terça-feira, 28 de maio de 2013

O feijão e o amor destroçado!!!!

Nossa mente nunca se esquece de um fato marcante, principalmente se for desagradável. Aos 18 anos, fui parar num churrasco promovido por uma turma de médicos, amigos de uma pessoa por quem eu era apaixonada. Fui levada por um amigo em comum e me senti constrangida no meio de tantos intelectuais, que mal se incomodaram com nossa presença. A casa ficava num bairro distante e fomos de carona, o que impediu que eu fosse embora. E, para passar o tempo, resolvi escolher o feijão que seria cozido para os convidados. Sozinha, no meio de tanta gente, fiquei pensando para que valia tudo aquilo. Eu estava descontente, envergonhada, com frio e muita fome. 
Desprezada pelo homem com quem eu me interessara, só me restava aguardar o dia amanhecer para pegar um ônibus e sumir dali. Mas, para minha surpresa, um daqueles homens sentou-se a meu lado, começou a catar feijão comigo e passamos a conversar. Em seguida, vieram os outros convidados, e então me senti mais a vontade. Só durante a madrugada consegui ganhar um beijo do homem com quem tanto sonhara. E ele se mostrou romântico, gentil e carinhoso.
Quanto tempo me imaginei naquela situação e tudo parecia, agora, tão irreal, como acontece sempre quando um sonho é realizado. No entanto, no dia seguinte, o galã ficou distante e mal me cumprimentou. Na volta para casa, todos conversavam no carro como se eu não existisse. Antes de descer, ele me deu um beijo rápido e sugeriu que eu tomasse juízo. Não pediu meu telefone, não remarcou um encontro, não se mostrou interessado.
E, durante muito tempo fiquei pensando naquela situação e me sentindo um lixo. Eu não agradara como imaginava, e jamais teria outra chance como aquela. Alguns anos depois soube que ele se havia se casado e estava feliz. Aquele beijo marcante ficaria apenas na memória e o desejo de tê-lo para sempre na minha vida era apenas ilusão. E o vi apenas algumas vezes e transformei aquela paixão em nada. Só não consigo esquecer aquela noite, que é lembrada todas as vezes que cato feijão. Ainda bem que esse ato não é tão corriqueiro em minha vida!

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Beijos,

Carla Vilaça