segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Tecnologia à válvula!

Os aparelhos eletro-eletrônicos facilitam a vida moderna, ampliando a comunicação e diminuindo o tempo. No entanto, constantemente, eles falham, deixando uma irritação típica dos dias atuais, com um nível de estresse que beira ao absurdo! E, então, nos damos conta de que as invenções pararam no tempo em que foram criadas. É a iluminação que cai, a internet que não conecta e os celulares que não 'pegam' em determinado lugar. Hoje, com a facilidade de crédito e as inúmeras ofertas nas lojas, tudo se torna obsoleto em pouco tempo de uso. Os bens duráveis já não duram tanto e muitas vezes, é mais fácil jogá-los no lixo do que consertar quando apresentam defeitos.
A primeira televisão que chegou à minha casa, funcionava à válvula e durou mais de 20 anos, até estragar. Ela foi substituída por outra, menor, colorida, que não teve mais do que uma década de vida. Talvez pelos constantes estragos, eu me recuse  a acreditar em promessas mirabolantes. Tanto que custei a ter um  celular e não utilizo a internet como a maioria das pessoas. Mas, confesso que me rendo a algumas novidades. Quando meu filho nasceu, por exemplo, troquei uma máquina fotográfica antiga por uma mais moderna, instantânea. E me viciei em gravar músicas e filmes pela internet. Em compensação, perdi a conta de quantos aparelhos de DVD adquiri desde que ele foi inventado, nos anos 80.
Há um mês cheguei de um passeio com meu filho e simplesmente não havia luz em casa. A escuridão era tanta que sequer consegui acender uma vela. Tive que esperar mais de três horas para que a iluminação voltasse. Neste dia, o Eduardo tomou banho de caneco, como nos tempos da minha avó. Para distrai-lo e disfarçar minha raiva, contei historinhas até cansar. Fiquei pensando no e-mail que não mandei, na costura que não completei e no livro que não li naquela noite. Sem energia elétrica, tudo parou e atrapalhou a minha rotina.
Sei que um dia as pessoas viveram sem luz elétrica, sem computador, sem relógio ou outras parafernálias. E, talvez até vivessem melhor do que nos dias atuais. Mas, uma vez que se acostuma com o conforto, é difícil viver sem ele. A casa dos meus avós era muito simples, com fogão a lenha, televisão à válvula e água de cisterna. Nossas férias eram passadas ali, com muita brincadeira ao ar livre e casos contados pelo meu avô. Hoje, as crianças não são menos felizes, mas, os tempos são outros. Acostumadas com a tecnologia, elas não saem da frente do computador ou do celular onde, sozinhos, se divertem. Quem sabe os cientistas não criem um amigo biônico, com quem estes pequenos possam ao menos interagir?


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Beijos,

Carla Vilaça