terça-feira, 31 de dezembro de 2013

"Fala, Trem gostoso"!!!

Aos 18 anos, trabalhando como secretária num escritório de advocacia, acabei testemunhando a traição de um dos meus patrões. Menina ainda, eu não compreendia aquela relação recheada de declarações explícitas e fogosas. Quando a amada ligava, meu patrão, relaxado na cadeira, sempre atendia, com a frase: "Fala, Trem Gostoso". Aquilo me irritava e cheguei a lhe perguntar o porquê da traição. A justificativa, muito simplista, não me convenceu. Afinal, ninguém trai a esposa só porque ela é muito chata. Casada há sete anos, sei o quanto é difícil o cotidiano entre um homem e uma mulher. Mas, uma terceira pessoa neste tipo de relacionamento nunca pode ser saudável.
Jamais saí com um homem casado, ao contrário de mulheres que só sentem atração por comprometidos. Tive uma amiga assim, e apresentá-la aos namorados era sempre um risco. E acabei sendo uma vítima daquela garota. Ela saíra com um rapaz por quem eu era apaixonada e só depois entendi quando me dizia que ele não era tudo aquilo que eu pensava. Continuei a amizade porque o carinha também era terrível, não me respeitava, paquerava outras meninas na minha frente. Hoje, os dois estão longe da minha vida, também são casados com outras pessoas e devem ser felizes.
Alguns anos depois de ter saído da empresa, me encontrei com o advogado numa festa de queijos e vinhos. Eu trabalhava como promotora, vestida a caráter e recebia os convidados e servia as mesas. Ao lhe oferecer a bebida, ele reconheceu minha voz e me cumprimentou. Foi amável, como sempre, mas não lhe dei muita confiança. Estava com a amante, rodeado de amigos. Não sei se os dois se casaram, ou se a traição continuara. Eu não tinha nada a ver com aquela história, mas ao olhar aquela mulher, tão pequenina, só me veio à cabeça a frase utilizada por aquele homem enorme, chamando-a de Trem Gostoso. Sinceramente, a gostosura devia estar escondida nela em momentos em que eu não pude compartilhar, claro. Mas, fisicamente, não vi nenhuma delícia naquela mulher. Mas, tive uma certeza: ela era bem mais simpática e alegre do que a esposa daquele advogado. Talvez estivesse aí o segredo daquela relação tão duradoura, tão... fogosa!

Um comentário:

  1. kkkkkk Eita, trem! Adorei a maneira leve e espirituosa de escrever.

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Beijos,

Carla Vilaça