sexta-feira, 31 de maio de 2013

Rejeição de um amor infantil!

Todas as fase da vida têm rituais, que podem ser simples ou não. Os mais complexos, como casamentos, batizados e formaturas, precisam de comemoração para mostrar à sociedade que aquela etapa foi vencida. As demais, só nós percebemos e por isso, podem ter significados diferentes para cada pessoa. E assim, as fases da vida acabam sendo prazerosas, embora nem sempre compartilhadas com os outros.
Aos sete anos de idade, recém-chegada de Divinópolis à Belo Horizonte, comecei a estudar numa escola pública, frequentada principalmente por crianças de classe alta, uma vez que os colégios particulares não eram bem vistos, conhecidos como "pagou, passou". E eu, como  a maioria das meninas, me apaixonei pelo garoto mais inteligente da classe. Estilo "intelectual", com nome diferente, nem de longe me sentiria atraída por ele nos dias de hoje. Mas, naquela época, namorá-lo era um sonho que eu acalentava. E, para agradá-lo, constantente lhe dava uma pedra semi-preciosa, que conseguía pegar de uma fábrica na minha rua. Até que um dia ele me disse que sua 'namorada' estava gostando muito daqueles presentes. Estávamos na saída da escola e tive vontade de esganá-lo. Fui embora pensando no quanto eu era idiota e imaginando um jeito de me 'vingar'.
No dia seguinte, já no colégio, comecei a pôr o meu plano em prática. Durante a Educação Física, como eu sempre fazia, me sentei num murinho e esperei que ele me pedisse para segurar sua blusa de frio. Do alto, respondi um sonoro não, me levantei e disse que jogaria queimada junto com todos, o que nunca aconteceu até então. Causando espanto nos colegas, fui para o time dos pobres, e causei sensação por me livrar de todas as boladas. No final do jogo, vermelha de suor e cansaço, fui elogiada e disputada, o que levantou minha auto-estima e me fez ser respeitada por toda a classe. Sem contar a ninguém, eu vinha treinando em casa, mas nunca a timidez havia permitido tanta exposição. E, como era uma emergência, não havia momento melhor para mostrar meu talento. Este simples gesto mudaria minha vida naquela escola, e mostrou minha capacidade de me sair bem de situações embaraçosas, o que serviu para a minha vida na fase adulta. Entendi que os homens não devem conhecer nossos segredos, nem imaginar do que somos capazes de fazer quando contrariadas. Parece bobo, mas funciona.  
Um ano depois saí daquele colégio e nunca mais vi o tal menino, mas durante muito tempo ele ainda fez parte das minhas fantasias de menina. E me apaixonei muitas vezes depois, com vários sucessos e fracassos nas minhas investidas, mas aquele episódio me amadureceu muito. Todos nós passamos por isso, mas cada um sente de uma forma. Como sou muito sensível, me achei a última das meninas com a confissão de que meu amado tinha outra em sua vida. Um choque para causou feridas naquela mente tão ingênua. Hoje, mulher, agradeço o que passei. Não pelo sofrimento daquele dia, mas pelo aprendizado. E é para isso que tudo acontece. 

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Beijos,

Carla Vilaça