terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Plano B na vida!

Lecionar, num país em que não se respeita o professor, é um desafio diário. Salário baixo, violência por parte de pais e alunos, cobranças absurdas da direção, são alguns dos motivos de desistência desta profissão tão antiga. Mas, então, o que motiva o professor? Simplesmente, o fato de ensinar. Ver um aluno entrar sem saber ler, e receber dele, no final do ano, cartinhas com palavras de carinho, é muito gratificante. Por várias vezes na vida pensei em desistir, e confesso que ser jornalista é minha profissão predileta, mas como tudo na vida, precisamos de um plano B, e no meu caso, a sala de aula representa esta opção.
Durante sete anos trabalhei como redatora, locutora e produtora em algumas rádios da grande BH e adorava passar meu tempo escrevendo notícias. Mas, o salário também não é maravilhoso, com risco de demissão, o que não acontece com concurso público, e por isso optei por dar aulas quando me formei em jornalismo. Não desisti, apenas minha vida tomou outro rumo. Conheci meu marido, engravidei, e não podia mais contar com a sorte. Era preciso acordar e ver o mundo sob um olhar mais sério, menos glamouroso.
Todo final de ano faço uma limpeza na caixa onde guardo correspondências desde minha infância. Mas, sou muito apegada ao que elas representam, e pouca coisa vai para o lixo. Todos os dias chego em casa com a bolsa lotada de cartinhas de alunos. São agradecimentos pelo ensinamento e pelo carinho que tenho por eles, pelas aulas divertidas, em que rimos muito das piadas que faço e dos casos que conto para explicar cada matéria. Esse jeito descontraído de ser me ajuda também a resistir à falta de conforto e de materialidade onde trabalho.
Confesso que me realizaria mais falando ao microfone, redigindo notícias do que enfrentar o calor escaldante e a rotina estafante de uma sala lotada de crianças, mas nem tudo na vida é o que sonhamos. Tento fazer o melhor e segundo meus alunos, sou a melhor professora do mundo. Tudo bem que eles não conhecem outra realidade. Mas, um carinho destes vai fundo na alma, e enche meu coração de ânimo para mais um ano de desafio. Lecionar não é uma cruz a carregar, é fazer desta cruz, uma ponte para atravessar um abismo. Meus alunos, a meu ver, são anjinhos, que muito me ensinam, mais do que aprendem. Só tenho a agradecer-lhes.





 

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Beijos,

Carla Vilaça