bordando ou costurando, algumas delas escrevendo artigos ou livros, ou seja, a ideia de que o sexo feminino nasceu para ficar em casa tomando conta dos filhos e dos afazeres do lar deu certo por um tempo, mas não duraria para sempre. É certo que a família degringolou, mas a culpa não é do Feminismo. Antes dele, as traições dos maridos e namorados eram ainda maiores, já que sexo só acontecia depois do casamento, e hoje, qualquer casal dorme junto em pouco tempo de convivência. E, era mais comum do que hoje, o marido ter duas mulheres ao mesmo tempo.
Mas, não há como negar. A mãe em casa conseguia reunir a família e era respeitada pelos filhos, que a agradavam como podiam. E não tinham do que se sentir culpadas. As mulheres viviam para seus rebentos e cuidavam deles até eles se casarem. Quem se sentiam culpados, eram os filhos por não conseguirem dar uma vida melhor para a mãe. Ao contrário de hoje, elas não pediam perdão pela ausência por causa do trabalho ou da faculdade. Iam vivendo a vida sem complicações, sem muitos compromissos externos. Sua vida social se resumia a festinhas de escola ou comemorações familiares.
Atualmente, a situação se inverteu: sem tempo, as mulheres que trabalham, a todo momento pedem perdão aos filhos. Tudo bem, é compreensível. Mas, o erro está na desculpa: paga-se com presentes, balas, e falta de educação e limites. E uma mãe jamais pode se esquecer que a personalidade de um filho não tem preço. Sua ausência sempre será maior, tanto maior for a falta: de caráter, de respeito, de solidariedade. Peço, então, humildemente: "Desculpe, mãe, pelo que não pude lhe dar. Desculpe, filho, pelo que lhe dou em excesso. Eu poderia variar as duas situações ao menos um pouquinho. Eu estaria sendo, então, uma mulher nota Dez, sem culpas, sem consciência pesada!
 
 

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Beijos,

Carla Vilaça