domingo, 31 de março de 2013

Que medicina é essa?

Sou grande admiradora dos profissionais da saúde, não por salvar vidas, mas por mexerem com coisas que não domino, como sangue, seringas e machucados. No entanto, a Medicina, a meu ver, está destroçada e me envergonha, em muitos casos de desrespeito cometidos por médicos no Brasil e no exterior. Há dez dias comecei a passar mal, com dores abdominais terríveis, e de madrugada procurei atendimento de urgência num hospital de Contagem, cidade onde moro. Após exames e tomar soro, voltei para casa, com o diagnóstico de cólica menstrual. Insisti com o médico que não poderia trabalhar daquele jeito, mas ele me negou atestado. Prostrada, sofrendo, tive que dirigir e cuidar de 15 crianças durante dois dias seguidos, até que não aguentando mais, busquei atendimento com outro médico. Este sim, com mais experiência, diagnosticou dengue e me recomendou repouso absoluto. Só então, medicada e deitada, pude recuperar e me curar.
As dores provocadas pela dengue são terríveis e os sintomas podem ser confundidos com outras doenças, mas numa epidemia, como acontece em Minas atualmente, a simples suspeita já merece cuidados especiais. Na semana  em que estive doente, duas mulheres morreram depois de voltarem para casa sem o tratamento adequado. Eu também poderia ter sido uma vítima daquele médico inconsequente, e hoje meu marido estaria viúvo, e meu filho de três anos, órfão.  A possibilidade de deixá-los sozinhos me causou depressão profunda. Indignada, liguei para o hospital e deixei um recado para o médico que me atendeu. Pedi que ele tratasse outros pacientes com mais atenção, e não os mandasse para casa sem analisar corretamente cada caso. Fiz o papel de uma cidadã, que merece respeito de um profissional que esteve com a minha vida em suas mãos.
Os médicos brasileiros são mal remunerados, mas isso não lhes dá o direito de descontarem suas angústias nos pacientes, que pagam os seus salários em forma de impostos. Se o Governo não repassa os valores corretamente a estes profissionais, não é a população que deve sofrer, mas os corruptos que devem ser cobrados em suas responsabilidades. Não se pretende que os médicos sejam sacerdotes e trabalhem gratuitamente, mas uma vez escolhida esta profissão, a honra de salvar vidas deve estar em primeiro lugar. Se o desejo for apenas enriquecer, é melhor buscar outra atividade que ofereça mais lucros. Antigamente, os médicos ganhavam muito bem e a profissão vinha amparada num status de riqueza e inteligência. Hoje, a classe está desacreditada, dada  a quantidade de maus profissionais formados em faculdades duvidosas. E, a valorização não depende só do Governo. Ela deve começar pelo próprio médico, que deve tratar seu paciente com respeito, como gostaria de ser tratado.

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Beijos,

Carla Vilaça