domingo, 15 de setembro de 2013

O primeiro beijo e contribuição da mulher!

As mudanças de etapa na vida do ser humano são muito significativas, tanto que em algumas tribos indígenas elas são comemoradas com danças, festas e enfeites pelo corpo. Mas, entre nós, pessoas da cidade, essas passagens já não são tabus como há alguns anos. Pela facilidade da comunicação, as meninas e meninos não precisam recorrer a terceiros para matar a curiosidade sobre o beijo e o sexo, por exemplo. Está tudo na internet, basta procurar. As novelas também se tornaram uma vitrine para discussão sobre conflitos que antes afligiam a garotada sobre as transformações em seus corpos. Sem contar que as mães de hoje não ficam em casa, acompanhando essas mudanças, são apenas comunicadas pelos filhos, ou pela empregada, das novidades que estão acontecendo na vida de seus rebentos.
Eu ficaria muito satisfeita, se na minha adolescência, eu pudesse contar com os sites de busca para me ajudarem a compreender sobre menstruação, cólicas, hormônios. Naquela época, mal conseguíamos entrar em casa com um livro sobre o assunto, sem um interrogatório dos pais (das mães, principalmente, que desejavam que a filha se casasse virgem). E, foi pelo medo que protelei por muito tempo meu primeiro beijo. E, apesar de ter sido com um colega de escola, por quem eu era apaixonada, não foi da maneira que pensei. Acho que fantasiei tanto com aquele momento, que a realidade não combinava com os sonhos. Sem contar que era coordenação demais, a que eu não estava acostumada: abrir a boca, mexer a língua e fechar os olhos era muito difícil, e fui advertida pelo namoradinho de que não estava fazendo a coisa certa. Mas, aquela saliva toda me enojava e eu entrava em casa  para escovar os dentes a noite toda, despistando para não ser descoberta.
Com o fim do namoro, me senti mais a vontade para beijar outros meninos, mas levei muito tempo para gostar daquilo. Eu me sentia babada, invadida por outra pessoa e carregava uma culpa enorme. Hoje, não vivo sem beijos, claro. E, posso perceber que aquela inocência não me ajudou em nada. A educação atual, embora com outros tipos de defeito, permite que a menina seja dona de seus atos, e livre para escolhas. Se ela decide namorar, basta comunicar o fato aos pais, que tranquilamente irão alertar sobre a importância do sexo seguro. Tudo muito simples.
E, de certa forma, essa mudança tem a ver com a saída da mulher para trabalhar. Sem a supervisão constante da mãe, os filhos têm hoje uma liberdade impensável até algum tempo atrás. Essa mulher tem outras prioridades, como ganhar o próprio salário, cuidar da saúde, estudar, viajar. Ela tem ambição, é vaidosa, lê muitos livros, acompanha o noticiário. Os filhos passaram a ser sua realização maternal, e não objetivo único do casamento, como há algumas décadas. Afinal, como todo pai e mãe, os de hoje sonham um futuro brilhante para seus rebentos, mas a liberdade de escolher com quem e como, é que faz a diferença. Que bom ser mãe nesta época!

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Beijos,

Carla Vilaça