segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Teatro: aprendizado, emoções, amizades!

No Rio com Rômulo, nos palcos e batendo texto
 
 

Numa época da minha vida, comecei a fazer teatro profissional em Belo Horizonte, na Companhia do diretor Marco Túlio Leite. Apesar da pouca experiência, ele me deu grandes oportunidades nas peças que produzia. Lá, além das amizades que fiz, aprendi o mais importante da minha vida: a improvisação e a desinibição, características que me acompanham até hoje e que me permitiram sair de situações embaraçosas, quando comecei a trabalhar como locutora em algumas rádios. Mas, eu queria mais. Desejava ir ao Rio de Janeiro em busca de oportunidades na TV, e dei de cara com as dificuldades dessa profissão. 
A capital carioca respira teatro e eu me sentia a vontade buscando informações de como ser uma grande estrela. Passei horas, com vários candidatos, em frente a TV Globo para fazer ficha cadastral, me hospedei em albergues e vi de perto muitos artistas globais e diretores, saindo e entrando na emissora, como Walmor Chagas, Herval Rossano e Daniel Dantas. Tudo sozinha, sem medo algum. Até perceber que aquilo não era para mim. Conheci outros aspirantes a artistas que durante anos buscam uma chance, e que nunca conseguiram. Depois de mim, outros três colegas fizeram o mesmo roteiro que eu, sem sucesso. Foi então, que tomei outro rumo na minha vida: passei no vestibular de História, e um ano depois, troquei o curso para Jornalismo. Gosto de escrever e de falar e estas duas profissões se encaixavam em meu perfil. E durante oito anos trabalhei como jornalista e hoje sou professora.
Me apaixonei pela representação aos 17 anos, assistindo televisão. A paixão foi cada vez aumentando, permitindo que meus sonhos se ampliassem à medida que eu crescia. Nada era impossível, em meus pensamentos. Mas, a realidade mostrou-me um lado perverso da busca pelas oportunidades, que são pequenas para tantos artistas. Ainda mais hoje em dia, em que a sociedade aceita o artista tranquilamente, ao contrário do início do século passado, onde muitas atrizes fugiam de casa para fazer teatro e cinema.
Com o diretor Marco Túlio Leite, após encenação de peça sacra
Quando percebi que eu perdera muito tempo com sonhos, rasguei minhas apostilas, não fiz mais testes de teatro, e guardei apenas as fotos como lembrança. Deste tempo, guardo ainda o carinho do Marco Túlio e a paciência dos meus colegas comigo, diante da minha dificuldades em memorizar os textos. Mas, a vida é assim. Marco Túlio também sofreu quando a TV Tupi fechou. Ele era um grande ator, um galã, que viu seus sonhos desmoronarem. Se estivesse vivo hoje, teria me ligado várias vezes chamando minha atenção para não desistir. Se não deu certo para ele, isso não significava que não daria para mim. Grande demais, palavras de um padrinho. Sinto saudades dele e de toda a turma, da alegria, dos quitutes das reuniões, da diversão. Saudades também de uma época em que os sonhos são realmente desenfreados. Pena que eles andam em desacordo com o cotidiano, que é cheio de contas para pagar, de responsabilidades que não combinam com a coxia, com os palcos.

Bastidores e palco do teatro
 


 
 



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Beijos,

Carla Vilaça