quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A prostituição e o feminismo!

"Pague o meu dinheiro e vista a sua roupa". A frase é um trecho da música de Zé Ramalho, que fala de uma relação entre um rapaz de aluguel e suas clientes. Nela, o compositor relata a relação fria entre um profissional do sexo e as mulheres desejosas por carinho. Enquanto ouço a música, imagino aquela situação, tão distante da minha realidade (o cantor teria sido garoto de aluguel, na juventude).
A prostituição causa curiosidade em muita gente e a rotina de um bordel é recheada de mistérios, com aquelas luzes vermelhas e mulheres nas janelas, como atestava o escritor Jorge Amado em muitos de seus livros, que viraram novelas e seriados. Aos 20 anos, fui convidada por uma amiga para uma visita em seu local de trabalho, um salão de beleza, na região central de Belo Horizonte. Depois de muita conversa, entre mim e suas colegas, me dei conta de que se tratava de um escritório de prostituição, quando ela, ao telefone, deu detalhes sobre o corpo de uma garota, que saiu logo em seguida para encontrar seu cliente. Assustada, fui embora rapidamente, não sem antes ser convidada para engordar aquele time de profissionais, o que recusei. Na flor da juventude, eu só admitia qualquer contato físico que envolvesse paixão, e este não era o caso. Aquelas moças não queriam saber de romantismo, mas de dinheiro. Não sou preconceituosa, mas algumas situações me deixam embaraçada. Sei que a prostituição é um negócio antigo, mas não sei negociar sentimentos e acho que o corpo deve ser tratado com respeito. 
Mas, se o sexo, em muitas situações, serve como moeda de valor e troca, o ato se justifica em casos extremos, como quando uma mulher utiliza-se de seu corpo para matar a fome do filho, por exemplo. Mas, há a prostituta que gosta do que faz, sente prazer em se sentir desejada pelos clientes e sabe valorizar cada centavo recebido pelos serviços prestados. Minha amiga é assim. Ela nunca precisou trabalhar para sobreviver, e acabou gerenciando um negócio que em pouco tempo se tornou grandioso. Percebi isso, durante sua festa de aniversário, quando os convidados a tratavam com muita intimidade, e as meninas a chamavam de Mãezinha. Desde então, nunca mais a vi, e não sei como está sua vida hoje.
A prostituição pulveriza a mente de muitas pessoas e serve de inspiração para roteiristas e escritores. No século XIX, José de Alencar escreveu Diva, uma prostituta que acaba se apaixonando por um cliente. Já o filme "Uma Linda Mulher", conta a vida de uma garota de programa que enlouquece um milionário e se casa com ele. E no filme "Drácula", dos anos 80, um caçador de vampiros prefere que a filha fique morta a vê-la novamente na prostituição. Mas, é na vida real que a prostituição tem sua história mais bonita. Conta a Bíblia, que ao ver a prostituta Madalena sendo apedrejada, impede a barbárie e justifica seu ato: "Quem nunca errou, que atire a primeira pedra".
Sou contra qualquer discriminação e acho que todos devemos viver conforme nossas escolhas. Sob a ótica feminista, há controvérsias, uma vez que a prostituição permite que a mulher utilize seu corpo da maneira que desejar, inclusive, se ela é uma das profissões mais antigas, as prostitutas foram as primeiras feministas do mundo, pois foram capazes de aguentar a sociedade e a família para fazerem o que gostavam. Por outro lado, querendo ou não, elas trabalham para satisfazer apenas os homens, o que é o contrário do feminismo. Viver para o sexo não deve ser uma tarefa fácil, mas ao mesmo tempo, cansa menos do que fazer faxina e paga mais. Por isso é mais tentador. Além do mais, envolve tudo o que o sexo feminino gosta e os homens adora: saltos altos, roupas justas e decotadas, maquiagem e caras e bocas. Irresistível para muitos machos. Invejável para o sexo feminino! 

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Beijos,

Carla Vilaça