sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Professor só não é voluntário!

O professor, na vida de qualquer pessoa, é muito importante, e por isso é tema constante em poemas, músicas e paródias. Além de ensinar, muitas vezes, é ele quem educa e passa valores aos alunos, quando estes não têm uma família estruturada. Sua imagem soa segurança, confiança e pode despertar paixões e admiração. Desde que passei a lecionar, observo de perto essa idolatria. Como um artista, o professor mexe com o imaginário do aluno, que não se intimida em entregar-lhe cartinhas demonstrativas deste amor. Coleciono muitas delas, que ficam guardadas numa caixa empoeirada, para que eu possa lê-las quando me aposentar. Elas contém palavras carinhosas e desenhos e servem de ânimo para continuar meu trabalho.
Me lembro da minha primeira professora, embora não saiba seu nome, nem suas características físicas. No entanto, me recordo perfeitamente de sua doçura e respeito com que tratava as crianças do Jardim de Infância, em Divinópolis, cidade onde nasci. Já a do pré-primário, dona Cléria, ficou na memória. Muito carinhosa, alegre, não encontrei outra igual. E foi difícil entrar para o primeiro ano e me deparar com outra professora tão diferente, seca, preocupada apenas em ensinar a ler. Com sete anos, tímida, eu queria um pouco mais de carinho! Desta, eu não me esqueço jamais, e ficaria feliz em nunca ter lhe conhecido.
Mas, talvez a professora mais marcante, para mim, tenha sido a do terceiro ano, já na capital. Brava e carinhosa ao mesmo tempo, acho que me inspiro nela para lecionar. Mistura de mãe, dona Berenice chamava a atenção, ensinava, observava talentos. Encantada com a minha voz, sempre me escolhia para ler os dircursos na escola, e xingava pelo meu desleixo com os cadernos e o uniforme. E fazia isso sem muita ética, na frente de outras pessoas, como se estivesse em casa. Certa vez, me obrigou a merendar, ao saber pela minha mãe, que eu não me alimentava direito. E, ao provar a sopa oferecida no dia, nunca mais deixei de comer na escola. Ela realmente fez diferença na minha vida. Bonita, a vi em duas situações, quando eu já não estudava no Maria das Neves: a primeira, rodeada dos quatro filhos, na inauguração de uma praça, e alguns anos depois, numa boate. Acompanhada, ela não me reconheceu, mas saiu nas fotos que tirei.  
 
 
Quadro que um dia foi negro, depois verde, e que hoje é branco.
 
 
Décadas depois, também me tornei professora. Confesso que gosto muito, embora tivesse sonhado com outras profissões. E fui muita coisa mesmo, mas ensinar é um dom que não é dado a todos. Entender as dificuldades de cada aluno,  se envolver na vida deles, ter paciência para ensinar, são atitudes muito particulares, embora comuns aos docentes. E, infelizmente, peguei muitas fases nesta profissão, boas e ruins. Mas, hoje, o professor, que já foi status de inteligência e respeito, passou a ocupar as páginas policiais, como vítima de alunos e de pais violentos. De vez em quando  também são manchetes nos cadernos de Economia. Afinal, como todo ser humano, o professor precisa pagar suas contas, e deve receber um salário digno. Não se pode mais confundir o professor com um voluntário. Ele não dá aulas, as vende em forma de proventos. Se está difícil de entender, é melhor voltar para a sala de aula! Feliz Dia dos Professores! Para mim e para os demais colegas de profissão!!
 

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Beijos,

Carla Vilaça